18 de junho de 2012
Beethoven no churrasco
“É música de churrasco”, me disseram. Assim como Chiclete com Banana, natural substituto do Radiohead que eu tinha conseguido infiltrar num momento de desatenção da maioria.
Nada contra. Cada um é cada um, não é esse o sábio dito popular?
Vocês, meus caros 17 milhões de leitores, poderão me censurar pelas escolhas excêntricas para trilha sonora de churrasco. Me chamem de chato, pedante. Foda-se. Eu não caio nessa história de adaptar a música para a ocasião, ou melhor, para servir de cenário. Música é pra ouvir. Não há nada mais deprimente do que música de churrasco, música de casamento, música de balada. É tudo música de elevador.
Não acho que pra ouvir Beethoven seja preciso vestir um smoking e botar um ar aristocrático na cara. Aliás, isso é o que não deveria acontecer. Sua música é prazer, embriaguez, loucura, pateticidade, felicidade, e é tenebroso que se vincule um inconformista como Beethoven ao pedantismo.
Quer saber? Todo mundo quer picanha na churrasqueira. Mas se você passou a vida inteira comendo acém, talvez rotule quem defenda a picanha como pedante. Azar o seu.
14 de junho de 2012
1 de junho de 2012
Paul Lewis toca Beethoven
Nos links abaixo você encontrará em MP3 TODAS as sonatas para piano, de Ludwig van Beethoven, interpretadas por Paul Lewis.
Este blog já havia publicado a edição integral das sonatas tocadas por Stephen Kovacevich. A diferença da atual postagem para aquela é que os arquivos de áudio estão separados por faixa, movimento por movimento. De modo que fica mais fácil, por exemplo, ouvir aquela terceira parte da Tempest, ou o curto mas espetacular segundo movimento da Hammerklavier – embora o legal mesmo é, claro, ouvir a sonata de cabo a rabo.
Este que vos escreve faz questão de reiterar que não procura, com essa publicação, prejudicar o artista ou a gravadora. O preço de uma coleção dessas, importada, é tão proibitivo para o bolso do brasileiro médio que seria impossível, não fosse a internet, ter contato com produções artísticas desse porte. A beleza salvará o mundo e não deverá cobrar entrada. No entanto, se você tiver dinheiro suficiente e gostar da obra, sugiro que a compre em sites como a Amazon. Quem pode, deve prestigiar o artista.
Caso prefira, os arquivos originais, em FLAC, estão neste torrent. Por favor, reportem qualquer problema nos arquivos MP3 aqui disponibilizados.
CD3 – Sonatas no. 9, 10, 21 e 24
CD7 – Sonatas no. 12, 13, e 14
16 de maio de 2012
A shout from the rooftops
É um tremendo encorajamento para os movimentos de direitos humanos nos Estados Unidos: a faculdade de direito de Columbia publicou um estudo detalhado sobre a execução de um inocente no Texas.
A matéria do Guardian, que conta o caso de Carlos DeLuna, é dolorosa. Confundido com o real assassino (cuja existência as autoridades judiciais descartaram como ficção do acusado), DeLuna foi condenado à morte por um assassinato que não cometeu. Até o último momento afirmou sua inocência. Foi executado por injeção letal em 8 de dezembro de 1989. O assassino, um outro Carlos, Hernandez, extremamente parecido com DeLuna, não respondeu ao crime.
Via boingboing.
10 de maio de 2012
Nikolai Kapustin é o cara
Tô viciado nessa aí embaixo:
E essa, recém-descoberta:
27 de abril de 2012
Que pena…
“When Barcelona reached the 1986 European Cup final, a 15-year-old ballboy raced on to the pitch and pleaded with Victor Muñoz, scorer of the decisive penalty against Gothenburg in the shootout, for his shirt. The ballboy was Guardiola. During one match against Madrid he ran up to the referee and told him he was playing with the emotions of an entire nation, and he was not talking about Spain. When Andrés Iniesta was a kid, there were two posters on his wall at La Masía: one was of Catherine Zeta Jones, the other was Pep Guardiola. Cesc Fábregas still treasures the signed Guardiola shirt he was given as a youth-team player at the club.”
Guardiola saiu. Guardem os VTs.
19 de abril de 2012
Gangsta rapping on hell´s door
Aperta o cerco sobre Rupert Murdoch: http://www.independent.co.uk/news/uk/crime/hacking-scandal-the-net-tightens-on-the-murdochs-7661722.html
Para onde vão os enormes e desproporcionais gastos militares da Grécia?
“The imbalance has spawned speculation that peripheral countries in Europe with vulnerable frontiers likesuch [sic] as Greece are being exploited in terms of defence spending by wealthier states at Europe's core.”
Aqui, ó: http://www.guardian.co.uk/world/2012/apr/19/greece-military-spending-debt-crisis
Aos vencedores, conjecturas extravagantes sobre méritos inexistentes
Entre as muitas coisas que me incomodam no palavrório da imprensa esportiva nas análises pós-jogo é como a (legítima) busca por conjecturar os motivos de um placar de futebol está se tornando uma (preguiçosa e ilegítima) obrigação de conceder ao vencedor mais mérito do que teve.
É notório que o futebol não é um esporte em que o placar final sempre traduz a medição de força entre dois times. Nem sempre o melhor vence. Isso basta, sem precisar repetir o truismo de que futebol é bola na rede, para que observemos como a ânsia por identificar mais mérito do que existe em todo vencedor está levando a imprensa esportiva a procurar explicações bizarras para placares “injustos” ou “ilógicos”.
O que aconteceu ontem em Stamford Bridge e a cobertura do Guardian ilustram o meu argumento.
Admiro muito o setor esportivo do Guardian. Os textos são saborosos, as análises são geralmente sóbrias, sem patriotismo ou outras paixões que acometem a imprensa esportiva espanhola. Mas dois textos de análise pós-jogo sofrem desse mal de que estou falando: o primeiro elogia coisas como o trabalho disciplinado do time todo do Chelsea no setor defensivo, o segundo fala em “soberba disciplina” dos blues.
Como quem acompanha futebol sabe, o Barcelona dominou amplamente o Chelsea em plena casa do adversário. Dominar não é apenas uma definição de “ter mais posse de bola”, mas também criar mais chances de gol, impedir que o adversário tenha a bola e jogue, pressionar o outro time em seu campo de defesa. O Barcelona fez isso o jogo todo e saiu derrotado por 1 a 0, fruto da única chance de gol que o Chelsea teve. Se alguma análise racional do jogo é possível, a única coisa que se pode falar com segurança é que o resultado se deve ao faro de gol de Drogba e à incompetência das finalizações do Barcelona. E só. Mas a análise tática de David Pleat, por exemplo, propõe que o mérito seja todo do sistema de Di Matteo, “compacto, disciplinado e comprimindo o espaço defensivo, quase parando o ônibus [na frente do gol]”.
Pleat alega que a troca de passes do Barcelona não conseguiu penetrar a defesa do Chelsea. Como não? Foram muitas chances claras de gol, duas delas com Alexis recebendo passes por cima da defesa do Chelsea. A primeira bateu na trave, a segunda foi pra fora. Fábregas também teve uma com bola em profundidade, venceu Cech, mas o zagueiro salvou em cima da linha. E assim por diante. Isso não é penetrar a defesa do outro time? Mesmo confrontado com um busão parado na entrada da área, o Barcelona furou, sim, a defesa adversária. Mas não balançou as redes. O Barcelona perdeu e também não existe tal coisa chamada vitória moral. O Chelsea ficou com o 1 a 0 e é isso o que importa no futebol. O Chelsea venceu e está perto da final. Essa é a melhor, a única verdadeira, recompensa dos vencedores. Não precisam de mais nada, de nenhum elogio.
O que precisa ser dito é que o Chelsea e todo time inferiorizado dentro de campo mas superior no placar final não precisam que méritos falsos lhes sejam atribuídos ad hoc. Vitórias e derrotas acontecem e, muitas vezes, nem uma e nem outra são realmente merecidas. Assim é o futebol e, com o perdão da reflexão de boteco, assim é a vida.
Parte do problema é a tentativa de arrumar explicações complexas para coisas simples. Quando o assunto é futebol em sua manifestação mais extraordinária e caótica (caso do jogo de ontem), talvez seja melhor ficar com tautologias e irracionalidades em vez de rabiscar e rebuscar a prancheta em busca de um modelo explicativo. Proponho, portanto, duas “explicações” para o que aconteceu ontem.
A primeira é: o Chelsea venceu porque fez um gol e o Barcelona não fez nenhum.
A segunda: é tamanha a quantidade de pequenos detalhes e a sua combinação definindo a ausência de gol do Barça que algo do tipo vai demorar pra acontecer de novo. Ao contrário do provérbio latino, a sorte sorriu para os fracos.
18 de abril de 2012
Afegã Muçulmana Xiita
Segundo o Uol, a menina da foto que ganhou o Pulitzer chama-se Afghan Shia Muslim. Não estou brincando: clique aqui e vá até a legenda da foto. Ou clique aqui para ver um print screen.
É o mesmo que legendar uma imagem de uma menina brasileira dizendo que ela se chama Brasileira Cristã Evangélica.
O nome da menina é Tarana Akbari. Veja na legenda da foto aqui. Na certa o retardado viu uma legenda como essa e achou que as primeiras três palavras fossem o nome da menina.
Não foi só um lapso. É claramente sintoma de despreparo intelectual para a profissão.
5 de abril de 2012
A nona em 10 mil vozes
Para lembrar das vítimas do tsunami do ano passado, os japoneses armaram um coral de 10 mil pessoas e tocaram a nona de Beethoven (não sei se inteira… aí embaixo está apenas o último movimento).
É de arrepiar e chorar. Intencionalmente universal, ouvir a nona suscita o que tem de mais próximo da experiência religiosa para quem não é religioso. Adoro o que Beethoven representa, o que essa sinfonia representa, e adorei o que representaram 10 mil japoneses lembrando uma tragédia colossal da maneira mais catártica possível.
Foi uma experiência religiosa sem apelo ao sobrenatural, como dizem.
Lars von Trier estava errado. Quando o mundo acabar, quero ver a Terra derreter ao som da nona.
26 de março de 2012
Citizen Murdoch
Deu no Guardian e no Independent: há indícios (e, parece, evidências processuais) de que a News Corp teria financiado hackers para derrubar o serviço de TV a cabo inglês ONdigital, então concorrente da BSkyB, por meio de pirataria do código do cartão usado no decoder. A pirataria ajudou na derrocada da ONdigital.
Não bastasse o escândalo dos grampos que fechou o News of the World, agora essa.
O Departamento de Justiça americano está atento às investigações. Obama está doidinho pra pegar a Fox News pela goela, no que faria muito bem.
Aliás, tanta perseguição aos “piratas” da internet e quem é que aparece por trás da pirataria? O gangster Rupert Murdoch.
Canalha.
3 de março de 2012
Equinox, por Janice Borla
Um arranjo bacana pra Equinox, do John Coltrane.
Que voz!
E a original, difícil de enjoar:
29 de fevereiro de 2012
Vai Manning!
Bradley Manning foi indicado ao Nobel da Paz.
Entre os concorrentes, Bill Gates, Bill Clinton e Helmut Kohl. Arrarrarrá.
27 de fevereiro de 2012
Santorum contra o estado laico
“A ideia de que a igreja não pode ter influência ou envolvimento na operação do estado é absolutamente antitética aos objetivos e à visão deste país”.
A frase é do cara que mais incomodou Mitt Romney nas primárias republicanas até agora e está aqui. Não é nada remoto que uma figurinha dessas seja o oponente de Obama em novembro.
23 de fevereiro de 2012
22 de fevereiro de 2012
Super Pacs
O Guardian postou faz pouco tempo um pequeno vídeo explicando as mudanças nas regras eleitorais americanas que escancaram ainda mais o processo democrático à influência e controle do grande capital.
É tão direto e reto que resolvi legendar e postar no Youtube. Está aí embaixo. Se não der para ativar a legenda (o CC) por aqui, vá para o vídeo no próprio Youtube.
Como escrevi na descrição por lá, aos poucos, a democracia norte-americana vai se tornando uma piada. Nesse cenário, figuras extraordinárias como Stephen Colbert e Jon Stewart nadam de braçada.
20 de fevereiro de 2012
Zappa sobre as escolas
Quando eu era aluno, eu odiava a escola.
Agora sou professor. E continuo odiando a escola.