19 de agosto de 2007

O Mal-Estar na Civilização

Chego em casa no meio da madrugada, sento ao computador e navego quando, de repente, sou tomado por um súbito mal-estar ao ler uma minúscula parte da Veja.com. Entendam o por quê:

Brasileiro educado crê na democracia

Não, o problema não é exatamente esse. O problema é o subtítulo, e a forma como o subtítulo re-significa uma frase aparentemente neutra. Ei-lo:

Um livro prova que, ao contrário do que propalam os esquerdistas, a elite nacional é o farol da modernidade. Ela acredita na civilidade.

Não dá!


Senhores redatores de Veja:

Com um discurso violento e selvagemente reacionário, V. Sas. ainda querem vir dizer qualquer coisa sobre civilidade?

Me desculpem, mas não dá, não.

Felicitações

Danilo Albergaria

PS: Podem ir todos tomar no cú.

18 de agosto de 2007

Vocês estão cansados?

Mino Carta e Flávio Gomes estão de muito saco cheio, isso sim.

Se você for um cansadinho, entre aqui e sinta-se em casa. Uma casa com piscina e dois Civic na garagem, é claro.

Quero ver opiniões políticas nos comentários. Vamos lá!

Homer: o homem, o mito


Aqui, uma entrevista com ninguém menos do que Homer J. Simpson para o jornal USA Today. Parte dela está traduzida aqui, no excelente blog Ilustrada no Cinema, da Folha.

A pergunta chave:

Quais são suas posições políticas?

Homer: Tenho um sistema quando voto: Colo da pessoa na cabine ao meu lado. Se estou numa daquelas máquinas eletrônicas de votação, tento marcar a pontuação mais alta. Pode soar estúpido, mas não há como discutir com os resultados: agora temos o mais incrível presidente da história.

Enquanto os republicanos quebram a cabeça para achar alguém que faça frente às candidaturas de Barack Obama ou Hillary Clinton, deixam passar despercebida a opção mais óbvia:

17 de agosto de 2007

Meu mundo é hoje

Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.
Meu mundo é hoje não existe amanhã pra mim
Eu sou assim, assim morrerei um dia.
Não levarei arrependimentos nem o peso da hipocrisia.
Tenho pena daqueles que se agaixam até o chão
Enganando a si mesmo por dinheiro ou posição
Nunca tomei parte desse enorme batalhão,
Pois sei que além de flores, nada mais vai no caixão.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.

Paulinho da Viola

15 de agosto de 2007

Blizzard, eu te amo!

Protoss atacam base de Terrans, em Starcraft 2.


Chegou a hora de sair do armário.

Mesmo sabendo que tal ato de coragem não suscitará especial surpresa em rostos conhecidos - está mais para a audição de frases galvão-buenísticas, como o infame "eu já sabia!" -, tenho de vir a público e dizer que assumo.

Eu sou um nerd. E penso em dar início a uma espécie de ação afirmativa nerd. Por quê não uma bandeira nerd? Por quê não um dia do ano para ser comemorado o Dia do Orgulho Nerd? E por quê não uma Nerd Pride Parade? Vamos mostrar que as minorias - mesmo essa formada de pessoas pálidas de óculos - têm sua força! Um dia, lotaremos a Paulista!

Como todo nerd que se preza, adoro videogames. Sempre gostei. Talvez minha personalidade nerd tenha nascido de uma escolha de meus pais: ganhei um ATARI 2600 de presente aos 5 ou 6 anos de idade. Naquele momento, alguns leques de escolha foram fechados. A partir de então, preferiria movimentar os dedos e grudar o olho na tela a andar de bicicleta ou jogar bola.

No entanto, o mundo definitivamente não era dos nerds nas décadas de 80 e 90 - e, assim, fui desenvolvendo uma certa estratégia de disfarce. Sobrevivência é adaptação, já o pensavam Darwin e Wallace. Então eu deixava de estudar, por exemplo, pois estudar era coisa de nerd. Se fosse muito bem na escola e fizesse todas as lições, todo mundo iria saber que eu era um nerd. E falar que eu ouvia Jean Michel Jarre e Simon & Garfunkel seria como assinar um atestado de nerdismo. Nerd, eu?

Mesmo assim, nunca deixei de jogar videogames. Tive todos os consoles possíveis até o Super Nintendo. (Este legado continua vivo na figura do meu irmão. O rapaz vai ter um PS3, provavelmente). E nunca tive vergonha disso, muito pelo contrário. Anos de experiência sempre me garantiram competência em todo tipo de jogo. Era a minha droga, o lugar de minha afirmação durante boa parte da adolescência.

É óbvio que o ingresso numa faculdade, as mulheres, o álcool y otras cositas más me afastaram dos joysticks por um certo tempo. Como dizia um colega de classe da PUC, "eu jogava RPG, até que um dia eu descobri as mulheres". Meu lado nerd havia adormecido. Até que um dia...

Eu havia deixado a faculdade de Direito para fazer História pensando nas estrelas. E foi no meio desse caminho de volta que reapareceu a gloriosa Blizzard Entertainment, com o lançamento do Warcraft 3. Redescobri os tempos de Diablo, Warcraft 2 e Starcraft. Minha casa passou a ser uma lan house mambembe onde se reuniam pessoas da minha idade, nerds enrustidos como eu, para cantar loas ao mundo dos botões e da tela brilhante. As preocupações diárias estavam mais para montar estratégias e combinações de magias do que decifrar um texto de Michel Foucault. Me redescobri nerd, em todo o esplendor da palavra.

A Blizzard foi a culpada. Essa maldita empresa que lança um mísero jogo a cada dois ou três anos me tentou, ultimamente, com o World of Warcraft. Uma mensalidade em dólares e a possibilidade de perder a vida social me afastaram do WoW. Sei de pobres almas que vivem nessa Matrix com ares de medievo e só saem de lá para confraternizar com os amigos num churrasco. Embora ainda jogue uma ou outra partida de Warcraft 3, estou muito distante dessa dependência toda.

Mas eis que, no decorrer da vida, surgem coisas das quais é impossível desviar. Há pouco tempo, numa madrugada dessas, fui surpreendido por algo inimaginável, que acendeu em mim um brilho há tempos perdido e me faz dormir querendo despertar. A Blizzard vai produzir a sequência de Starcraft. Quero me perder, me lambuzar todo nesse Starcraft 2, me viciar, e por muito tempo. E quero o jogo inteiro, não me contento com versões demo.

Blizzard, eu te amo!

PS: Você, que é nerd, entre no Jovem Nerd e seja feliz. Há tempos, Alottoni e Azaghâl, o Anão, fazem a alegria do mundo nerd.

13 de agosto de 2007

9 de agosto de 2007

Vida em desequilíbrio

A humanidade vista de longe, muito longe. Nossos sonhos vistos por olhos estranhos. Koyaanisqatsi, filme de Godfrey Reggio, de 1982.

Artérias


Comida é água


Sonho e realidade


A música é de Phillip Glass.

Aulas em órbita

E deu certo. Segundo o cara que faz a contagem regressiva, foi colocada "uma sala de aula no espaço". As referências à questão abordada no post anterior foram ainda mais óbvias: "Morgan correndo ao espaço sobre as asas de um legado", diz o narrador.

Às vezes eu queria ser um astronauta. Ao infinito e além!




PS: notem que a velocidade do Endeavour chegou fácil, fácil a 5000 milhas por hora (~ 8000 km/h) lá em cima.

7 de agosto de 2007

A redenção

Está previsto para amanhã o lançamento da Endeavour, em mais uma missão destinada a continuar a construção da estação espacial internacional. Mas a missão vem ganhando um interesse midiático cujo foco passa longe da ISS e reúne as paixões humanas pelo drama e pela redenção.

Uma professora de ofício está entre os sete astronautas selecionados para a missão: trata-se de Barbara Morgan, 55 anos, 22 deles esperando para embarcar num ônibus espacial. Não são novas as intenções da NASA em enviar um professor de high school para o espaço em troca de atenção e promoção ao programa espacial. E é aí que se desenrola um final típico de filmes com trilha sonora de James Horner: Morgan era a "reserva" de Christa McAuliffe, a infortunada professora que morreu no desastre da Challenger, em 1986.

Um vídeo é particularmente interessante e, por assim dizer, doloroso. Ele mostra o lançamento e posterior tragédia da Challenger sendo observados justamente por Morgan. Há inúmeros vídeos sobre a Challenger no Youtube, incluindo aquele clássico e chocante flagrante da família de Christa reagindo à desintegração da nave. Mas este é o que resume melhor a situação de amanhã. Atenção para alguns detalhes tristes: primeiro, Morgan dizendo, no início do lançamento, "bye Christa, bye crew"; notem, mais adiante, que logo depois do centro de controle ordenar que a Challenger suba uma marcha ("go with throttle up") há uma empolgação inicial de Morgan, que logo se transforma em desespero. É o momento em que o ônibus espacial explode espetacularmente. Ninguém entendeu, de imediato, o que estava se passando.



Que o final dessa história seja mesmo uma redenção, dessas lacrimosas, dirigida por James Cameron, com trilha de James Horner a acompanhar uma tremulante bandeira norte-americana e o diabo a quatro. Até mesmo isso seria melhor do que outra tragédia espacial.

5 de agosto de 2007

4 de agosto de 2007

Depois da vida, a goleada!

O prognóstico já era ótimo: a Ponte nunca havia perdido para o Santa Cruz e vinha de uma goleada sobre o Ipatinga, 5 a 1 (obviamente testemunhada in loco por este escriba). Além disso, o Majestoso contava com a ilustre presença de minha mãe. Esses fatores, somados ao otimista e quase certeiro vaticínio de uma amiga ("hoje vai ser de 7"), só poderiam conspirar para mais uma goleada histórica.

E foi.

Ponte seis, Santa zero.


3 de agosto de 2007

2 de agosto de 2007

Caos

Construir um discurso racional em horas absurdas não é simples. São bravos os leitores que continuam acessando o "Pálido" mesmo depois do blog ter-se tornado um canal para a expressão caótica de minhas pulsões. Apolo está muito longe daqui e, mesmo assim, pessoas que nem mesmo sei quem são continuam a ler o que aqui é publicado.

Não sei o que pode ser interessante nestas frestas de mim. Talvez alguns de vocês se identifiquem com as poesias, com as angústias. A quem me conhece, quem sabe interesse a compreensão do que se passa aqui dentro. Ainda bem. Isso mantém o blog minimamente divertido, pra mim e, espero, também pra vocês.

...

?

?

?

Caos.

Caos...

Impulsos sem rumo.

...

...

O sangue congela.

O corpo congela.

O coração congela...

...

Que frio!

...

...

A rua está ficando cinza?

Cinza?

A rua está ficando cinza?

A rua está ficando cinza!

...

...

Daqui a pouco, o sol

Daqui a pouco, as cores

Daqui a pouco, o calor

Daqui a pouco, a luz

...

E depois a noite de novo

E o frio de novo

Que congela!

Não!

Não!

...

...

...

Living my pyramid song

I jumped in the river, what did I see?

A blue-eyed angel swam with me

None of my lovers were there with me

None of the things I used to see

There was something to fear, something to doubt

But I might be wrong

I might be wrong

...

...

...

Sonho

Sonho

Sonho

Pesadelo

Sonho

Pesadelo

Sonho

Sonho

Pesadelo

Sonho?

Pesadelo?

Pesadelo!?

...

...

...

...

...

...

...

Go to sleep.

1 de agosto de 2007

Piada pronta

Cléber Machado anuncia: "Allan Kardec faz o gol do Vasco no Beira-Rio".

Trata-se de um gol espírita.

Não entendeu? Foda-se!

Run, Galvão, Run!

Você que é pílula vermelha, anti-nacionalista e anti-Globo, clique aqui e leia um feroz texto de Flávio Gomes, o jacobino raivoso, sobre o Pan. Vai, clique lá, vale muito à pena.

E pra você que engoliu esse engodo nacionalista todo, clique aqui e seja feliz.

Meaningless


Como lidar com uma realidade que não aponta para direção nenhuma?

Da Wikipedia:

O Sol é a estrela central do nosso Sistema Planetário Solar. Atualmente, sabe-se que em torno dele gravitam pelo menos 8 planetas, 3 planetas anões, 1600 asteróides, 138 satélites e um grande número de cometas. Sua massa é 333.000 vezes a da Terra e o seu volume 1.400.000 vezes. A distância do nosso planeta ao Sol é de cerca de 150 milhões de quilômetros (ou 1 Unidade Astronômica (UA) aproximadamente). A luz solar demora 8 minutos e 18 segundos (8'18") para chegar na Terra.

Como toda estrela, o Sol é uma esfera gasosa que se encontra em equilíbrio hidrodinâmico entre as duas forças principais que agem dentro dele: para fora a pressão termodinâmica, produto das altas temperaturas internas, e para dentro a força gravitacional.

31 de julho de 2007

Ondas e palavras

As ondas refluem e levam as palavras embora.

É pra isso, também, que servem poesias. Falam por nós todos.

E Vinicius fala por mim.


Diante de ti homem não sou, não quero ser.
És pai do menino que eu fui.
Entre minha barba viva e a tua morta, todavia crescendo
Há um toque irrealizado. No entanto, meu pai
Quantas vezes ao ver-te dormir na cadeira de balanço de muitas salas
De muitas casas de muitas ruas
Não te beijei em meu pensamento! Já então teu sono
Prenunciava o morto que és, e minha angústia
Buscava ressuscitar-te. Ressuscitavas. Teu olhar
Vinha de longe, das cavernas imensas do teu amor, aflito
Como a querer defender. Vias-me e sossegavas.
Pouco nos dizíamos: "Como vai?" Como vais, meu pobre pai
No teu túmulo? Dormes, ou te deixas
A contemplar acima – eu bem me lembro! – perdido
Na decifração de como ser?
Ah, dor! Como quisera
Ser de novo criança em teus braços e ficar admirando tuas mãos!
Como quisera escutar-te de novo cantar criando em mim
A atonia do passado! Quantas baladas, meu pai
E que lindas! Quem te ensinou as doces cantigas
Com que embalavas meu dormir? Voga sempre o leve batel
A resvalar macio pelas correntezas do rio da paixão?
Prosseguem as donzelas em êxtase na noite à espera da barquinha
Que busca o seu adeus? E continua a rosa a dizer à brisa
Que já não mais precisa os beijos seus?
Calaste-te, meu pai. No teu ergástulo
A voz não é – a voz com que me apresentavas aos teus amigos:
"Esse é meu filho FULANO DE TAL". E na maneira
De dizê-lo – o vôo, o beijo, a bênção, a barba
Dura rocejando a pele, ai!

30 de julho de 2007

Partes íntimas, volume 2

Postagem retirada por motivos... íntimos.

Sunshine

NASA/ESA - O Sol, 5 de novembro de 1997.


Uma pessoa decide ficar acordada até que o sol se mostre.

Os primeiros raios aparecem, Vênus aparece. À medida em que o céu se torna azulado, pessoas protegidas do frio saem de suas casas em busca de algo. Todas parecem apressadas. As felizes buscam um sonho. As tristes, só o sustento.

Todas essas pessoas caminham rumo ao sonho, ou sustento, como máquinas. Seus corpos obedecem a comandos automáticos enquanto suas cabeças estão um pouco longe - estão lá no sonho, e no sustento. O cotidiano lhes preenche toda a imaginação. Formigas marchando.

Não percebem, esses pobres animais, que algo muito maior acontece, algo muito mais fantástico e inacreditável do que aqueles sonhos absurdos em que se permitiram sonhar de fato. O Sol, força impensável da natureza, está começando a aparecer no horizonte e a mostrar seu encanto difícil de encarar, mas impossível de se desviar.

Os oprimidos pelo grande relógio continuam marchando, alheios ao espetáculo diário que faz sentir o tempo, a distância, a infinitude, a transitoriedade. Perdidos nos momentos de divagação cotidiana que lhes parecem eternizar a alma, esquecem-se do Sol e da própria angústia de quem vive: a morte. Vivem num mundo de sonhos, um modestíssimo mundo de sonhos.

O sol, então, já aparece por completo. Ele é um dentre muitos trilhões de pontinhos nessa existência toda. As estrelas não dão a mínima pra nós. Perto desses titãs, nossa vontade de potência é uma piada e o tempo que temos para viver é imensuravelmente exíguo. O tempo que temos para viver o que desejamos, então, é menor ainda.

O sol nos lembra que temos que viver o que desejamos viver. Ele pode se dar ao luxo da solidão por bilhões de anos - nós, não. Somos breves suspiros da natureza. Suspiremos alto, portanto. Imensamente alto.

De onde você vem?