7 de março de 2010

Um dia nas corridas (1)

Comecemos pela mais absurda decisão de título da história.

Pobre Massa.

6 de março de 2010

Clichês

Lendo uma crítica do filme novo do Scorsese, encontrei uma frase do Umberto Eco:
“Two clichés make us laugh but a hundred clichés move us, because we sense dimly that the clichés are talking among themselves, celebrating a reunion."

4 de março de 2010

Um golaço (1)

Faz muito tempo que eu estava tentando reencontrar esse gol. Não lembrava o nome do jogador. Era o genial Matt Le Tissier.



Le Tissier não é um "one hit wonder", não. Ficou a vida toda no Southampton, mas marcou alguns dos gols mais bonitos da história.

Seções

Enquanto engreno o blog aos poucos, vou copiar descaradamente o Pedro Dória (o melhor blogueiro do Brasil, já que o Hermenauta aposentou). Haverá três seções semanais com algum vídeo ou música, com ou sem texto meu, para o caso de eu não ter inspiração ou tempo pra escrever alguma coisa. São elas: "um golaço" às quintas, "um dia nas corridas" aos domingos e "uma noite na ópera" às terças.

O Dória coloca estantes bizarras e mulheres nuas semanalmente. Mas ele tem grana pra sonhar com estantes e não deve ter uma mulher brava em casa.

ComCiência, update de fevereiro

Tinha me esquecido de colocar os links para a edição de fevereiro da Revista ComCiência, do Labjor/Unicamp. Dessa vez, o dossiê aborda a Aprendizagem Baseada em Problemas, ou Problem-Based Learning (você encontrará muita informação sobre isso com a sigla PBL).

Como sou um cara desconfiado, no momento em que ouvi falar do assunto já me veio à cabeça algumas coisas relacionadas à palavra moda. Cá entre nós, em algumas áreas, o PBL me pareceu um ritual de como domesticar futuras oferendas de sacrifício ao Deus Mercado. Sabe como é, precisamos formar sujeitos pró-ativos, menos teóricos e mais práticos, blá, blá, blá.

Não por acaso, meu texto acabou saindo bem mais crítico do que a média da edição.
Semana que vem sai o dossiê Ciência e Música. Bem mais interessante, não é?

3 de março de 2010

Olá!

A quem interessar, este blog está de volta. O intuito é, como sempre, falar sobre tudo e nada ao mesmo tempo. E apenas quando der na telha - só pra desopilar o fígado, como se diz.


20 de dezembro de 2009

ComCiência, outro update

Esqueci de deixar por aqui os links para a revista ComCiência deste mês de dezembro.

Trata-se de uma reedição do dossiê de maio, dedicado a Claude Lévi-Strauss, com alguns plus a mais, como diria o outro. Os tais bônus são uma ótima matéria da Fernanda Vasconcelos sobre a repercussão da morte do Lévi-Strauss na mídia, e mais duas colaborações minhas (além da matéria para a edição original): a resenha do excelente livro-entrevista “De Perto e de Longe” e uma entrevista com o José Carlos Reis, que se dedica à história da história, e já havia parado pra discutir o impacto do estruturalismo de Lévi-Strauss na historiografia.

Se alguém quiser comentar algo sobre essa edição da revista, a caixa de comentários deste post está disponível.

Calorosos abraços a todos os (ex-)amigos e ex-leitores do blog!

7 de dezembro de 2009

Lévi-Strauss e a descrença, o mistério, e a ciência

Com licença, outra interrupção na hibernação.

Às vezes, alguém diz uma coisa que nos parece uma maravilha porque é uma novidade ou uma maneira original de encarar um antigo problema, com a qual jamais havíamos nos deparado.

Noutras, palavras ditas por outros caem maravilhosamente nos nossos ouvidos porque expressam exatamente uma convicção que consideramos muito pessoal, muito nossa. Não é novidade, não consideramos aquilo original. É a satisfação da identificação plena.

Tive que transcrever aqui um exemplo do segundo caso, que li na página 16 de “De Perto e de Longe”, livro que é uma entrevista de Claude Lévi-Strauss com Didier Eribon.

O senhor nunca foi perturbado pelo sentimento religioso?

Se por religião você entende uma relação com um Deus pessoal, nunca.

Esta descrença desempenhou um papel na sua evolução intelectual?

Não sei. Na adolescência, eu era muito intolerante quanto a esse assunto; hoje, depois de ter estudado e ensinado história das religiões – todos os tipos de religião – tornei-me mais reverente do que quando tinha dezoito ou vinte anos. E depois, mesmo continuando surdo às respostas religiosas, cada vez mais sou invadido pelo sentimento de que o cosmos e o lugar do homem no universo ultrapassam e ultrapassarão sempre nossa compreensão. Acontece que me entendo melhor com os crentes do que com os racionalistas empedernidos. Pelo menos os primeiros têm o sentido do mistério. Um mistério que, a meu ver, o pensamento parece constitucionalmente incapaz de resolver. É preciso contentar-se com as mordidelas infatigáveis que o conhecimento científico dá em suas bordas. Mas eu não conheço nada mais estimulante, mais enriquecedor para o espírito, do que tentar seguir esse processo – como profano; permanecendo consciente de que cada avanço faz surgir novos problemas, e de que a tarefa não tem fim.

12 de novembro de 2009

ComCiência, update

A Revista ComCiência está com nova edição. Link direto pro meu texto, a quem interessar, aqui.

O mundo inteiro sabe e até já deve ter esquecido que o Lévi-Strauss foi dessa pruma melhor. Está prevista uma edição especial sobre ele para o mês que vem. Será uma reedição do especial de maio, com alguns bônus. Vai pintar por lá, ao que tudo indica, uma entrevista que fiz com o historiador José Carlos Reis. Provavelmente, faço também uma resenha de alguma obra do Lévi-Strauss. Passo o link aqui, quando sair.

Vou voltar pra caverna. See ya.

25 de outubro de 2009

Tchau

Este blog entrará em hibernação por tempo indefinido. Talvez por eras e eras geológicas. Ou pra sempre.

10 de outubro de 2009

Mensageiro das estrelas


Saiu a edição de outubro da Revista ComCiência, do Labjor/Unicamp e SBPC. E com mais um texto meu. Desta vez, exploro um pouco os significados das observações telescópicas de Galileu Galilei: lá se vão 400 anos desde que o pisano apontou aquela engenhoca óptica pro céu e ajudou a moldar o mundo moderno.

No final do ano de 1609, Galileu Galilei apontou seu rudimentar telescópio para o céu e enxergou o cosmos mais longe e com maior nitidez do que qualquer outro ser humano havia, até então, imaginado. As observações do famoso acadêmico pisano, comunicadas no ano seguinte por seu livro Sidereus nuncius (Mensageiro das estrelas, em tradução livre), causaram uma miríade de reações contraditórias, de surpresa e encantamento a estranhamento e negação. Nos quatrocentos anos seguintes, a ciência se institucionalizou como ferramenta poderosa de conhecimento e intervenção sobre a natureza, a física seguiu a rota dos pioneiros passos do início do século XVII e invadiu as explicações de fenômenos celestes, e a própria atividade de observar os confins do espaço expandiu nosso universo com seguidas revoluções técnicas que culminaram nos atuais telescópios espaciais. Se procurarmos os alicerces desses desenvolvimentos, encontraremos dentre eles os eventos protagonizados por Galileu, suas observações e escritos, cujos significados para a ciência ainda hoje geram controvérsias e debates no meio acadêmico.
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Nesta edição, também, tem um artigo deliciosamente bem escrito por um amigo, Rodolpho Gauthier, único torcedor da Ferroviária de Araraquara (sem contar o roupeiro). Neste artigo, Rodolpho fala um pouco daquilo que é o tema de sua dissertação de mestrado, recém-defendida aqui mesmo na Unicamp: representações de alienígenas e discos voadores na imprensa brasileira do pós-guerra. Ou, na linguagem mais simples e atraente de seu autor, A invenção dos discos voadores. Neste artigo para a ComCiência, Rodolpho se pergunta: por que a crença em alienígenas?

Leituras saborosas, de lunáticos para lunáticos.

5 de outubro de 2009

Does dark matter matter?

Mera hipótese ad hoc?


Um texto, meu, de maio de 2007.

Notícia na Folha, via New Scientist, de hoje.

Existe mais matéria escura entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia, ou nossa vã filosofia ficou gagá de vez?

4 de outubro de 2009

Imortalidade efêmera

Corro pro blog, às moscas, copiar uma passagem de Ptolomeu:

Mortal ainda que eu seja, efêmero, sim, se por um só momento
Ergo meus olhos para o domínio celestial estrelado da noite,
Já na Terra não mais estou; eu toco o Criador,
E meu espírito vivo bebe a imortalidade


Que está página 34 do livro Grandes Debates da Ciência, de Hal Hellman.

25 de setembro de 2009

O Pelé já está de olho

Segundo reportagem de Eduardo Arruda na Folha de hoje, o governo federal pretende criar um benefício previdenciário para os jogadores de futebol campeões em Copas do Mundo. O valor será, aproximadamente, de dez salários mínimos (teto da previdência) e beneficiará, de início, os ex-jogadores (e famílias) da Copa de 1958. Discute-se se o benefício poderá ser dado no cinquentenário de cada conquista.

Se for verdade, é uma das piores decisões de Lula nos seus quase oito anos de mandato – dessas que decepcionam profundamente. Quase gratuitamente, o governo arranha sua bem construida imagem de responsabilidade no trato com a coisa pública e dá de bandeja uma oportunidade para que tucanos e democratas (sic) bradem a plenos pulmões que o governo é assistencialista, que o estado está virando um elefante, enfim, que entoem em coro a cantilena liberal que todo mundo conhece bem.

Seja você liberal ou não, deve-se reconhecer que a coisa é um disparate. Tem que haver um bom motivo pra engordar os gastos da previdência social. Muita gente pode argumentar, com razão, que ganhar uma Copa do Mundo não torna esses cidadãos mais especiais do que o meu ou o seu avô. Não perante o estado. Não para receber uma polpuda aposentadoria enquanto a maior parte dos velhinhos vive com a miséria de um salário mínimo.

O problema, contudo, não é tão simples.

O futebol está profundamente enraizado na cultura brasileira e, por isso, não se deve subestimar o valor que os grandes jogadores têm para boa parte da nossa população. Isso basta para rebater quem venha com o argumento preconceituoso de que esses cidadãos foram apenas jogadores de futebol. Aliás, não vou ficar repetindo velhos bordões – verdadeiros, é verdade – sobre o fato de que o futebol move e comove milhões, que seus herois são herois de fato pois povoam o nosso imaginário, brilham em nossos sonhos, nos dão 90 minutos de sentido e costumam tornar essa nossa existência sem nexo em algo tolerável. De fato, muitos ídolos que viveram o auge esportivo numa época em que o futebol não era sinônimo de milhões na conta bancária merecem ter cuidados e consideração social que não vêm recebendo. Não devem ser jogados às traças, esquecidos, experimentando a decadência física, o ocaso da vida, ao mesmo tempo em que testemunham o esquecimento de quem são, de quem foram, de como gostariam de ser lembrados. É uma dupla morte. Se temos alguma consideração por essas pessoas, precisamos evitar que isso ocorra.

O que torna esse benefício um verdadeiro absurdo, no entanto, não é apenas o fato de que o estado está assumindo para si uma atribuição que deve ser da sociedade (cuidar de seus herois). Mais do que uma categoria privilegiada de cidadãos, o estado está criando uma categoria privilegiada de herois. A começar dentro do próprio futebol: o que dizer de todos aqueles craques que marcaram a história do futebol brasileiro mas que - por ironias do destino que a seleção de 1982 conhece muito bem - não conseguiram conquistar aquele pequeno torneio de meia dúzia de jogos? Nessa categoria temos lendas como Domingos da Guia e Leônidas da Silva. O que dizer de Canhoteiro e Julinho Botelho, craques que não acabaram indo para a Suécia em 58? As famílias dessas pessoas, mencionadas no mesmíssimo fôlego dos campeões daquela Copa, não merecem o mesmo benefício do estado, caso seja concedido? O que dizer, então, de outros esportistas historicamente importantes? Maria Esther Bueno, a família de João do Pulo e de Adhemar Ferreira da Silva também devem receber uma aposentadoria? Por que não, então, amparar também antigos artistas esquecidos? É óbvio que não estou defendendo que o estado deveria amparar todo ex-boleiro ou esportista ou artista abandonado. É o contrário.

Que se traga para discussão o desamparo, ótimo. Que se chame a atenção para esse problema, que o estado tome iniciativas para ajudar a lembrar dos herois esquecidos e tome parte em campanhas para arrecadar ajuda, nada a reclamar. Que o estado chame para si toda essa responsabilidade, e arcando com ela com o meu e o seu dinheiro, isso é censurável. Que se transforme esse dinheiro, pelo menos, em Bolsa Família.

Se esse tipo de coisa passar, imagine você, em 2044 vamos começar a sustentar o Mauro Silva, o Dunga, o Jorginho, o Mazinho, o Taffarel. Ah, não! Seria melhor dar toda a grana pro Baggio, logo.

17 de setembro de 2009

O narcisismo, por Contardo Calligaris

Contardo Calligaris na Folha de hoje (continua aberta a nova versão digital do jornal):

[…] o uso do não e do sim permitem o diálogo humano. Mas é um diálogo que (sejamos otimistas) nem sempre tem a ver com as questões que estão sendo discutidas: ele tem mais a ver com uma necessidade subjetiva: digo “não” para me separar do outro ou digo “sim” para obter dele um olhar agradecido. Nos dois casos, tento apenas alimentar a ilusão de que existo.

De onde você vem?