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7 de agosto de 2009

Tudo certo com o Kepler

O telescópio espacial Kepler, cujo objetivo é caçar planetas extrasolares rochosos, deu uma amostra de suas capacidades, hoje. Para testá-las, o pessoal da NASA examinou um exoplaneta já conhecido, HAT-P-7b, um “Júpiter quente”. A órbita desse gigante gasoso é tão próxima ao seu sol, que leva apenas 2,2 dias para ser completada. O Kepler conseguiu distinguir algumas coisas sobre a atmosfera do planeta, inclusive sua temperatura diurna: 2377 ºC. Segundo a NASA, essa descoberta “demonstra que Kepler tem a precisão para descobrir planetas do tamanho da Terra”.

Começou a era da caça às outras Terras.

12 de março de 2009

Catálogo de exoplanetas

O De Rerum Natura linkou um catálogo de planetas extrasolares feito pela Sociedade Planetária (sim, aquela, fundada por Carl Sagan, entre outros). Trata-se de uma ferramenta maravilhosa porque é possível comparar facilmente dois planetas, inclusive os do "nosso" sistema solar, em uma infinidade de dados (massa, tamanho, período orbital, data e método de descoberta, etc.).
Cada planeta tem uma animação de sua órbita.
São 335 os exoplanetas no catálogo, 342 os que sabemos existir até a presente data.
Se o número tende a aumentar muito com o Corot (já em atividade) e agora com o lançamento do Kepler, talvez com programas mais sofisticados como o PLATO seja possível começar a juntar evidências para a idéia de que a formação de planetas seja algo inerente ao desenvolvimento das estrelas - se não de todas, pelo menos da maior parte delas. Estou falando de coisas num futuro próximo. Será um privilégio testemunhar essas descobertas. Somos todos uns privilegiados, às vezes.

Concepção artística do exoplaneta HD 189733b, em cuja atmosfera o telescópio espacial Hubble permitiu descobrir a presença de metano, molécula orgânica e tijolo da vida como a conhecemos. Clique aqui para uma versão da imagem em alta resolução.

Créditos da imagem: NASA, ESA, e G. Bacon (STScI).

7 de março de 2009

Como detectar planetas extrasolares

Desde uma inesquecível aula sobre o tema com um astrônomo argentino (de quem, porém, não me lembro o nome) no Observatório Nacional, eu tento explicar para as pessoas - geralmente incautos que não têm a mínima idéia de onde foram se meter - as duas principais formas de se detectar planetas extrasolares, até hoje. A mais compreensível delas é a do trânsito: se dermos sorte e a órbita do planeta estiver horizontalmente orientada para nós, veremos uma diminuição periódica no brilho da estrela observada - eis o planeta. A outra maneira mais usada de detecção usa o Efeito Doppler, mas provavelmente por causa da minha notória incompetência em física, as pessoas nunca parecem entender. É uma pena, embora a explicação também seja razoavelmente simples, e extremamente bonita.

Não, fiquem tranquilos. Não vou aborrecê-los com meu profundo (sic) conhecimento de física teórica. Mas, aproveitando o ensejo do lançamento do telescópio Kepler, que tal saber: como é que uma coisa corriqueira da física como o Efeito Doppler pode nos ajudar a detectar planetas extrasolares? São três vídeos.

Primeiro, o próprio. O que é o Efeito Doppler?




Segundo: o que é o redshift? (Foi com o redshift das galáxias que a teoria do universo inflacionário de Hubble apareceu, mas eu também não consigo ter muito sucesso tentando explicar isso).




Terceiro, e finalmente: como, então, isso tudo é usado para se detectar planetas extrasolares?


Got it?

O melhor de tudo é que, agora que sabe como detectar planetas extrasolares, você vai querer perturbar um monte de incautos por aí com suas explicações. E, talvez, despertar o maravilhamento pela ciência e pelo espaço em algum deles.

PS: Veja também o artigo da Wiki para um panorama geral dos métodos de detecção de planetas extrasolares. A descoberta de planetas orbitando pulsares é, também, uma coisa fantástica, mas o artigo da Wiki deixa a desejar. Melhor, muito melhor, aqui.

Edit: que preguiça! Uma pesquisinha de 5 minutos me deu o nome do astrônomo com quem tive aula: Fernando Roig. Ótimo professor. 
Com Google não existe mais desculpa.

Somnium

Há algumas horas, a Nasa lançou no espaço o telescópio espacial Kepler, que vai observar um campo com mais ou menos 130 mil estrelas em busca de planetas rochosos, parecidos com os do sistema solar, como a Terra ou Vênus. Os primeiros resultados chegam daqui a três meses. Não desgrudem do site oficial. Junto com o Corot, o Kepler será o responsável pela primeira busca sistematizada por planetas rochosos em órbitas habitáveis. Na melhor das hipóteses, a descoberta de planetas extrasolares parecidos com a Terra tenderá a ser corriqueira no noticiário científico dos próximos anos. Na pior, saberemos mais sobre sua raridade e onde tendem a se formar. 
A minha aposta é, claro, que teremos evidências abundantes de uma torrente de planetas extrasolares rochosos no espaço vizinho. Johannes Kepler também apostaria nisso.

De onde você vem?