19 de março de 2009

Rádiocabeça - 4 (Everything in its right place)

everythiiiiiing
everythiiiiiiiiing
everythiiiing
everythiiiiiiiiiiiiiiing 
                                                                                                    
                                                      in its right place
                                          in its right place
                                          in its right place

   yesterday i woke up sucking a lemon

                there are two colours in my head


what. what... what?

what was that you tried to say?



(clique em HD e veja o vídeo em 720p, tela cheia, pra chapar o côco)

18 de março de 2009

Rádiocabeça - 5 (There There)

Cinco músicas para o dia 22 de março de 2009. Uma por dia.

(sugestão: aperte a tecla HD e assista em tela cheia)

There There




in pitch dark
i go walking in
your landscape.
broken branches
trip me as i speak.
just because you feel it
doesnt mean it's there.
just because you feel it
doesnt mean it's there.

there's always a siren
singing you to shipwreck.
(don't reach out, don't reach out)
steer away from these rocks
we'd be a walking disaster.
(don't reach out, don't reach out)
just because you feel it
doesn't mean it's there.
(there's someone on your shoulder)
just because you feel it
doesn't mean it's there.
(there's someone on your shoulder)

there there

why so green and lonely?
heaven sent you to me.

we are accidents
waiting
waiting to happen.
we are accidents
waiting
waiting to happen.

15 de março de 2009

Hora do pesadelo

Apreciem uma originalíssima mistura de filme russo antigo sci-fi trash, animação e CGI em forma de videoclipe. Os soviéticos têm uma arma bioquímica nas mãos e não estão com medo de usá-la! Eis o clipaço novo do Metallica:


Metallica - All Nightmare Long
Go, go, go CCCP! Por essa você não esperava, Robert Macnamara!

Dois comentários:
1. A música é uma das melhores do Death Magnetic. Os riffs, as palhetadas, o vocal agressivo, o solo rápido, a bateria frenética, tudo nela é tradicional. O nome e a letra são ainda mais explícitos nessa busca pelas raízes: como reconhece o próprio James Hetfield, tenta-se resgatar as referências à mitologia do escritor H.P. Lovecraft, o papa das bandas de metal dos anos 80. Mas, inexplicavelmente, há algo que cheira a novidade. Talvez seja uma forma nova, original, de usar os clichês. Não é autoparódia, também não é mera autoreferência: é alguma outra coisa. O vídeo não poderia ser melhor tradução da música. Sensacional.
2. O final é genial. É como se REC tivesse sido gravado há 50 anos.
3. A representação da ciência e dos cientistas no vídeo é a reprodução de um dos lados dessa moeda durante a Guerra Fria: cientistas frios, cínicos, servos do complexo industrial-militar; a ciência é um cavaleiro do apocalipse. Alguém aí conhece obras relacionadas ou específicas sobre (história das) representações de ciência na arte russa ou americana durante a Guerra Fria? Por favor, quem souber, me dê dicas nos comentários.

Ciência por quê?

Dica de Carlos Fiolhais, do De Rerum Natura:


Why is Science Important? from Alom Shaha on Vimeo.

É um trabalho muito bem feito de divulgação científica. Alom Shaha, professor de ciências, ouviu diversos cientistas para tentar responder à questão que dá nome ao pequeno filme. De todas as respostas (que se complementam sem problemas), a do astrônomo Seth Shostak me soou especialmente simples, profunda e inteligente. Em tradução livre, fica mais ou menos assim:

A ciência é, simplesmente, nosso futuro. A maioria das pessoas pensa na ciência como aquilo que torna possível uma vida melhor. Ela certamente cumpre esse papel. Mas a ciência pode nos proporcionar mais do que la dolce vita. Ela pode transformar um acidente da evolução num pequeno planeta rochoso em um fato significativo do universo.

A última frase é lapidar, e não por acidente: Shostak é pesquisador do programa SETI, na Califórnia.

Estoque de embustes


Vocês que gostam de automobilismo de verdade vão rir pra não chorar. No seu (fraquinho) blog Voando Baixo, Rafael Lopes descreve como será a abertura da Stock este ano:

"A primeira corrida, no dia 29 de março, será disputada normalmente, inclusive com pit stop, até os 10 minutos finais, quando deverá começar a transmissão ao vivo da Rede Globo. Então, entrará o safety car (nesse caso, não será safety car, e sim pace car) na pista, todos os pilotos serão agrupados e será dada a bandeira verde."

WTF?

Rafael é empregado da Globo. Como ele repercute a própria notícia? "Será que a tática correta será economizar os pneus trocados durante o pit stop? E como fazê-lo sem perder posições? Uma nova variável no jogo tático..."

Haaaaaja coração!

via Blog do Gomes

PS: Por trás da Stock (ou Estoque, segundo o Flávio Gomes) estão os equívocos da CBA e os interesses da Globo que acabaram por quebrar o automobilismo de monopostos aqui no Brasil. Restou esse arremedo de categoria, depósito de refugos de carreira internacional, anabolizada por fabricantes farmacêuticos. As montadoras participam da brincadeira só de mentirinha. Por fora, os carros parecem diferentes: Chevrolets, Peugeots, Mitsubishis. São todos a mesma coisa, o mesmíssimo carro. Tudo é padronizado. As possibilidades de inovação são nulas e de acertos, limitadas.

A Stock é uma farsa. Nada mais significativo, portanto, do que esse reagrupamento para 10 minutos de TV ao vivo. Ou melhor, tem algo mais significativo do que isso, sim: o relatório de retorno de mídia da categoria, do ano passado. Confiram, por favor (tempo estimado de leitura: 0,171 segundos). Leram? Pois é. E o site oficial da Globo/Stock ainda disse que "essas e outras análises estão detalhadas no Retorno de Mídia 2008". Qual é a palavra mais engraçada dessa frase? "Essas", "outras", "análises" ou "detalhadas"?

Investidores, querem recuperar as perdas com a crise? Invistam na Stock. La garantia soy jo.

14 de março de 2009

Mas o sangue anda solto, manchando os papéis, documentos fiéis, ao descanso do patrão

Lei, Ordem e Progresso


Você viu Tropa de Elite? No cinema, todo mundo aplaudiu o Bope. Bandido bom é bandido morto! 
A solução para as drogas são leis mais duras. Maconheiro tem que ir em cana. Deus me livre meu filho se envolver com tóchico!
Tem bandido por aí porque as leis são muito brandas e a polícia é muito mole. Cadê a pena de morte? Cadê a prisão perpétua? Bom era o tempo do Coronel Ubiratan!
Os defensores dos "direitos humanos" se preocupam com bandidos. E os direitos humanos das vítimas?
Esses sem-terra são tudo um bando de vagabundo. Você viu que tem gente no MST que tem casa e carro? Como pode? Depois reclamam quando morre um ou outro invadindo a terra dos outros.
Esse país é uma vergonha mesmo. Só tem político corrupto! É mensalão, é dossiê...
Olha, pegaram um banqueiro envolvido com corrupção! Mas, também, que exagero... precisava algemar assim, fazer esse espetáculo todo? Essa polícia federal só quer holofote, viu!
Olha lá, mais um escândalo: o tal do delegado que prendeu o banqueiro parece que bisbilhotou meio mundo. Esse cara é perigoso! A gente corre o risco de viver num estado policial, uma nova ditadura! Ditabranda? (risos) Não, é sério. O delegado usou agentes secretos da Abin pra monitorar um monte de gente inocente. Onde isso vai parar? É dólar de Cuba, é espionagem, é conselho de imprensa... daqui a pouco taí o comunismo, confiscam a empresa, os carros...
Alá: o delegado fez o que fez a mando da presidência! Eu sabia que tinha o dedinho do Lula no meio (risos).
Aliás, a Veja dessa semana chegou? Quero ver o que o Reinaldo Azevedo tem a dizer.
O que? Ah, não se preocupe. Já disse que o contador vai dar um jeitinho na declaração esse ano. Todo mundo faz isso... além do mais, a gente já paga imposto demais!

13 de março de 2009

O Iluminado

Rubens Barrichello fez o melhor tempo dos testes com o velotrol da BrawnGP

Sempre torci pelo Barrichello. Nunca deixei de achar que ele era melhor do que Mika Hakkinen ou Jacques Villeneuve, dois campeões da era Schumacher a bordo de foguetes muito melhores que a concorrência. Foi, fácil, o melhor e mais talentoso companheiro de equipe que o alemão teve. Ganhou algumas corridas fantásticas, deu show em algumas outras em que não venceu. A maioria das vezes, se destacou na chuva. A chuva separa os bons dos excelentes.
Quem é aficionado sabe que Rubens Barrichello é um excelente piloto de Fórmula 1. Mas sabe, também, que ele tem a boca mais mole do que pneu de classificação e um péssimo senso estratégico com relação a sua imagem. Não parece ser um cara inteligente. Erra mais fora das pistas do que dentro. Sua lista de erros é extensa.
Quando Senna morreu, o então Rubinho sujeitou-se a carregar a cruz de redentor do povo brasileiro sobre quatro rodas. Sabia que era uma forma de monopolizar a atenção da Globo mídia, buscar patrocinadores fortes, conseguir vaga nas grandes equipes. Só não parecia saber que o risco de o tiro sair pela culatra era enorme. Um piloto esperto, na situação em que Rubens se encontrava (início de carreira numa equipe mediana), jamais aceitaria o peso colossal de sucessor de Senna. Um Piquet pai, por exemplo, despistaria sem deixar dúvidas a responsabilidade de carregar a tocha de um semi-deus morto. Era óbvio que a pressão por resultados iria cobrar a dívida com juros exorbitantes, especialmente quando se promete lutar por vitórias com uma Jordan.
Alguns anos como alvo da chacota nacional não pareceram ter efeito sobre o bocamolismo barrichelliano. Quando foi escolhido, com muita justiça e atraso, para ser o companheiro de Schumacher na Ferrari, Rubens soltou uma de suas maiores pérolas: "não sou o piloto número 2, sou o piloto 1-B". Foram ao todo seis anos à sombra do companheiro de equipe, exceto por um curto período de tempo em 2002 quando, familiarizado com a equipe, pareceu dar mostras de que poderia ser competitivo contra Schumacher. Então, a Ferrari tratou de mostrar ao mundo - numa situação em que qualquer um pegaria o boné, daria tchau e bença - que nº 2 ou nº 1-b, Barrichello estava abaixo na hierarquia de qualquer forma, e assim permaneceria até sair da equipe.
A falta de sensibilidade e cuidado com o que vai-se dizer para jornalistas continuou uma regra na carreira de Rubens. Em 2006, foi buscar novos ares na Honda. Nos testes de inverno, quando ele e Button viraram tempos competitivos e parecia que os japoneses iriam cumprir o projeto de uma equipe vencedora, o boca-mole mais uma vez não aguentou e soltou, para todos os microfones: "estaremos no topo". Como se fosse punição sobrenatural pelo otimismo exacerbado, propagado aos quatro ventos, terminou a temporada na sétima colocação, com 30 pontos, pouco mais da metade do que conseguiu seu companheiro de equipe. Nos dois anos seguintes, amargou o fundo do grid com carros de rendimento bisonho.
A carreira de Barrichello esteve liquidada desde o final do ano passado. Não haveria espaço para ele num grid de Fórmula 1 em 2009, nem na Honda, nem em nenhuma outra equipe. Mas veio a crise econômica. A Honda, que testava Bruno Senna e Lucas di Grassi para o próximo ano - fecharia com o primeiro - saiu de cena em 2008 e foi comprada por Ross Brawn, que trabalhou com Rubens desde os tempos de Ferrari e sabe que, neste momento, a nova equipe precisa mais de um piloto experiente do que de um estreante. Enquanto o mundo quebrou, Rubens ganhou uma sobrevida.
A BrawnGP foi a última a aprontar o carro para a temporada que começa daqui a pouco, dia 29 de março. Carenagem branca, vazia de patrocínios, a sensação ao olhar para as fotos do carro é a do improviso. Mas como diz o outro, o mundo dá voltas, e os melhores tempos dos testes de inverno em Barcelona é, quem diria, da improvisada Brawn. Do dia para a noite, Barrichello deixou de ter que agradecer ao Deus Mercado pelas bagunças que lhe garantiram um lugar no grid para virar um dos mais sérios candidatos a vitórias. Comecei a pensar que não seria nada mal se Rubens tivesse uma temporada verdadeiramente redentora, vencendo algumas corridas, quem sabe lutando pelo título e, por que não, sendo campeão em seu último ano de Fórmula 1. Capacidade ele tem e seria o cala-boca máximo a quem o ridicularizou a carreira toda. Torceria muito por isso. Ontem, Rubens fez o melhor tempo novamente, e disparado. O único senão é que o jogo ainda nem começou. E, claro, depois do susto de quase ter sido aposentado à força espera-se o comedimento, a prudência e a humildade nas declarações de Rubens Barrichello, não é?
Depois do treino, Rubens disse: "Eu sou iluminado, sempre fui iluminado".
Tomara que se lasque.

12 de março de 2009

Catálogo de exoplanetas

O De Rerum Natura linkou um catálogo de planetas extrasolares feito pela Sociedade Planetária (sim, aquela, fundada por Carl Sagan, entre outros). Trata-se de uma ferramenta maravilhosa porque é possível comparar facilmente dois planetas, inclusive os do "nosso" sistema solar, em uma infinidade de dados (massa, tamanho, período orbital, data e método de descoberta, etc.).
Cada planeta tem uma animação de sua órbita.
São 335 os exoplanetas no catálogo, 342 os que sabemos existir até a presente data.
Se o número tende a aumentar muito com o Corot (já em atividade) e agora com o lançamento do Kepler, talvez com programas mais sofisticados como o PLATO seja possível começar a juntar evidências para a idéia de que a formação de planetas seja algo inerente ao desenvolvimento das estrelas - se não de todas, pelo menos da maior parte delas. Estou falando de coisas num futuro próximo. Será um privilégio testemunhar essas descobertas. Somos todos uns privilegiados, às vezes.

Concepção artística do exoplaneta HD 189733b, em cuja atmosfera o telescópio espacial Hubble permitiu descobrir a presença de metano, molécula orgânica e tijolo da vida como a conhecemos. Clique aqui para uma versão da imagem em alta resolução.

Créditos da imagem: NASA, ESA, e G. Bacon (STScI).

11 de março de 2009

A small victory

Me inscrevi na seleção de pós-graduação em jornalismo científico do Labjor, da Unicamp, com aquele artigo improvisado sobre C&T. Depois de provas e entrevista, passei.

Isso quer dizer que, em breve, pode ser que eu faça o caminho inverso à tendência: do blog à publicação formal. Who knows? E o blog, talvez, fique menos errático.

Tinha me esquecido, aliás, de como é bom ser aprovado em alguma coisa. Fazia muito tempo que não prestava qualquer tipo de seleção, tirando o último concurso em que fiquei em 17º, mas que valia 10 vagas (argh!). É óbvio, mas é verdade: tem que dar a cara a tapa. Não sei que parte de "o pior que pode acontecer é não passar" eu não havia entendido. Como isso atrasa a vida! Tem o mestrado no fim do ano. Simbora.

10 de março de 2009

Está valendo!

olho no lance:
foi foi foi foi foi foi foi foi foi foi foi foi ELE!
OBAMA!
o CRAQUE da Casa Branca!
ela foi lá,
balançou o mato no fundo do gol da direita religiosa!
quando eram jogados, redondos, 50 dias de governo!
encha o peito, solte o grito da garganta e confira comigo no replay:





9 de março de 2009

O dia em que torci pro Corinthians

Ou O Curioso Caso de Ronaldo Nazário.


Créditos da imagem: Nelson Coelho, Diário de S. Paulo

7 de março de 2009

Como detectar planetas extrasolares

Desde uma inesquecível aula sobre o tema com um astrônomo argentino (de quem, porém, não me lembro o nome) no Observatório Nacional, eu tento explicar para as pessoas - geralmente incautos que não têm a mínima idéia de onde foram se meter - as duas principais formas de se detectar planetas extrasolares, até hoje. A mais compreensível delas é a do trânsito: se dermos sorte e a órbita do planeta estiver horizontalmente orientada para nós, veremos uma diminuição periódica no brilho da estrela observada - eis o planeta. A outra maneira mais usada de detecção usa o Efeito Doppler, mas provavelmente por causa da minha notória incompetência em física, as pessoas nunca parecem entender. É uma pena, embora a explicação também seja razoavelmente simples, e extremamente bonita.

Não, fiquem tranquilos. Não vou aborrecê-los com meu profundo (sic) conhecimento de física teórica. Mas, aproveitando o ensejo do lançamento do telescópio Kepler, que tal saber: como é que uma coisa corriqueira da física como o Efeito Doppler pode nos ajudar a detectar planetas extrasolares? São três vídeos.

Primeiro, o próprio. O que é o Efeito Doppler?




Segundo: o que é o redshift? (Foi com o redshift das galáxias que a teoria do universo inflacionário de Hubble apareceu, mas eu também não consigo ter muito sucesso tentando explicar isso).




Terceiro, e finalmente: como, então, isso tudo é usado para se detectar planetas extrasolares?


Got it?

O melhor de tudo é que, agora que sabe como detectar planetas extrasolares, você vai querer perturbar um monte de incautos por aí com suas explicações. E, talvez, despertar o maravilhamento pela ciência e pelo espaço em algum deles.

PS: Veja também o artigo da Wiki para um panorama geral dos métodos de detecção de planetas extrasolares. A descoberta de planetas orbitando pulsares é, também, uma coisa fantástica, mas o artigo da Wiki deixa a desejar. Melhor, muito melhor, aqui.

Edit: que preguiça! Uma pesquisinha de 5 minutos me deu o nome do astrônomo com quem tive aula: Fernando Roig. Ótimo professor. 
Com Google não existe mais desculpa.

Somnium

Há algumas horas, a Nasa lançou no espaço o telescópio espacial Kepler, que vai observar um campo com mais ou menos 130 mil estrelas em busca de planetas rochosos, parecidos com os do sistema solar, como a Terra ou Vênus. Os primeiros resultados chegam daqui a três meses. Não desgrudem do site oficial. Junto com o Corot, o Kepler será o responsável pela primeira busca sistematizada por planetas rochosos em órbitas habitáveis. Na melhor das hipóteses, a descoberta de planetas extrasolares parecidos com a Terra tenderá a ser corriqueira no noticiário científico dos próximos anos. Na pior, saberemos mais sobre sua raridade e onde tendem a se formar. 
A minha aposta é, claro, que teremos evidências abundantes de uma torrente de planetas extrasolares rochosos no espaço vizinho. Johannes Kepler também apostaria nisso.

4 de março de 2009

Distância - trechos 3 (Hemingway e as touradas)


Carlo Ginzburg, um intelectual, historiador, de cujos ensaios gosto muito, publicou há alguns anos uma coletânea deles em Olhos de Madeira. Todos os nove ensaios do livro tratam de um problema que atravessa literatura e epistemologia: o distanciamento. Trata-se de um problemaço sem solução à vista, mas que vale à pena encarar. Ele inspira tanto estes comentários, quanto a seleção do trecho de O Sol Também se Levanta, de Ernest Hemingway, mais abaixo.
Visões canônicas de ciência e filosofia indicam que o conhecimento deve ser objetivo, isto é, resultar da análise livre das vontades e paixões que o distorcem. Ser objetivo é distanciar-se do objeto, apagar as familiaridades para que se possa conhecê-lo e não ser inteiramente tragado por ele. Na literatura, a distância aparece como procedimento que oculta da descrição aquilo que é óbvio, tacitamente aceito, que dá sentido a algo. O intuito está próximo da objetividade epistemológica: desnudar a realidade e encará-la criticamente.
Assim, um belo filé de pintado pode muito bem ser descrito como "cadáver de peixe". Ou, como conta minha prima, no bandeijão da Unicamp, carne moída é "boi ralado". Quem nunca ouviu aqueles chatos que não gostam de futebol dizer que não são chegados a "ver um monte de homem correndo atrás de uma bola" ou mulheres avessas às corridas de carro afirmarem jocosamente que não entendem como alguém pode gostar de assistir "aquele monte de carro dando um monte de volta pra terminar no mesmo lugar"? Todas elas são descrições aparentemente e propositalmente descabidas, mas têm uma razão muito clara de existir.
Desqualificar, retirar as qualidades tacitamente aceitas, é uma forma de racionalização válida. A deserção da Honda, que pegou o mundo da Fórmula 1 de surpresa, tem motivações frias, distantes e compreensíveis no cenário de crise internacional. Mas foi uma decisão odiosa, para mim. Eu gosto de Fórmula 1. Tanto quanto gosto de futebol. Paguei 30 reais para assistir ao dérbi. Por mais que eu veja verdade em "um bando de homens correndo atrás de uma bola", esta descrição simplesmente não é suficiente para entender e explicar minha experiência na platéia daquele jogo.
Um ser humano apaixonado aceitaria que sexo é "esfregação de uma víscera e secreção de muco acompanhadas de espasmo"? Meu pai tem um adesivo da Ponte, que ganhou de uma namorada, em que se diz: "Paixão não se explica, se vive". Por mais que algumas circunstâncias tenham me impelido a explicar minhas paixões - "por que você torce pra Ponte Preta?" é a segunda pergunta que mais ouço e odeio ouvir (a primeira é a célebre "tá bom, mas pra qual time grande você torce?") -, qualquer justificativa está além da minha capacidade de racionalização, e começo a achar que a ingênua frase de porta de geladeira pode colocar sérias barreiras para o distanciamento como supremo dispositivo de desnudamento da realidade.
Penso nas touradas. Sempre me pareceram algo abjeto, horrível, sem sentido, um assassinato sem razão de ser. Da mesma forma com que Voltaire ridicularizou filósofos e teólogos, em Micromegas, colocando um extraterrestre para tentar entender as idéias dos minúsculos seres humanos com quem travou contato, é trivial para nós, alienígenas à cultura de Pamplona, desqualificar as touradas. "Uma multidão de animais assistindo e vibrando com um animal de sua espécie assassinando outro animal, de outra espécie, sem motivos" é o que diríamos nós, os alienígenas. É fácil. Estamos de fora, ao mesmo tempo em que nos abrigamos confortavelmente debaixo da amplamente segura correção das idéias de proteção e respeito aos outros animais, à natureza e ao meio-ambiente.
Ler Hemingway, sua descrição belíssima da arte do toureiro, da fiesta de Pamplona e da afición de seus amantes, complica tudo. Se a familiaridade nunca deve servir de justificativa, a distância também tem sérias dificuldades para apreender a misteriosa, talvez irracionalizável, afición humana pelas coisas mais improváveis e absurdas.


Páginas 140-2 de O Sol Também se Levanta:
Montoya pôs a mão no meu ombro.
- Vejo-o lá.
Sorriu novamente. Sorria sempre, como se as touradas tivessem um sentido especial para nós ambos, como se houvesse um segredo muito chocante, mas bastante profundo, que ambos conhecíamos. Sorria sempre, como se nesse segredo houvesse algo de obsceno para os outros, porém muito compreensível para nós. Não se deve divulgar um segredo entre pessoas que não compreenderiam.
- Seu amigo também é aficionado?
Montoya sorriu para Bill.
- Sim, veio de Nova York para ver os San Fermines.
- Realmente? - Montoya mostrou um ceticismo polido.
- Mas não tão aficionado quanto o senhor.
Pôs novamente a mão sobre meu ombro, constrangido.
- Sim - disse eu. - É um verdadeiro aficionado.
- Mas não aficionado como o senhor.
Afición significa paixão. Um aficionado é aquele que gosta apaixonadamente das touradas. Todos os bons toureiros iam para o Hotel Montoya. Isto é, os verdadeiramente possuídos pela afición. Os toureiros "homens de negócios" vinham possivelmente uma vez, mas não voltavam. Os bons vinham todos os anos. Montoya tinha as fotografias deles em seu quarto. As fotografias eram dedicadas a Juanito Montoya ou à sua irmã.
As fotografias dos toureiros nos quais Montoya acreditava realmente eram emolduradas; quanto às dos que não tinham afición, Montoya as conservava numa gaveta de sua secretária. Tinha geralmente dedicatórias muito lisonjeiras, porém nada significavam. Um dia ele tirou todas e jogou-as na cesta de papéis. Não as queria junto de si.
Falávamos sempre de touros e toureiros. Havia vários anos que eu me hospedava no Hotel Montoya. Nunca conversávamos muito tempo de cada vez. Era simplesmente o prazer de descobrir nossas impressões recíprocas. Chegavam homens de cidades distantes, e antes de deixar Pamplona paravam alguns minutos para conversar com Montoya sobre touros. Esses eram aficionados e tinham sempre certeza de conseguir quartos, mesmo com o hotel lotado. Montoya apresentou-me a alguns. Mostravam-se geralmente polidos no início; e depois, quando sabiam que eu era americano, achavam engraçado. Supunha-se, por assim dizer, de antemão, que um americano não podia ter afición. Talvez a simulasse ou a confundisse com entusiasmo, mas não podia senti-la realmente. Quando viam que eu possuía afición - e para isso não era preciso senha nem perguntas preparadas com antecedência e era antes uma espécie de exame oral, espiritual, com as questões sempre na defensiva e nunca aparentes -, tinham o mesmo gesto de pôr a mão sobre o ombro da gente, ou um mero buen hombre. Mas quase sempre havia contato físico. Pareciam ter necessidade de tocar, para ter certeza.
Montoya desculpava tudo num toureiro que tivesse afición. Desculpava os ataques de nervos, o pânico, os erros inexplicáveis, toda a sorte de lapsos. Em suma, àquele que possuía afición, Montoya perdoava tudo. Perdoou-me imediatamente por todos os meus amigos. Sem dizer coisa alguma, considerava-os simplesmente como algo um pouco vergonhoso entre nós, como o ventre rasgado dos cavalos, nas touradas.


26 de fevereiro de 2009

Trechos - parte 2 (contato)


Pouco antes de toparem com um pesadelo e trazê-lo inadvertidamente para dentro de sua própria nave, três humanos observam um engenho alienígena, outra espaçonave, fonte de um misterioso sinal de socorro ou alerta. Foi aí que

Dallas se deu conta de quão pequeno o barco espacial o tornava. A ele e aos outros. E não só fisicamente, embora o arco majestoso, desmesurado os reduzisse - pobres bichos da terra - a insetos; mas insignificantes também de um ponto de vista cósmico. A humanidade sabia ainda muito pouco do universo e apenas explorara uma fração mínima de um só setor.
Uma coisa é especular ao telescópio sobre o que poderá esconder-se na imensidão dos céus. Outra, fazê-lo no isolamento de um pequeno argueiro de mundo como aquele, confrontados por uma nave de manufatura alienígena, que mais parecia uma excrescência animal que um engenho familiar, maneiro, feito para superar leis naturais da física.
Isso, admitiu o capitão, era o que mais o perturbava acerca da nave sinistrada. Se se conformasse às linhas habituais, se fosse feita de material conhecido, não pareceria tão assustadora. E não punha tais sentimentos à conta de xenofobia. No fundo, não esperara que aquela coisa alienígena fosse tão alienígena assim...

Alan Dean Foster, Alien, 1979, p. 66. Altamente devorável, por $3lão no sebo. Tão bom quanto o filme.

24 de fevereiro de 2009

15 (f*cking) Step

No lugar da batida eletrônica, uns 15 percussionistas. Uma pancada de metais faz as vezes do baixo e do sintetizador. Thom Yorke e Johnny Greenwood no que fazem de melhor.

Eis uma 15 Step fantástica.




Uma versão com áudio (muito) superior pode ser encontrada abaixo - sem o video, porém.



Falta só um mês pro show.

21 de fevereiro de 2009

Trechos - parte 1

Como a vontade de ler é infinitamente maior do que a de escrever, de hoje em diante vão começar a pipocar alguns trechos que, acho eu, farão com que este blog volte a ter alguma serventia a vocês, 17 milhões de leitores. Vou poupá-los de reflexões minhas. Os textos serão jogados crus, aqui. Façam bom proveito, se possível.

O primeiro excerto é da apresentação a um artigo de Donna Haraway, "Manifesto Ciborgue", sobre nossa relação com as tecnologias. O texto é um marco do pensamento pós-moderno, feminista, mas é complicado e chato de doer. A apresentação, do jornalista britânico Hari Hunzru, é bem melhor. Quer dizer: é mais fácil de entender e não deixa de ser interessante por si mesmo.

Desde que Descartes anunciou que 'eu penso, logo existo', o mundo ocidental tem tido uma obsessão pouco sadia com a condição do eu. Do consumidor individual ao solitário mal compreendido, ensinam-se os cidadãos modernos a se pensarem como seres que existem no interior de suas cabeças, como seres que apenas secundariamente entram em contato com o resto do mundo. Desenhe um círculo. Dentro: eu. Fora: o mundo. Os filósofos se angustiam com a questão de determinar se existe qualquer realidade fora daquele círculo. Eles tem um termo técnico para suas neuroses - ceticismo - e fazem acrobacias intelectuais para dissipá-lo. Em um mundo feito de dúvidas, cruzar aquela fronteira torna-se um problema real, isto para não falar da questão de se romper o isolamento relativamente a outras pessoas.

Hari Kunzru, "'Você é um ciborgue': um encontro com Donna Haraway" in: Antropologia do Ciborgue: as vertigens do pós-moderno. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

Saúde!

Com um pouquinho de atraso - invariável atraso -, aqui vai uma homenagem ao sujeito responsável pela mais espantosa notícia do começo do ano. 

Que posse de Obama, que nada. Sasqua vai ser pai. 


A homenagem propriamente dita está mais pro final do vídeo. 

O tempo passa, o tempo voa, e do jeito que vai, daqui a pouco é o(a) pequeno(a) sasquinha aprendendo a usar um lendário instrumento de alcoolização expressa.

Vídeo via Idelber.

3 de fevereiro de 2009

O nascimento de Israel

Um post recente do Pedro Doria traz um excelente documentário da BCC, do ano passado, The Birth of Israel. Uma hora de história muito bem contada pelo editor da emissora britânica no Oriente Médio, Jeremy Bowen.



BBC The Birth of Israel 2008 legendado from olhocosmico on Vimeo.

C&T no desenvolvimento nacional

Precisei escrever o artigo abaixo, de 3 laudas (o que dá, na cotação atual, 4 prosts, 9 mansells ou 0,4 sennas) como inscrição para um curso de jornalismo científico. Como o blog anda meio às moscas, não custa nada encher uma linguicinha com idéias sobre o papel da ciência e da tecnologia no desenvolvimento do país.

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Vivemos os últimos anos da primeira década do século 21, um momento na história em que certamente é considerada óbvia e inquestionável a afirmação de que a ciência e a tecnologia são protagonistas do desenvolvimento das nações modernas. E justificadamente: o século passado foi prodigioso em exemplos que confirmam essa assertiva. Os últimos cento e poucos anos testemunharam um avanço tecnológico vertiginoso - impulsionado por algumas das mais profundas revoluções da história da ciência - que propiciou melhorias sem precedentes em virtualmente todos os aspectos da vida humana. O desenvolvimento da medicina e das técnicas de saneamento desencadeou uma diminuição acentuada dos números de mortalidade infantil e um aumento considerável na expectativa de vida. Os meios de transporte tornaram-se mais rápidos, seguros e confortáveis, facilitando inclusive a produção de bens de consumo e o comércio. As tecnologias da informação, fenômeno de desenvolvimento recente, revolucionaram a forma como produzimos e compartilhamos conhecimento, informação e arte. A construção de máquinas como o Grande Colisor de Hádrons e telescópios espaciais como o Hubble, Spitzer e Kepler, dá-nos a chance de saber um pouco mais sobre o infinitamente pequeno e o assustadoramente grande, abrindo possibilidades de interpretação filosófica do universo e da própria vida humana com as quais ainda só podemos sonhar. A lista é longa. Páginas e mais páginas poderiam ser preenchidas com exemplos similares que, no entanto, ainda não respondem satisfatoriamente à pergunta: que papel ciência e tecnologia (C&T) podem desempenhar no desenvolvimento nacional e, em especial, no desenvolvimento de um país com as peculiaridades sociais e econômicas do Brasil?

A resposta pode começar a surgir de um aparente dilema que vez ou outra aparece, especialmente nos meios de comunicação: o Brasil é um país com tantos problemas sociais graves que a destinação de recursos públicos para C&T pode configurar-se como supérfluo frente às necessidades mais prementes e imediatas da sociedade brasileira. Este dilema existe apenas na aparência, e por uma razão muito simples: ciência e tecnologia não apenas são essenciais para a resolução das contradições e desigualdades sociais a longo prazo, como podem mesmo preparar o país para solucionar imediatamente problemas inesperados que, do contrário, continuariam a existir e a contribuir para a estagnação do desenvolvimento. Exemplo claro disso é a atuação do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) na década de 1930.

Um dos efeitos da crise econômica mundial de 1929 no Brasil foi a quebra do setor cafeeiro, uma das locomotivas da economia nacional. Entrementes, a Seção de Algodão do IAC, criada em 1923, vinha realizando pesquisas para a adaptação de variedades do algodão trazidas dos Estados Unidos e, como narra o historiador da ciência Shozo Motoyama, “após quase dez anos de experimentação, esse programa conseguiu êxito em adaptar as variedades mais promissoras às condições climáticas da região Sul” . As pesquisas do IAC, alvo de interesse genuíno por parte de pesquisadores norte-americanos, foram centrais para a então surpreendente cotonicultura brasileira, responsável por salvar a economia paulista da estagnação.

Esse tipo de pesquisa, voltada para o desenvolvimento da agricultura, continua a desempenhar até hoje um papel importante no cenário brasileiro. A Embrapa Cerrados - braço da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, órgão do Ministério da Agricultura –, por exemplo, vem se dedicando com sucesso na obtenção de conhecimento e melhorias técnicas para a exploração agrícola dos cerrados brasileiros. Se os objetivos elencados no 4º plano diretor (vigente de 2008 a 2011) do órgão forem minimamente atingidos, estaremos diante de uma ótima contribuição da C&T para o desenvolvimento ambientalmente sustentável da agricultura brasileira, com atenção para a diminuição da desigualdade social nas regiões estudadas. Outro exemplo de pesquisa brasileira voltada para a agricultura visando resultados práticos não muito longínquos foi o sequenciamento do material genético da Xylella Fastidiosa, bactéria causadora da clorose variegada dos citrus, a “praga do amarelinho” que causa perdas de cem milhões de dólares anuais aos citricultores paulistas . Financiada pela Fapesp, a pesquisa ganhou especial atenção da comunidade científica internacional e das principais revistas científicas do mundo, inclusive ganhando capa e editorial da revista Nature. O trabalho abre possibilidades de acabar com a praga pela manipulação genética da bactéria.

Estes exemplos mostram, de maneira até bastante clara, a importância da C&T para o desenvolvimento do setor produtivo, com aplicabilidade mais ou menos no curto prazo e com resultados perceptíveis aos olhos do público. Trata-se de algumas das principais contribuições da C&T, pelo menos no que se refere a sua aplicação prática na resolução de problemas do presente, para o desenvolvimento nacional. Devo, no entanto, ressaltar que seria um erro satisfazer-se com uma visão meramente utilitarista da ciência. Sua importância não reside apenas naquilo que pode fazer por nós agora, em quantos milhões de dólares pode salvar hoje ou quantas pessoas alimentará amanhã. Porque pensar o contrário disso é desconsiderar a beleza e a importância do aspecto imaginativo da ciência. O desenvolvimento de um país não parte somente de sua produção material. Ciência e tecnologia devem servir, também, como instrumento da liberdade de pensamento e de imaginação das pessoas - é neste aspecto que a ciência se aproxima da arte, que contribui também, à sua maneira, para que um país se desenvolva nos mais variados sentidos da realidade.

Não se está defendendo aqui, contudo, a visão da C&T como panacéia do desenvolvimento nacional. Ciência e tecnologia são apenas alguns dos principais elementos – essenciais, é verdade – que podem levar ao desenvolvimento brasileiro. O papel desempenhado pela C&T depende também da conjuntura econômica, política e social; depende de como serão levadas a cabo políticas de educação, de redução das desigualdades sociais, de incentivo ao setor produtivo. Sociedade e ciência estão, neste sentido, numa intrincada relação de interdependência.

Além de estar longe de ser a panacéia que alguns otimistas podem imaginar, a ciência também pode ter suas responsabilidades nos próprios problemas que afligem o mundo e, por conseqüência, o Brasil. É flagrante, por exemplo, a importância da C&T na consolidação do processo da globalização, de cujas benesses em boa parte podemos desfrutar, ao preço de experimentarmos os silenciosos efeitos negativos da concentração de poder e riquezas pelos países desenvolvidos. Mais perceptível, ainda, é o seu papel na deterioração do meio-ambiente, no desenvolvimento da indústria bélica e suas máquinas de matar cada vez mais eficientes, no arsenal atômico das grandes potências.

Entretanto, se a ciência é responsável por encruzilhadas e becos sem saída, ela também pode servir de guia para retomarmos o rumo correto. Em outras palavras, a ciência, capaz de criar mazelas terríveis, é também a mais poderosa ferramenta de questionamento, desconstrução e resolução não apenas destes mesmos problemas mas de grande parte das questões mais importantes que nos aflige, hoje. Trata-se, portanto, de elemento essencial, conjuntamente com a tecnologia, no projeto de desenvolvimento pleno de um país como o Brasil.

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Retirei as citações porque, afinal, isso aqui não é academia. Mas as referências são o site da Embrapa Cerrados e, principalmente, Prelúdio para uma história: ciência e tecnologia no Brasil, organizado por Shozo Motoyama.

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