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18 de março de 2010

As Voyager muito perto do espaço interestelar

Este texto é um trecho de uma matéria de Danielle Peck, da BBC, produtora da série Wonders of the Solar System.

Como a tradução é minha, os erros e distorções estão todos por minha conta.

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O vento solar se expande pelo espaço, criando uma vasta bolha que cerca o Sol chamada heliosfera.

Além dela, está o espaço interestelar. Até agora, essa bolha continua sendo em grande parte teórica, mas a humanidade está a um passo de cruzar as fronteiras dessa bolha e deixar para trás o império do Sol.

Mais de 30 anos atrás, as duas espaçonaves Voyager foram lançadas na Grand Tour - uma missão para explorar os planetas externos do Sistema Solar.

Elas passaram por Netuno (agora oficialmente o mais externo dos planetas) em 1989, e continuaram a viajar para longe do Sol a mais de 60.000 km/h desde então.

O cientista Dr. Ed C. Stone tem feito parte do time Voyager desde antes das sondas serem lançadas em 1977.

"Quando eu comecei com a Voyager, minhas duas filhas eram jovens e quando elas entraram na faculdade, nós já tínhamos passado por Saturno no caminho para Urano. Minhas filhas casaram-se e a Voyager continuou indo", diz orgulhosamente Dr. Stone.

"É maravilhoso ser parte de uma missão que ainda está explorando quando já tem 33 anos de existência. Ela ainda está indo onde nenhuma espaçonave foi antes".

A cada ano, as sondas viajam mais do que três vezes a distância entre a Terra e o Sol. Por 33 anos, elas continuam viajando com o vento solar. Elas ainda não deixaram o território do Sol - mas estão chegando perto.

Agora, as sondas estão cerca de 16 bilhões de quilômetros da Terra. A esta distância, suas mensagens demoram 15 horas para chegar até aqui, e recentemente essas mensagens começaram a dizer algo particularmente interessante.

As sondas detectaram uma mudança notável no comportamento do vento solar - os primeiros sinais de que ele está sendo empurrado de volta pelo meio interestelar que permeia a galáxia da Via Láctea.

As sondas Voyager nos contaram que vão, logo, escapar da heliosfera.

Será a primeira vez que um objeto feito pelo homem cruzará a fronteira para o espaço interestelar, mas a heróica jornada das Voyager não acabará aí.

As sondas têm energia suficiente para continuar fazendo algum tipo de trabalho científico pelo menos até 2025. Até lá, nós teremos entrado numa nova era de exploração.

A era da exploração do espaço interestelar.

10 de outubro de 2009

Mensageiro das estrelas


Saiu a edição de outubro da Revista ComCiência, do Labjor/Unicamp e SBPC. E com mais um texto meu. Desta vez, exploro um pouco os significados das observações telescópicas de Galileu Galilei: lá se vão 400 anos desde que o pisano apontou aquela engenhoca óptica pro céu e ajudou a moldar o mundo moderno.

No final do ano de 1609, Galileu Galilei apontou seu rudimentar telescópio para o céu e enxergou o cosmos mais longe e com maior nitidez do que qualquer outro ser humano havia, até então, imaginado. As observações do famoso acadêmico pisano, comunicadas no ano seguinte por seu livro Sidereus nuncius (Mensageiro das estrelas, em tradução livre), causaram uma miríade de reações contraditórias, de surpresa e encantamento a estranhamento e negação. Nos quatrocentos anos seguintes, a ciência se institucionalizou como ferramenta poderosa de conhecimento e intervenção sobre a natureza, a física seguiu a rota dos pioneiros passos do início do século XVII e invadiu as explicações de fenômenos celestes, e a própria atividade de observar os confins do espaço expandiu nosso universo com seguidas revoluções técnicas que culminaram nos atuais telescópios espaciais. Se procurarmos os alicerces desses desenvolvimentos, encontraremos dentre eles os eventos protagonizados por Galileu, suas observações e escritos, cujos significados para a ciência ainda hoje geram controvérsias e debates no meio acadêmico.
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Nesta edição, também, tem um artigo deliciosamente bem escrito por um amigo, Rodolpho Gauthier, único torcedor da Ferroviária de Araraquara (sem contar o roupeiro). Neste artigo, Rodolpho fala um pouco daquilo que é o tema de sua dissertação de mestrado, recém-defendida aqui mesmo na Unicamp: representações de alienígenas e discos voadores na imprensa brasileira do pós-guerra. Ou, na linguagem mais simples e atraente de seu autor, A invenção dos discos voadores. Neste artigo para a ComCiência, Rodolpho se pergunta: por que a crença em alienígenas?

Leituras saborosas, de lunáticos para lunáticos.

5 de outubro de 2009

Does dark matter matter?

Mera hipótese ad hoc?


Um texto, meu, de maio de 2007.

Notícia na Folha, via New Scientist, de hoje.

Existe mais matéria escura entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia, ou nossa vã filosofia ficou gagá de vez?

4 de outubro de 2009

Imortalidade efêmera

Corro pro blog, às moscas, copiar uma passagem de Ptolomeu:

Mortal ainda que eu seja, efêmero, sim, se por um só momento
Ergo meus olhos para o domínio celestial estrelado da noite,
Já na Terra não mais estou; eu toco o Criador,
E meu espírito vivo bebe a imortalidade


Que está página 34 do livro Grandes Debates da Ciência, de Hal Hellman.

31 de agosto de 2009

A ciência segundo Carl Sagan

Este meu artigo foi retirado do ar temporariamente pois utilizei-o como base de meu projeto de mestrado. :)

14 de agosto de 2009

Blast!

Ontem, Stephen Colbert entrevistou o cosmólogo Mark Devlin, com as perguntas cretinas de sempre. À afirmação citada abaixo, no player, Colbert retrucou: podemos dar Viagra à nossa galáxia? Devlin explicou que o Viagra vai vir daqui a alguns bilhões de anos, quando a Via Láctea e Andrômeda colidirão, o que vai despertar um novo frenesi de formação de estrelas (aliás, a cosmologia moderna diz, e o Hubble foi capaz de provar, que colisões de galáxias são coisas corriqueiras).

The Colbert Report Mon - Thurs 11:30pm / 10:30c
Mark Devlin
www.colbertnation.com
Colbert Report Full Episodes Political Humor Meryl Streep

Devlin estrela um documentário sobre o projeto científico que ele próprio encabeça, o BLAST (Balloon-borne Large-Aperture Submillimeter Telescope), que investiga galáxias muito distantes (7-10 bilhões de anos-luz) usando um telescópio levado a altas altitudes por uma espécie de balão meteorológico.

Perdão pelo trocadilho, mas esse documentário deve ser um estouro.

9 de julho de 2009

A "nossa" galáxia

Um comentário: chamamos "isso" de "nosso". Nosso por quê? "Nós" é que somos "disso", e não o contrário.

William Castleman, o autor da sequência, explica:

The time-lapse sequence was taken with the simplest equipment that I brought to the star party. I put the Canon EOS-5D (AA screen modified to record hydrogen alpha at 656 nm) with an EF 15mm f/2.8 lens on a weighted tripod. Exposures were 20 seconds at f/2.8 ISO 1600 followed by 40 second interval. Exposures were controlled by an interval timer shutter release (Canon TC80N3). Power was provided by a Hutech EOS203 12v power adapter run off a 12v deep cycle battery. Large jpg files shot in custom white balance were batch processed in Photoshop (levels, curves, contrast, Noise Ninja noise reduction, resize) and assembled in Quicktime Pro. Editing/assembly was with Sony Vegas Movie Studio 9.

Via Blog do Tas

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