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15 de março de 2009

Hora do pesadelo

Apreciem uma originalíssima mistura de filme russo antigo sci-fi trash, animação e CGI em forma de videoclipe. Os soviéticos têm uma arma bioquímica nas mãos e não estão com medo de usá-la! Eis o clipaço novo do Metallica:


Metallica - All Nightmare Long
Go, go, go CCCP! Por essa você não esperava, Robert Macnamara!

Dois comentários:
1. A música é uma das melhores do Death Magnetic. Os riffs, as palhetadas, o vocal agressivo, o solo rápido, a bateria frenética, tudo nela é tradicional. O nome e a letra são ainda mais explícitos nessa busca pelas raízes: como reconhece o próprio James Hetfield, tenta-se resgatar as referências à mitologia do escritor H.P. Lovecraft, o papa das bandas de metal dos anos 80. Mas, inexplicavelmente, há algo que cheira a novidade. Talvez seja uma forma nova, original, de usar os clichês. Não é autoparódia, também não é mera autoreferência: é alguma outra coisa. O vídeo não poderia ser melhor tradução da música. Sensacional.
2. O final é genial. É como se REC tivesse sido gravado há 50 anos.
3. A representação da ciência e dos cientistas no vídeo é a reprodução de um dos lados dessa moeda durante a Guerra Fria: cientistas frios, cínicos, servos do complexo industrial-militar; a ciência é um cavaleiro do apocalipse. Alguém aí conhece obras relacionadas ou específicas sobre (história das) representações de ciência na arte russa ou americana durante a Guerra Fria? Por favor, quem souber, me dê dicas nos comentários.

26 de fevereiro de 2009

Trechos - parte 2 (contato)


Pouco antes de toparem com um pesadelo e trazê-lo inadvertidamente para dentro de sua própria nave, três humanos observam um engenho alienígena, outra espaçonave, fonte de um misterioso sinal de socorro ou alerta. Foi aí que

Dallas se deu conta de quão pequeno o barco espacial o tornava. A ele e aos outros. E não só fisicamente, embora o arco majestoso, desmesurado os reduzisse - pobres bichos da terra - a insetos; mas insignificantes também de um ponto de vista cósmico. A humanidade sabia ainda muito pouco do universo e apenas explorara uma fração mínima de um só setor.
Uma coisa é especular ao telescópio sobre o que poderá esconder-se na imensidão dos céus. Outra, fazê-lo no isolamento de um pequeno argueiro de mundo como aquele, confrontados por uma nave de manufatura alienígena, que mais parecia uma excrescência animal que um engenho familiar, maneiro, feito para superar leis naturais da física.
Isso, admitiu o capitão, era o que mais o perturbava acerca da nave sinistrada. Se se conformasse às linhas habituais, se fosse feita de material conhecido, não pareceria tão assustadora. E não punha tais sentimentos à conta de xenofobia. No fundo, não esperara que aquela coisa alienígena fosse tão alienígena assim...

Alan Dean Foster, Alien, 1979, p. 66. Altamente devorável, por $3lão no sebo. Tão bom quanto o filme.

De onde você vem?