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20 de março de 2010

Toma essa, porcada!

Parmêra 0 x 2 Macaca. Fora o pênalti perdido.

Dois monstros apareceram, de novo, no time da Ponte. O zagueirão Diego e Eduardo Martini, o Gordon Banks brasileiro.

18 de março de 2010

Um golaço (3)

Esse vídeo tem os 3 gols da Ponte, na vitória por 3 a 2 sobre o Atlético Mineiro, no Majestoso, pelo Campeonato Brasileiro de 2000. O terceiro deles é o golaço. Marco Aurélio, do meio de campo. Um detalhe é o estádio pegando fogo, justificando sua fama de caldeirão. É triste comparar La Bananera, por exemplo, com o que vimos ontem.

Esse time jogava muito (tinha Washington e Mineiro: ambos foram chamados para a Seleção, várias vezes) e, em casa, era praticamente imbatível. Acabou caindo no mata-mata contra o Grêmio, graças ao regulamento ridículo da então "Copa João Havelange". Por ter terminado a primeira fase na frente, a Ponte teria que ter a vantagem do empate. E tinha: só que apenas em caso de dois resultados iguais nos dois jogos. O primeiro critério de desempate era a quantidade de gols fora de casa. A Ponte perdeu por 1 a 0 no Olímpico (gol de Ronaldinho, de falta), venceu em Campinas por 2 a 1 e, mesmo com melhor campanha do que o Grêmio, acabou eliminada no 2 a 2 agregado pois tomou um gol em casa.

16 de agosto de 2009

Foda-se o futebol

Entrei em licença-torcedor. Não vou ao campo ver a Ponte. Não assisto jogo de time nenhum na TV.

O futebol aqui no Brasil é uma merda.

Gum é um zagueiro da Ponte. Ainda é, daqui a pouco sai. É um zagueiro bem mediano. Mas “bem mediano” é, para os padrões da Ponte nos últimos cinco anos, um craque. Então, a merda é a seguinte: o Fluminense ficou encantado com o futebol deste Baresi dos trópicos e decidiu levá-lo daqui para a série A, com uma oferta de pagamento em 8 (oito) vezes. Vejam bem, caros 17 milhões de leitores, o Fluminense perguntou se a Ponte aceitava Mastercard, sem juros no cartão ou cheque pré-datado, e a Ponte negou, claro. Mas o Gum ficou tão animadinho com a história toda que forçou a saída. Disse que não tinha mais cabeça para pensar no jogo contra o Bahia. E não jogou mesmo. Voltou para casa antes de todo mundo.

Renato foi um dos melhores jogadores do time vice-campeão paulista em 2008. Jogou um futebolzinho insosso no segundo semestre e acabou sendo negociado com um time da Arábia Saudita. A Ponte cometeu a suprema cagada de aceitar pagamento em três vezes, sem juros. Tomou no nariz. Recebeu a primeira parcela, mas não viu a cor do resto do dinheiro. O contrato de venda previa que o jogador retornaria à Ponte caso o restante do pagamento não se concretizasse. O principal site da torcida até fez um wallpaper meloso, baba-ovo: “Renato, volta, a camisa 10 é sua”. Renato, então, voltou para o Brasil. Para o Grêmio. Andou treinando por lá enquanto um imbróglio jurídico se desenrolava. A justiça trabalhista determinou que Renato voltasse para a Ponte. A CBF obedeceu, a princípio, negando a inscrição do meia(boca) ao Grêmio. Agora, sabe-se lá cedendo a quais pressões políticas, a maldita CBF autorizou a entrada de Renato no time gaúcho. E a Ponte, agora, é quem pode se foder. A coisa é bem conhecida, mas continua absurda: time de futebol nenhum pode recorrer à justiça comum para resolver suas pendengas. Como assim, compadre? Quer dizer que as federações futebolísticas vivem num outro mundinho apartado da nossa realidade? Pelo amor de João Havelange!

Enquanto isso, qualquer bom jogador que aparece no time acaba indo ou pro Corinthians, ou pra algum time da aristocracia ludopédica brasileira. Que são apenas trampolins para a NBA Europa. Os torcedores de time grande sentam em cima da glória de um Campeonato Brasileiro, uma Copa do Brasil, até uma Libertadores, achando que estão curtindo algum tipo de coisa diferente do que quem torce para a Ponte, Guarani, Figueirense, Vila Nova, Remo, Tuna Luso, Íbis. Todo mundo é pária aqui, manés!

A Globo passa jogos do Corinthians em vez das finais da Libertadores, com volume de som editado para a torcida do Timão visitante parecer mais forte, mais louca, mais fiel que as outras. Às vezes, dá atenção a um outro grande, usando os mesmos artifícios para promover a identificação entre o telespectador e o seu time. Os jogadores ficam ouriçadinhas, louquinhas, maluquinhas só de ouvir as propostas do pimps europeus. O próprio Corinthians, que vinha tendo um time interessante de se assistir, um belo acompanhamento para cervejas e pipocas, foi desmontado. Virou uma chatice.

Pior: nem pra secar o Guarani dá mais. Tenho dó, vai perder o estádio, que já foi um belo estádio, patrimônio histórico, e a torcida míngua mais rápido do que a da Ponte. Me peguei pensando que seria muito bom que ambos os times subissem, que ambos estivessem bem. Foi aí que eu percebi que não tinha mais saco para futebol. Não pra esse futebolzinho sem-vergonha aí.

Desisto.

7 de abril de 2009

Vivendo o futebol


O Flávio Gomes escreveu mais um de seus belos textos, ontem. Sobre o futebol, o tempo e um menino chorando:

Ontem fui o mais feliz dos seres humanos a cada gol do meu time, a cada gol do outro, e o pior dos miseráveis quando tudo acabou, quando o futuro chegou. É só um campeonato, uma bola e um gramado, já passou, é passado, mas na hora em que vi esse menino chorando no jornal, a dor voltou para o presente, porque a graça está aí: sorrir, chorar, sorrir, sofrer, e depois esquecer.

Gomes é torcedor da Portuguesa de Desportos, o segundo time de todo paulistano. Como a Ponte, a Lusa sofre com a superexposição dos chamados "times grandes". Como a Ponte, tem um estádio próprio decente (ao contrário de Corinthians e Flamengo). Como a Ponte, tem mais tragédias do que glórias pra contar.

Fiel, meus amigos, é o torcedor que vê o time ficar anos a fio na segunda divisão, ser arrebentado por más administrações, ser solenemente ignorado pela grande mídia e vai ao estádio compartilhar com mais 3 ou 4 mil semelhantes a esperança, a angústia, a dor e a delícia de torcer. Amar o futebol é isso. Me desculpem os meus amigos que torcem pro Corinthians, São Paulo ou Santos. A maioria de vocês, a imensa maioria, não sabe o que é amar e viver o futebol in loco, sem filtros televisivos, sentindo a fugacidade da vida. A vida não tem replay, o golaço ou o frango não vão acontecer de novo.

Ponte e Portuguesa jogavam juntas na última rodada do Paulista. Eu vi o limitado, talvez medíocre time atual da Ponte, que não brigava por mais nada no campeonato, triturar o Santos aqui em Campinas. Mas o futebol é o que é, e vocês sabem o resto da história.

Ponte e Portuguesa têm histórias e torcidas muito parecidas. Torcedores dos times "grandes", vocês não sabem o que é, para um pontepretano ou torcedor da Lusa, comemorar uma ida à final do campeonato, uma mera classificação, ou o rebaixamento do maior rival. Não sabem pois não têm o mesmo laço que tacitamente nos une aos outros presentes no estádio, a noção compartilhada de que não somos muitos mas não somos fracos, todos irmanados pelo amor por um time que dificilmente ganhará campeonatos inteiros mas que se justifica a cada gol, a cada jogada, a cada drible, a cada defesa do goleiro, a cada esperança ilusória acalentada.

No domingo, por 40 minutos tiramos um sarro, com a certeza da vitória que não veio, da cara da torcida do "ê-limina-dô!" Santos. É claro que no fim os babacas fizeram a festa na cabeceira, cantarolaram a usual "não é mole, não; mais de cem anos sem gritar é campeão", ao que a torcida da Ponte sempre mostra indiferença, da mesma forma como eu costumo reagir: "você tem título? enfie no cú". Porque essas coisas não têm nada a ver com viver o futebol em toda a sua fugacidade, sua peculiar paixão efêmera, vibrando e sofrendo, no estádio, com o seu time e seus seletos semelhantes das arquibancadas, fiéis devotos, companheiros eternos até o apito final e a saída do estádio, na derrota ou na vitória, amém.

1 de abril de 2009

Comovente!

Não é primeiro de abril, galinhada:

Porque sete rebaixamentos numa mesma década não é pra qualquer time de Campinas, e nem tudo é possível (*)

Imagem retirada do Planeta Guarani, que já jogou a toalha.

De onde você vem?