Mostrando postagens com marcador Xico Sá. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Xico Sá. Mostrar todas as postagens

22 de abril de 2009

De Machus Ludopedicum

Eu aqui envolto na antropologia estruturalista de Lévi-Strauss (o quê!? quem?!?) enquanto a única verdade universal é destilada, como sempre, na mente ludopédica do grande e inimitável Xico Sá. Texto completo, garçom, com fritas - e me vê mais uma dose de colírio alucinógeno porque hoje é dia de Majestoso:


Diante do sofrimento, digo, quase infarto, deste macho ludopédico na rodada da última quarta-feira, matutava, com a pitomba metafísica chacoalhando na boca: será que as mulheres têm um sacrifício do mesmo porte, tão de graça mas ao mesmo tempo tão de verdade como a nossa maluca devoção pelos times do peito?

A minha costela amada ria do meu estado de nervos. Palmeiras 1x1 Sport. O Leão resistia com apenas dez homens em campo no Palestra Itália. Eu respirava por milagrosos balões de oxigênio. Ufa, fim de jogo, o homem de preto, que fizera de tudo para ajudar o adversário paulista, assopra a latinha. Abro a cerveja do guerreiro justiçado.

Fim de jogo e começo da mesa-rendonda caseira. Que loucura essa dos machos pelo futiba. E o que diabo você, mulher, ganha com isso?

Foi ai que lembrei de uma pesquisa sobre o assunto, que vale repeteco. Coisa animadora para as fêmeas. Repare só: a quantidade de testosterona produzida por um homem fanático aumenta 27,6% quando o seu time do coração triunfa. Mesmo que seja contra o Íbis, considerado historicamente como o pior time do mundo.

É um desses estudos malucos feitos pelos norte-americanos. Neste caso, uma turma de acadêmicas da Universidade da Geórgia.

Sim, as mulheres devem tirar proveito desta pesquisa e aprender com os seus parceiros tudo que sempre quiseram saber sobre tiros de meta, meia ofensivos, escanteios e, queira Deus, até mesmo os mistérios da lei do impedimento _uma das coisas mais enigmáticas para as fêmeas.

Um dado cruel da pesquisa, principalmente naquelas fases capengas dos nossos clubes: nas seguidas derrotas, o "homo-fanaticus" perde um tanto da sua capacidade de produzir hormônios (os mesmos 27,6%) e apresenta-se inapetente para o amor ou o sexo propriamente dito.

Agora, as mulheres, que jamais compreenderam o banzo sartreano dos machos derrotados no futebol, podem entender aqueles domingões tristes e monossilábicos.

O pior é que não adianta nada pedir para um sujeito mudar de time e tornar-se mais vencedor. Mesmo com a promessa de 27,6%  de testosterona-plus, é mais fácil um homem-que-é-homem mudar de sexo do que de clube.

27 de agosto de 2008

Lamoterapia selvagem

Ok, enquanto o Pálido não vira outra coisa, fiquem com Xico Sá, que usa William Blake pra terminar em Wander Wildner. Se "só o caminho do excesso conduz ao palácio da sabedoria" - como disse o velho místico inglês - então SÓ A LAMA CURA!:

Leve a sua dor para as ruas, seus bares/seus mares, nade com ela no seco por debaixo das mesas, exponha-se, seja a vitrine de suas próprias escoriações, não se envergonhe, molhe o ombro do garçom amigo, derrame uma para o santo e entorne a próxima bagaceira com gosto de sangue e luto.

Esqueça a água imantada da jarra azul, o psiquiatra, o vidrinho dinamizado à milésima potência, o gingko biloba e o acupunturista da esquina: só a lama cura. Se for a metafórica, melhor ainda. E se for guerra de lama metafórica, aí o efeito é imediato.

Eu garanto.

De onde você vem?