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9 de abril de 2009

Gap

Um texto antigo, nunca publicado. De vez em quando me dá um impulso de reescrever as coisas que adoro. Este é um texto secreto, que não podia vir à tona. Como agora me sinto mais à vontade com isso, aqui vai minha interpretação ou releitura de Where I End and You Begin, do (adivinhem) Radiohead.



Há um espaço onde eu termino e você começa. Há um espaço onde termina a interpretação e começa o objeto. E há um pequeno espaço entre mim e o eu-lírico de Where I End and You Begin.

Onde eu termino e você começa há um espaço, uma lacuna, um buraco. Há uma barreira que me impede de tocá-la e de evitar amá-la. Você está quase ao meu alcance, quase. Eu te vejo, observo teus atos, esmiúço teus detalhes. E quando prendo meus olhos aos teus, estou nas nuvens.

Há tempo para evitar o meu fim e o seu começo? Não houve tempo para Thom. Ele foi deixado pra trás, sozinho, enquanto sua vida desmoronava no mar. Thom perdeu o sentido da temporalidade. Ele vê novamente os minutos caindo num instante como grãos em uma ampulheta. Ele vê os milhões de anos disso tudo passando como um raio. Thom está fora do tempo, sua existência não existe. Ele vive tanto quanto um fóssil, o fóssil viveu, Thom viveu, o fóssil vive, qual a diferença entre Thom e um dinossauro?

Eu sou diferente do dinossauro. Eu estou nas nuvens. As nuvens são tudo, as nuvens são eu e você e tudo o mais, o mundo à nossa volta. As nuvens são a realidade da dor e a fantasia do prazer. Eu não consigo me livrar das nuvens. Eu não quero me livrar das nuvens.

O que há no espaço entre a minha experiência que começa e a de Thom, que termina? Essa coisa que queima e se instala em todas as mentes. Essa coisa que nos come inteiros, vivos. Esse desejo mais profundo individualmente personalizado na figura de uma outra pessoa, da qual não mais conseguimos desviar o olhar, as mãos, a boca, o sexo. Essa ilusão enraizada na mais profunda essência dos animais que copulam, essa ilusão que se apodera de nós e nos faz dizer a verdade quando realmente a sentimos, olho no olho, eu te adoro, eu te amo, eu preciso de você.

5 de abril de 2009

O maravilhoso sentimento oceânico (ao ver um megatsunami vindo)

Sit down,
Stand up.

Walk         into the jaws                                            of hell

Anytime
Anytime

Sit down,
Stand up.

We can wipe you out         anytime

Anytime, os genes e os sóis gigantes explodindo em supernova com asteróides excêntricos em órbitas elípticas enquanto líderes obtusos em momentos agudos emergem tripods de uma falha mecânica em plena decolagem do busão sem freio que capota e entra na pista contrária da viagem tranquila de cada um de nós com nossas tromboses coronárias fulminantes, nossos cânceres agressivos, nossas balas e bombas, nossos nine-eleven improváveis, nossos dilúvios, nossos pára-quedas que não abrem justo quando esperamos os raios gama da redenção e do momentâneo-eterno inferno inenarrável da extinção iminente.



23 de março de 2009

Diário, anotações, 22 de março de 2009



(...)

Então eu gritei "PYRAMID SONG!", com a certeza de que nunca seria tocada. Thom Yorke ouviu meu apelo dentre 30 mil pessoas a 50 metros de distância e disse para os roadies: "bring me the piano! Danilo is asking me to play Pyramid Song, let´s do it, Ed". E foi tocada a mais bela Pyramid Song de todos os tempos.

(...)

Foi aí que o palco ficou todo vermelho, como havia ficado todo vermelho em Tóquio antes de que fosse tocada a primeira música do Radiohead que sequestrou meus neurônios. Phil Selway bateu duas vezes nos tons da bateria com aquelas baquetas de ponta gorda. Colin Greenwood deu outra dica tocando aquela linha de baixo e seu irmão Jonny, a da guitarra. E, desde então eu sabia, nada mais poderia impedir que a mais perfeita Optimistic fosse executada.

(...)

A música que começava a sair do violão de Thom Yorke, Exit Music, era a mais inesperada de todas as músicas da noite e a cada segundo dela eu sabia que se produzia um momento inesquecível, particularmente inesquecível, para duas pessoas que se abraçavam e se beijavam em outro plano sem olhar por um segundo sequer para o palco. Everything in its right place, in its right place, in its right place. É, Thom, você tem razão.
(...)
The head of state has called for me by name, but I don´t have time for him. It´s gonna be a glôôooôôoorius daaaay. Está sendo, obrigado. We are standing on the edge, Thom.
(...)
Creep, por fim, me lembrou que o show não era só pra mim e pra ela, mas para outras 29.998 pessoas naquele descampado. O que, também, não deixava de ser lindo.

___


Ah, qual o problema em, por duas horas e meia, ser romântico, sentir-se no centro do mundo? Dizem que Luis XVI, no dia 14 de julho de 1789, escreveu em seu diário: "Nada". Se eu também escrevesse um, registraria lá no dia 22/03/09: "Tudo".

22 de março de 2009

Trechos 4 - Radiohead!

É hoje. Daqui a pouco.

Os cinco vídeos que postei como contagem regressiva para o show de hoje foram retirados da apresentação de 5 de outubro do ano passado, na arena Saitama, em Tóquio. Para quem quiser baixar o show inteiro (4GB), aqui está o link para o torrent. Não é a melhor performance do Radiohead que já vi. Mas é a mais atual e bem gravada.

Antes de ir pro show, deixo a letra de Idioteque que, tenho certeza, vou ouvir lá. Pra mim, nenhuma outra poesia/música captou tanto o mundo quanto essa:

Who's in the bunker? 
Who's in the bunker?
Women and the children first 
And the children first 
And the children 
I laugh until my head comes off 
I swallow till I burst 
Until I burst 
Until I 

Who's in the bunker?
Who's in the bunker?
I have seen too much 
You haven't seen enough 
You haven't seen it 
I laugh until my head comes off 
Women and the children first 
And children first 
And children 

Here I'm allowed
Everything all of the time 
Here I'm allowed
Everything all of the time 

Ice age coming 
Ice age coming
Let me hear both sides 
Let me hear both sides 
Let me hear both 
Ice age coming
Ice age coming 
Throw them in the fire 
Throw them in the fire 
Throw them in the 

We're not scaremongering 
This is really happening 
Happening 
We're not scaremongering 
This is really happening 
Happening 
Mobiles quirking 
Mobiles chirping 
Take the money and run 
Take the money and run 
Take the money 

Here I'm allowed
Everything all of the time 
Here I'm allowed
Everything all of the time

Rádiocabeça 1 - (Optimistic)

This one´s optimistic
This one went to market:

you can try the best you can
if you try the best you can
the best you can is good enough
you can try the best you can
try the best you can
the best you can is good enough





É hoje.

21 de março de 2009

Rádiocabeça 2 - (Arpeggi/Weird Fishes)

Arpegios   ,     in the deepest ocean   ,     the bottom of the sea

.
.
.

                                                    your eyes
                                                       they turn me


É amanhã.

20 de março de 2009

Rádiocabeça 3 - (All I Need)

You´re all I need                                                       You´re all I need

You´re all I need

I´m in the middle of the picture
Lying in the reeds



19 de março de 2009

Rádiocabeça - 4 (Everything in its right place)

everythiiiiiing
everythiiiiiiiiing
everythiiiing
everythiiiiiiiiiiiiiiing 
                                                                                                    
                                                      in its right place
                                          in its right place
                                          in its right place

   yesterday i woke up sucking a lemon

                there are two colours in my head


what. what... what?

what was that you tried to say?



(clique em HD e veja o vídeo em 720p, tela cheia, pra chapar o côco)

18 de março de 2009

Rádiocabeça - 5 (There There)

Cinco músicas para o dia 22 de março de 2009. Uma por dia.

(sugestão: aperte a tecla HD e assista em tela cheia)

There There




in pitch dark
i go walking in
your landscape.
broken branches
trip me as i speak.
just because you feel it
doesnt mean it's there.
just because you feel it
doesnt mean it's there.

there's always a siren
singing you to shipwreck.
(don't reach out, don't reach out)
steer away from these rocks
we'd be a walking disaster.
(don't reach out, don't reach out)
just because you feel it
doesn't mean it's there.
(there's someone on your shoulder)
just because you feel it
doesn't mean it's there.
(there's someone on your shoulder)

there there

why so green and lonely?
heaven sent you to me.

we are accidents
waiting
waiting to happen.
we are accidents
waiting
waiting to happen.

24 de fevereiro de 2009

15 (f*cking) Step

No lugar da batida eletrônica, uns 15 percussionistas. Uma pancada de metais faz as vezes do baixo e do sintetizador. Thom Yorke e Johnny Greenwood no que fazem de melhor.

Eis uma 15 Step fantástica.




Uma versão com áudio (muito) superior pode ser encontrada abaixo - sem o video, porém.



Falta só um mês pro show.

20 de agosto de 2008

Banda do Davi Mateus no Brasil!

Tá certo, a notícia vem com alguns dias de atraso, mas quê importa?

Importa é que a Dave Matthews Band confirmou as datas para tocar aqui no Brasil! 26/9 em Manaus, 28/9 em São Paulo e 30/8 no Rio. 

Tenho sonhado com isso desde 2001.

Será que eu vou ver The Stone ao vivo?



PS: Agora só falta o Radiohead.

12 de junho de 2008

Musa no Brasil!

Declare this an emergency
Come on and spread a sense of urgency
And put us through...


Melhor notícia do ano: dia 31/07 vai ter Muse em São Paulo.

Apocalipse, por favor:



Só falta o Radiohead vir também este ano. Aí é ouvir e morrer. Há!

De onde você vem?