O que Rossi fala sobre os adolescentes europeus, aqui, vale também para os adultos por volta dos seus trinta anos, aqueles que estão com o mundo nas mãos, moldando-o, fabricando-o neste exato momento. Eu não quero esse mundo pra mim. Eu quero um mundo em que conhecer a realidade seja não apenas possível, mas fundamental. Eu quero um mundo que não sinta incômodo em procurar saber com maior certeza o que é que está por trás de uma doença, o que é que está girando em torno de uma estrela. Quero esmagar a hipocrisia que descarta a importância da tecnologia ao construir seu discurso num monitor de LCD, conectado a uma rede mundial de computadores.
É, não vai ser fácil:
[Os adolescentes] (como sem dúvida ocorre hoje na Europa) crêem de verdade e intensamente no Ocaso da Civilização, identificam a Natureza com a Inocência e teorizam a sua Sacralidade; fazem um uso contínuo e cotidiano de máquinas da mais variada espécie e natureza e ao mesmo tempo detestam tudo o que é artificial, odeiam a indústria, a química, a tecnologia, a modernidade; mostram-se mais sensíveis aos massacres de filhotes de foca do que de crianças africanas ou brasileiras; são hostis ao presente em nome de uma inédita mistura de nostalgia pelo passado e expectativa sobre o futuro; associam, numa alarmante fusão, tradicionalismo de direita e utopismo de esquerda, comportamentos nostálgicos e futurísticos; vêem a Natureza como uma Deusa Amiga e o homem como Inimigo dessa benevolente Divindade; defendem o localismo e zombam do universalismo; aderem enfim (em muitos casos) a posições de radical anti-humanismo sem nunca ter lido nem Spengler nem Heidegger, sem nunca ter ouvido falar deles.