3 de dezembro de 2007

Um minuto de silêncio

Aos meus muitos e queridos amigos corintianos:


Receberemos vocês por aqui de braços abertos. Sintam-se em casa. Apesar da dor, fica a certeza de que há vida após o rebaixamento, se deus quiser, amém.

Invasores de Corpos

Este post foi publicado originalmente em outro lugar. Trata-se de uma breve análise da música Bodysnatchers, do Radiohead.

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Fuja! É impossível fugir, mas fuja!


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Explicar poesia - ainda mais a de uma música como Bodysnatchers - é tarefa que pode resvalar num ridículo semelhante ao daquele arquetípico chato que vive explicando piadas. Vou tentar, no entanto, sabendo que o que eu fizer aqui pode soar como o Piada em Debate, da TV Pirata.

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Invasion of the Body Snatchers é um clássico do cinema de ficção científica. Rodada em 1956, a história de uma singular invasão alienígena sofreu diversas outras adaptações e remakes. Uma delas, mais ou menos recente, era habitué do desesperador Domingo Maior da Globo - a história não será estranha para muitos, portanto. O argumento central do filme é a sorrateira invasão de alienígenas que tornam-se duplicatas de seres humanos. A versão de que me lembro mais vivamente retrata as duplicatas como seres de comportamento anestesiado, cujos impulsos se voltavam única e exclusivamente para a manutenção e expansão de seu próprio sistema. As duplicatas, "pálidas imitações com as extremidades decepadas", agiam de modo a apagar a individualidade em busca de uma maneira normal de agir, pensar e sentir: A pale imitation / With the edges / Sawn off.

À exceção do possível teor de alerta ao comunismo da primeira versão, Thom Yorke segue a metáfora dos filmes. Bodysnatchers é um estridente despertador que teima em tocar nos ouvidos de uma sociedade cujos indivíduos trabalham em conjunto para a manutenção de seu próprio estado vegetativo: Check for pulse / Blink your eyes / One for yes / Two for no. No entanto - e eis o que distingue as letras do Radiohead - Yorke mostra-se também imerso no coma, ele mesmo tentando escapar sem saber como - e falhando: I have no idea what I am talking about / I am trapped in this body and can't get out.

Has the light gone out for you? / Because the light's gone out for me / It is the 21st century / It is the 21st century, lamenta Thom Yorke. "Vocês não são máquinas, são homens!", insta Chaplin no emotivo discurso final de O Grande Ditador. A escuridão que ameaçava o mundo de Chaplin era o nazi-fascismo, que prometia enterrar os mais acalentados ideais iluministas. Qual é a escuridão do século 21? Em Bodysnatchers, é exatamente o fato de que tornamo-nos cada vez mais máquinas, ou melhor, cada vez mais engrenagens dóceis de uma grande e poderosa máquina. Porém, sinal dos tempos, ao passo em que Chaplin ainda tinha motivos para bradar "vocês, as pessoas, têm o poder, o poder de criar máquinas, o poder de criar a felicidade, (...) de fazer dessa vida uma aventura maravilhosa", o grande esquema das coisas do século 21 é inescapável e não dá espaços para otimismo, como percebe Yorke: It can follow you like a dog / It brought me to my knees / They got a skin and they put me in / They got a skin and they put me in.

Bodysnatchers é, em última análise, um reflexo do próprio In Rainbows e mesmo das questões que envolveram seu lançamento. Em primeiro lugar, In Rainbows é o contrário de Kid A e Amnesiac. Enquanto os dois últimos simbolizaram uma fuga genial aos padrões, In Rainbows se assemelha a uma tentativa de responder aos padrões, brincando com as regras do jogo, mas respeitando boa parte delas. Algumas de suas músicas são claramente pop - não aquele pop de rádio mas, ainda assim, pop. Em segundo lugar, o lançamento pela internet com preço sugerido pelo cliente não é, como pensam alguns, um engôdo oportunista ou, como pensam outros, um gesto quase altruísta da banda. É uma forma de desrespeitar algumas das regras mais sórdidas sem jogar fora a maior e inescapável: ganhar dinheiro (muito embora tenha parecido que o Radiohead não se importe com dinheiro). O final de Bodysnatchers é o exemplo de toda essa ironia e ambivalência: And for anyone else to see / I'm a lie.

Parece dizer-nos: essa é vida que temos que viver, mas viva-se discordando dela. Reconhecer as fraquezas do grande esquema é o primeiro passo para que, se não nós, outros que virão possam implodí-lo. I've seen it coming, I´ve seen it coming...

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Eis Bodysnatchers:



I do not
Understand
What it is
I've done wrong
Full of holes
Check for pulse
Blink your eyes
One for yes
Two for no

I have no idea what I am talking about
I am trapped in this body and can't get out

You killed the sound
removed backbone
A pale imitation
With the edges
Sawn off

I have no idea what you are talking about
Your mouth moves only with someone's hand up your ass

Has the light gone out for you?
Because the light's gone out for me
It is the 21st century
It is the 21st century
It can follow you like a dog
It brought me to my knees
They got a skin and they put me in
They got a skin and they put me in
All the lines wrapped around my face
All the lines wrapped around my face
And for anyone else to see
And for anyone else to see

I'm a lie

I've seen it coming
I've seen it coming
I've seen it coming
I've seen it coming

15 de novembro de 2007

The grave is now a groove

I´ve got no shaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaame



Love left a window in the skies

And to love I rhapsodize

1 de novembro de 2007

A alegria da cidade

Como diz um adesivo de geladeira pontepretano: "paixão não se explica, se vive".

Abaixo, a torcida espanhola no estádio do Almeria vibra com dois gols no telão.

Que gols?

O primeiro foi um golaço de Fernando Alonso, que ultrapassou Lewis Hamilton na segunda perna do "S do Senna".

E o segundo, bem, foi o gol contra de Hamilton duas curvas depois.



Mais abaixo, os gols, pra quem não viu o início da corrida de Interlagos, com narração dos sempre fanáticos narradores espanhóis, crentes que um outro "milagro" daria o título a Alonso.



É por isso que eu gosto de esporte (como espectador, obviamente).

29 de outubro de 2007

Mickey contra Hitler

Há uns bons anos eu havia achado, não lembro onde, não lembro como, um vídeo que mostrava o engajamento político de Walt Disney da forma mais clara possível - mais até do que no papel exercido durante o período da imperial "política da boa vizinhança". Era o curta Education For Death, peça de propaganda que difamava o regime nazista para o público infanto-juvenil, justamente num período de grande mobilização do esforço de guerra norte-americano.

Guardei aquela raridade num backup que sumiu como todos os backups estão fadados a sumir: sem motivo aparente e sem paradeiro nesta dimensão. Mas Deus, Allah, Shiva e Oxalá fizeram o YouTube, e viram que o YouTube era bom. E graças ao YouTube, cá está Education For Death em alta resolução e legendado.



Talvez ninguém reclame do teor do video, já que trata-se, afinal, do regime nazista. Mas dá pra imaginar o sutil estrago ideológico que uma máquina como a Disney fez ao longo de décadas. Hoje, no entanto, longe da influência direitista engajada de seu fundador, a Disney está quietinha no seu canto.

Créditos das legendas: Triviale blog. Vale a visita.

22 de outubro de 2007

"Tienen lo que merecen"

Qualquer comentário sobre a improvável decisão da F1 de ontem não fará justiça ao que aconteceu dentro (e fora) da pista. Mas deixo aqui um trecho da sóbria, equilibrada e imparcial cobertura do diário espanhol As:

Un justo castigo - Ron Dennis y su banda tienen una justa recompensa: se han quedado otra vez sin títulos mundiales. No ganó Alonso, pero al menos tampoco lo hizo quien menos lo merecía. La ridícula obstinación de Hamilton le costó el campeonato.

Dr. Evil e Mini-me

17 de outubro de 2007

Jornalisteenha

Eis um exemplo de leviandade jornalística.

Quem lê a Folha de São Paulo sabe que toda segunda-feira circula um caderno voltado para o público adolescente, o Folhateen. Quando eu era teen, eu lia o Folhateen. Hoje, é óbvio, não o leio mais. Não tenho mais saco pra ficar com raiva do Álvaro Pereira Júnior ou pra rir da seção de cartas dos leitores. Entretanto, em busca de textos que repercutiram a forma e o conteúdo do novo álbum do Radiohead, me deparei com a infeliz, apressada e desinformada crítica de Leandro Fortino. O texto, de título irônico e subtítulo agressivo (Radio free - As dez faixas de "In Rainbows" podem sair de graça; na opinião do Folhateen, elas não valem mais do que isso) foi publicado no Folhateen desta última segunda-feira, dia 15, e só pode ser acessado por assinantes da própria Folha ou do UOL. Mesmo assim, reproduzo-o aqui, na íntegra, até que a Folha da Manhã S. A. ameace processar-me. Assim, aqueles dentre vocês, meus 17 milhões de leitores, que quiserem apreciar esta obra-prima da crítica musical em todo o seu esplendor, poderão ficar mais à vontade. Diferentemente de In Rainbows, para ter acesso a esta crítica seria imperativo que o leitor pagasse. Talvez isso não seja mera coincidência.


No mundo capitalista de uma banda rica como a inglesa Radiohead, nem
relógio trabalha de graça. Portanto é bem suspeita a estratégia de venda de
músicas pela internet armada pelo grupo na quinta passada, quando eles começaram
a oferecer, pelo preço que o freguês mandar, downloads de dez faixas que estarão
em seu ambicioso novo trabalho, "In Rainbows".

Além dessas músicas, o pacotão completo, que sai em dezembro, também trará dois discos de vinil (alguém ainda tem onde tocá-los?), um livro e mais um CD, com nada menos que oito faixas, essas, sim, com algum material inédito mesmo.

Isso porque todas as músicas disponibilizadas na semana passada já haviam sido tocadas diversas vezes em shows desde o final dos anos 90. E há tempos já rodavam no YouTube. É estranho que essas canções nunca tenham entrado nos CDs da banda. E, não há como negar, espera-se que artistas só selecionem músicas boas para integrar um disco, abandonando o que ficou mais ou menos.

Então, que tal oferecer o material mais ou menos -e de difícil aceitação (as músicas são densas, experimentais e minimalistas)- para que os fãs, comovidos com a atitude "honesta", paguem felizes por ele? Alguns devem até ter encomendado pelo site o pacotão, que sai em dezembro. Custa, sem choro, 40 libras (R$ 148). Lembre-se de que com essa quantia, compra-se muito menos coisas na Inglaterra do que aqui (40 libras equivalem a cerca de 40% do salário mínimo no Brasil), o que mostra que o Radiohead parece não estar nem aí para países mais pobres.

A banda já sofreu com a pirataria. O disco anterior, "Hail to the Thief", de 2003, caiu na rede e no ouvido do mundo todo muito antes de estar totalmente finalizado. Ou seja, os fãs deles não gostam de pagar por músicas e nem ligam se os downloads são ilegais. E é certo que o CD bônus estará ilegalmente na internet logo, logo.

Assim, será que a banda acredita que ninguém vai baixar o pacote sem pagar nada? Afinal, as dez faixas podem sair de graça, conforme o Folhateen comprovou. Talvez seja isso o que o download de "In Rainbows" valha.


Eu poderia perder meu começo de manhã destruindo cada um dos irônicos argumentos depreciativos ao Radiohead (e, pior, à iniciativa tomada pela banda) dessa crítica rasa, débil e incoerente. Não vou fazê-lo, assim como não vou ficar respondendo aos ridículos argumentos periféricos do texto. Mas uma resposta pontual é necessária.

Se o crítico não gostou do álbum e achou que o trabalho da banda vale literalmente nada, tem todo o direito de expressar-se nesse sentido, e com a contundência que desejar. Isso não é problema. O que um crítico jamais poderia fazer é basear seus argumentos em fatos falsos e/ou distorcidos. É preciso zelar minimamente pelo embasamento daquilo que se escreve, seja ao escrever um blog ou uma crítica para a Folha - com a diferença de que os leitores pagam pela Folha e Fortino recebe um salário para escrever. E estamos falando do maior jornal do país. É preciso cuidado extremo para não cair na leviandade, portanto.

A crítica de Fortino é, justamente, leviana. Seu argumento-chave é baseado em premissas falsas. Vejamos.

Fortino insinua que a iniciativa do Radiohead é um engodo. E por quê? Porque "todas as músicas disponibilizadas na semana passada já haviam sido tocadas diversas vezes em shows desde o final dos anos 90" e "há tempos já rodavam no YouTube". Defende que as dez músicas de In Rainbows seriam algo conhecido como lado B, sobras ou nem isso. Como sobras, as músicas de In Rainbows não seriam as "boas", mas as "mais ou menos". Então a banda teria lançado um download gratuito de "material mais ou menos" no intuito de comover os fãs e lucrar com a venda do discbox, que inclui um CD bônus com oito faixas, "essas, sim, com algum material inédito mesmo".

Essa argumentação revela falta de cuidado, preguiça, pressa, generalização pobre e arrogância.

Muito ao contrário do que Fortino quer fazer crer, das dez músicas de In Rainbows, apenas uma (isso mesmo, uma) foi tocada em shows no final da década de 90. Trata-se de Nude, que fazia parte constante da turnê do Ok Computer, segundo a revista Rolling Stone. Nenhuma outra faixa data desse período ou de fase anterior. Além de Nude, a única que não foi composta em sessões posteriores a Hail to the Thief (de 2003) é Reckoner, que vem das gravações de Kid A e Amnesiac (2000/01), e mesmo assim é difícil encontrar qualquer semelhança entre a Reckoner antiga e a versão de In Rainbows. Enfim, as outras oito músicas são material inédito, nada requentado.

Fortino erra a mão até mesmo quando diz que as oito músicas bônus são, "essas, sim", inéditas. Nem todas o são. É o caso de Last Flowers, que data da mesma época de Nude, e Up on the Ladder, que, como Reckoner, vem das sessões do Kid A. O resto, também, é material inédito. O aproveitamento de material antigo é algo recorrente no meio musical. É algo que o próprio Radiohead já fez. E mesmo assim foram apenas quatro músicas assim aproveitadas, duas delas no disco bônus. Todo o resto remete a composições de 2005 pra cá.

Mas alguém poderá dizer que a quase totalidade das músicas, tanto do prato principal quanto da sobremesa, poderia ser encontrada há mais de um ano no YouTube. Sim, é verdade. Trata-se de shows, apresentações gravadas pelo público e, pelo público, tornadas públicas. Como a maioria das bandas que conheço, o Radiohead aproveita os shows para testar a recepção da platéia ao material novo. Desde maio de 2006, a maioria das músicas de In Rainbows foi tocada ao vivo. As músicas já eram relativamente conhecidas, o que não anula seu ineditismo. Por acaso o disco Busted Stuff, da Dave Matthews Band, era material requentado quando foi lançado em 2002 apenas porque suas músicas já vinham sendo tocadas em shows desde 2000? Por acaso alguém vai dizer que Tropa de Elite é um filme requentado porque vazou digitalmente meses antes de estrear no cinema?

Embora a questão esteja evidentemente morta, a referência ao YouTube me traz a um ponto interessante: de onde, então, Fortino tirou a informação que baseou toda a sua argumentação? Minha hipótese é a seguinte: há umas duas semanas atrás, a Rolling Stone publicou um preview de In Rainbows, cujo link foi indicado há alguns posts por este blogueiro que vos fala. E lá, acha-se a informação de que Nude e Reckoner (e mais as outras duas do cd bônus) são faixas "antigas". Quase todas as músicas (menos as que não haviam sido tocadas ao vivo, ainda) estavam ali representadas por videos, hospedados pelo YouTube, de apresentações gravadas por fãs. Fortino estava claramente imbuído de preconceito e má-vontade com relação ao que cerca o Radiohead, o que torna-se flagrante na ridícula, tenebrosa e generalizante passagem "os fãs deles não gostam de pagar por músicas e nem ligam se os downloads são ilegais". Provavelmente, fez uso do review da Rolling Stone para tirar alguma informação sobre o lançamento. À primeira fumaça de que tudo poderia ser um grande engodo (o fato de algumas poucas músicas serem "requentadas"), achou que houvesse um grande incêndio ("o álbum todo é feito de sobras"). Pesquisou mal, muito mal.

Seja como for que chegou às suas (falsas) conclusões, o certo é que Leandro Fortino merece, no mínimo, que um e-mail de alerta para suas práticas de jornalismo barato seja enviado à direção do Folhateen e da Folha. É o que vou fazer entre hoje e amanhã.

Como o próprio Radiohead sabe, o In Rainbows pode mesmo não valer nada, nem um centavo. Já o jornalismo demonstrado por Leandro Fortino nesse infeliz texto de segunda-feira tem o seu valor: barato, baratinho, uma pechincha.

16 de outubro de 2007

Eleições 2007

Flávio Gomes tomou uma pancada na rua com seu carro "titular" e agora vai ter que lançar mão de um de seus velhinhos de coleção para se locomover até Interlagos. Para tanto, convocou eleições gerais em seu blog. A coisa já está no segundo turno. Candidatos promissores como o Corcel II e a Variant ficaram de fora. A vaga no estacionamento de Interlagos e a honra de ter a credencial grudada no pára-brisa serão disputadas a tapa pelo "social-democrata" Gol GT e pelo "marxista-leninista" Lada.

Algumas características dos candidatos, segundo o próprio jornalista:

Gol: "Movido a álcool. Câmbio escalonado. Velocímetro só funciona quando eu lembro de dar um tapa no lado direito do painel."

Lada: "Direção mecânica que funciona como aparelho de ginástica para bíceps. Cinco marchas e alavanca de câmbio aquecida. [...] Tampa do porta-luvas de abertura automática em pisos irregulares."

Inacreditável.

Ah, e eu votei no Lada. Todo o poder aos sovietes!

13 de outubro de 2007

Muro

Um muro no bairro do Botafogo, em Campinas.

Um belo muro.

11 de outubro de 2007

Primeiras opiniões

De Pete Paphides, do The Times, sobre In Rainbows: "For what it’s worth, In Rainbows was sent to me at 6.30am. Three hours later, this insidious index of sonic surprises is stacking up in my mind, like planes waiting to land. The trick, I guess, is to give your fans what they didn’t know they wanted. Radiohead, old hands at this, have been doing it for over a decade now. With In Rainbows, they appear to have done it again."

"O truque [...] é dar aos fãs" não aquilo que eles não esperavam, mas "o que eles não sabiam que queriam". Interessante ponto de vista. Paphides pagou 9 libras pelo disco. Mais do que isso, diz ele, o encaixaria no perfil de fã. Paphides também comprou o discbox de 40 libras. Tem bom humor, o crítico.

Clique aqui para ler a crítica na íntegra.

Por enquanto

O que posso dizer de In Rainbows, por enquanto? Que você ouve o CD e já quer ouví-lo logo em seguida. Tem o tempo perfeito pra que seja executado várias vezes sem enjoar. É mais uma virada de estilo dentre as inúmeras arriscadas pelo Radiohead, com improváveis pinceladas retrô. Posso dizer que são mais algumas músicas geniais. E que já espero ansiosamente pelas outras oito músicas.

PS (para Thom Yorke e o pessoal do Radiohead):

Thom, pessoal, parem com isso, tá ficando chato. Vocês precisam lançar um álbum ruim algum dia. Não é possível que não errem a mão em um único disco...

10 de outubro de 2007

Enfim!

In Rainbows chegou.

Agora!

Download -> AQUI!

Primeiras impressões ainda hoje.

Stay tuned.

PS: Tomei a liberdade de subir o arquivo num servidor. O Radiohead nunca reclamaria disso.

7 de outubro de 2007

I believe in miracles

E Deus, o Bernie Ecclestone do céu (só que com menos poder), respondeu a Fernando Alonso: "Você quer um milagre? Eu te dou um clima imprevisível. O resto fica a cargo dos seus próprios adversários."

Me veio à mente a voz tosca e inesquecível de Joey Ramone: "Oh, oh, I believe in miracles".


Alonso: "Allah akhbar! Allah akhbar!"

6 de outubro de 2007

27 (quase 1)

Clique na imagem para ampliá-la.
Nós somos o pálido ponto azul à esquerda, entre os anéis.



27 anos terrestres. 27 voltas ao redor do Sol, a bordo desse pontinho flagrado pela Cassini à esquerda de Saturno.

27 é apenas um número, e 27 anos, uma representação. As representações têm impacto sobre o real: sinto a pressão do número para me vestir com a roupa da maturidade. Isso, é claro, parte do ponto de vista terrestre. Porque, a olhos saturnianos, ainda não completei um mísero ano. Minha existência só vai equivaler a uma revolução saturniana quando atingir meus 29 anos e meio.

Sou um bebê. Aliás, bebês somos todos nós. O resto é farsa.

4 de outubro de 2007

Preview

Morto(a) de curiosidade sobre o novo disco[sic] do Radiohead?

A Rolling Stone publicou um preview "faixa-a-faixa", com vídeos ao vivo de quase todas as músicas de In Rainbows (e também do disco bônus, que só estará disponível em dezembro, época em que será lançado o discbox).

Eu sei que há quem prefira guardar todas as surpresas para o dia 10. Eu vou guardar algumas, já que ouvi uma parte do novo material há um certo tempo. É o caso de Videotape, já velha conhecida, e da fantástica Arpeggi.

Vai, assista. Não vai doer. Quer dizer, dói sim. Já disse Dave Matthews: "ou esses caras sofreram, ou fingem como ninguém".

Radiohead - Arpeggi


In the deepest ocean
Bottom of the sea
Your eyes
They turn me
Why should i stay here?
Why should i stay?
I'd be crazy not to follow

No oceano mais profundo

No fundo do mar
Seus olhos
Eles me ligam
Por que eu deveria ficar aqui?
Por que eu deveria ficar?
Eu seria louco se não seguisse

O subtítulo de Arpeggi é weird fishes, peixes estranhos. Saca?

1 de outubro de 2007

In Rainbows

In Rainbows
In Rainbows
In Rainbows
In Rainbows
In Rainbows
In Rainbows
In Rainbows

Dia 10 de outubro.


Na página de download, onde se espera que haja um preço, há um espaço em branco, seguido de um ponto de interrogação. Ao clicar nele, recebo a seguinte mensagem: it´s up to you.

Um sonoro e gigantesco PONTO DE EXCLAMAÇÃO.

23 de setembro de 2007

A culpa é do Nelsinho

Nelsinho: Tem culpa eu?


Tudo bem, a situação não era das melhores. Ontem, fui a Itu me misturar à maioria pontepretana presente no Novelli Júnior. A idéia era incentivar a querida macaquinha a chegar mais perto do grupo de acesso à série A, mas o que vi foi um futebol tenebroso, apavorante. Não fosse pelos seguidos milagres de Denis, o guarda-metas mais bestial do interior, e a Ponte sairia com mais uma derrota como visitante - dessa vez perdendo para o lanterninha. A torcida se revoltou e, como sempre, pediu a cabeça do treinador. Hoje, foi atendida. Devem estar soltando rojões com a saída do Nelsinho.

O que é inconcebível é que uma diretoria de um clube que se vê no direito de voltar à elite do futebol brasileiro aja como sua torcida, de maneira imediatista. Demitiram o Nelsinho, mas pra contratar quem? Minhas fichas vão para a contratação de Marco Aurélio Podreira, ou Moreira, como preferir. A Ponte deseja subir, mas Marco Aurélio é técnico pra não cair. Com ele, até o Brasil de 70 jogaria com quatro volantes.

Torcida de futebol, nem precisaria dizer, é o ser mais imediatista que existe. Chegou a Itu em paz com o time, mas o clima festivo não durou até o intervalo. Passou boa parte do segundo tempo azucrinando a maioria dos jogadores (com razão) e o treinador (não sem alguns bons motivos). Quando a derrota aparecia clara no horizonte, iniciou-se uma briga no meio da própria autoproclamada "nação pontepretana". E quando a muvuca - que quase sobrou pra quem não tinha nada com a história - instalava-se incontrolável no setor de visitantes, eis que a sorte sorriu a Alex Terra, sempre ele. De pronto, irromperam os gritos de guerra e de amor ao time. Reclamavam do árbitro, novamente, que anulou erradamente um gol legítimo de Simplício. E tentavam de novo criar uma briga, agora todos unidos, todos irmãos, contra a minúscula e apavorada torcida do Ituano.

Mas o jogo acabou, mais um empate, e os protestos foram murchos, daqueles que se comenta com o ilustre desconhecido que sentou ao seu lado e, como você, como todos, esconjurou as substituições de Nelsinho. Era a hora de apontar um culpado.

Nelsinho é um ótimo técnico. Apareceu numa campanha inacreditável do Novorizontino, que foi vice-campeão paulista em 90. Logo depois, levou o Corinthians ao seu primeiro título nacional. Pela Ponte, montou o melhor time que pisou no Majestoso nos últimos 25 anos. A Ponte de 2000/2001 era uma verdadeira pedreira, acredite se quiser. Merecia melhor sorte nos mata-matas que disputou e não foi campeã, como sempre. Nesta nova passagem por aqui, Nelsinho montou um time coeso e razoavelmente competitivo. Tinha poucos bons jogadores na mão e, no decorrer do ano, viu os dois melhores irem embora para o Corinthians. Depois da saída de Héverton, em especial, o time desabou. Para substituí-lo, contrataram Chumbinho. Que se mostrou um verdadeiro chumbo grosso, pesado mesmo.

Realmente, a culpa é do Nelsinho.

22 de setembro de 2007

Radiohead, por Dave Matthews

Em 2005, a Rolling Stone tomou uma iniciativa interessante: músicos escreveriam sobre outros músicos, ou bandas. Mas não seria algo aleatório. Deveria haver uma conexão entre os dois lados e uma profunda admiração por parte de quem fala. Os textos passam por situações óbvias, como Slash falando sobre Aerosmith; por outras nem tão óbvias assim, como o texto de Dave Navarro sobre o Black Sabbath; e, ainda, por combinações que beiram o burlesco, como a abordagem de Elton John sobre Eminem (com trocadilho, por favor). Nenhum deles, no entanto, tão significativos, pra mim e pra muita gente por aí, quanto o de Dave Matthews sobre Radiohead. Dave foi tão sincero quanto soa em suas letras. Em nenhum dos textos que li dessa série aparece com maior clareza a sensação simultânea de admiração e inveja diante da obra de um artista maior. Apreciem, por favor. E não se esqueçam de que quem escreve é a mente por trás de uma das maiores e melhores live bands do planeta.

A tradução é minha. Logo, as incorreções e distorção de estilo estão por minha conta.


Toda vez em que compro um álbum do Radiohead, há um momento em que digo pra mim mesmo, “talvez esse aqui será uma merda”. Mas nunca é. Eu imagino, mesmo, se é possível que eles façam um disco ruim.

Descrever a música do Radiohead como tendo “ganchos” é depreciá-la. Ela fala com você, de um jeito real. Ela pode te levar a uma rua pacata antes que te jogue uma linda bomba musical. Ela pode crescer até onde você pensa que tudo vai desmoronar por seu próprio peso – e então Thom Yorke canta alguma melodia que simplesmente arranca o seu coração do peito. Há um momento no
Kid A em que começo a me sentir claustrofóbico, preso numa selva de arame farpado – e então repentinamente caio sentado ao lado de uma piscina com pássaros cantando. O Radiohead pode fazer todas essas coisas num só momento, e isso me enlouquece.

Minha reação diante do Radiohead não é tão simples quanto o ciúmes. Ciúmes é algo que apenas queima; o Radiohead me deixa enfurecido. Mas se fosse só isso, eu não voltaria a ouvir aqueles discos de novo e de novo. Ouvir Radiohead faz-me sentir como Salieri diante de Mozart. As letras do Yorke me fazem querer desistir. Nunca, nos sonhos mais doidos, eu poderia encontrar algo tão belo quanto o que eles encontram numa única música – pra não dizer em um álbum atrás do outro. E, toda hora, eles mostram o dedo para imprensa e críticos dizendo: “nada do que fazemos é para vocês!”. Ao disco mais aclamado pela crítica,
OK Computer, seguiu-se a mudança mais radical, Kid A. Não é que eles são diferentes: é que a força do caráter de sua música está além de seus controles.

Assistir a sua apresentação me deixa ainda mais com raiva. Não importa o quanto relaxem nos shows, eles nunca perdem a lucidez. Não há momentos em que Jonny Greenwood ou Ed O´Brien repentinamente olham pra cima, dizendo “onde raios estamos?”. Não há descarrilamentos no Radiohead; todo álbum e toda apresentação são arrebatadores. Deus, ou esses caras sofreram, ou fingem como ninguém.

20 de setembro de 2007

Pesquisinha fuleira

Caros 17 milhões de leitores, vejam como uma pesquisa pode ser ridiculamente mal feita. O assunto não tem nada de relevante para o mundo real, mas o caso é emblemático da forma como pesquisas podem ser dirigidas e manipuladas. Da Folha Online:


Você acha que a punição à McLaren por espionagem, com a exclusão do Mundial de construtores e multa de US$ 100 milhões, foi justa ?

  • Sim

  • Não, a punição foi severa demais

  • Não, a punição foi leve demais

O leitor tem pouquíssimas opções para se expressar numa pesquisa como essa. Se considera que a punição foi justa, tem opção. Se discorda da intensidade da punição, também tem opções. No entanto, se acha que a McLaren não deveria ter sido punida, o leitor não tem alternativa que acolha sua opinião. A Folha partiu do pressuposto de que não há quem não considere a McLaren culpada do rocambole de espionagem que quase afundou a F1. Errou. Pesquisas, mesmo essas de internet e que versam sobre assuntos irrelevantes, não deveriam excluir uma parte inteira do espectro de opiniões.

Não, eu não acredito que o Datafolha seja capaz de um amadorismo desses.

15 de setembro de 2007

Esgota-me, Ponte Preta!

É gooooooooool na garganta florida
rouca exausta, gol no peito meu aberto
gol na minha rua nos terraços
nos bares nas bandeiras nos morteiros
gol
na girandolarrugem das girândolas
gol
na chuva de papeizinhos celebrando
por conta própria no ar: cada papel,
riso de dança distribuído
pelo país inteiro em festa de abraçar
e beijar e cantar
é gol legal é gol natal é gol de mel e sol.


(Carlos Drummond de Andrade, O Momento Feliz)



Como foi a vitória da Macaca, hoje? Foi de virada. No segundo tempo. Mais: aos 44, saiu o primeiro. E aos 49!, o segundo.

Esgota-me, Ponte Preta!

12 de setembro de 2007

Tela Class

Toda semana, em horário nobre-de-toga, Hermes & Renato exibem obras-primas da sétima arte.

Fiquem com um trecho antológico de "Uma Obra do Barulho", Oscar de melhor roteiro adaptado, vencedor da Palma de Ouro, do Leão de Prata e do Cocô de Bronze.


Radiohead - parte 360



I'm on a roll, I'm on a roll
This time, I feel my luck could change
Kill me Sarah, kill me again with love
It's gonna be a glorious day

Pull me out of the aircrash
Pull me out of the lake
I'm your superhero
We are standing on the edge

The Head of State has called for me by name
But I don't have time for him
It's gonna be a glorious day
I feel my luck could change

Pull me out of the aircrash
Pull me out of the lake
I'm your superhero
We are standing on the edge

11 de setembro de 2007

10 de setembro de 2007

Fernando, o briguento

Se Lewis está com o queijo na mão, Alonso já mostrou estar com a faca. Além de dar um beijo no Ron Dennis em troca de trinta moedas, derrotou o grande gênio dos últimos 15 anos em batalha direta pelo título em 2006, e com classe.

Por razões indetermináveis, eu nutria uma certa antipatia pelo espanhol. Mas, depois da mais recente demonstração de coragem e de outra história que veio à tona, passei a gostar do cara.

Alguns momentos que não podem ser esquecidos:

2005. Alonso, já campeão, passa Schumacher por fora, no Japão, na 130R, "a curva".



2006. Alonso passa Schumacher por fora, de novo, na chuva, em Hungaroring.



2006. Schumacher dá o troco e passa Alonso para vencer na China, na chuva, na esperteza.





2005 e 2006. As duas batalhas de Imola.




Por fim, Alonso diz com o dedo o que todo mundo gostaria de dizer para Ralf (Half) Schumacher. Monte Carlo, 2004.



É, nem tudo é procissão e intriga na F1.

Tiro no pé

Bernie Ecclestone mandou tirar o vídeo da ultrapassagem de Lewis do Daily Motion. Reproduzo aqui o que Fábio Seixas, da Folha, postou há pouco em seu blog:

Como vocês já devem ter percebido aí embaixo, a FOM mandou o Daily Motion tirar do ar as cenas da ultrapassagem do Hamilton sobre o Raikkonen. Pena. Assim como é uma pena o fato de eu não perder mais meu tempo procurando coisas assim no Youtube: é achar para, horas depois, ver que foi retirado do ar. É um erro crasso de Ecclestone. Entendo perfeitamente a questão dos direitos autorais, de privilegiar quem paga pelas imagens. Mas, peraí... Não estamos falando de transmissão ao vivo nem de reprodução do GP na íntegra. Enquanto a IRL, por exemplo, coloca no seu site os trechos cruciais de cada corrida, a FOM ainda engatinha na internet. Ao tirar do ar as cenas das corridas, cenas como as da magnífica ultrapassagem de Monza, a FOM está jogando contra a popularização da F-1, está virando as costas para uma mídia que tem como principais trunfos a disseminação rápida da informação, com uma abrangência nunca antes experimentada no planeta. É um tiro, um tirombaço, no pé. E tem a ver com a empáfia da categoria.

A F1 não está apenas alheia ao mundo. Está na contra-mão, mesmo.

Ave Lewis! (e Viva Kimi!)

No último post sobre a Fórmula 1, eu disse que a vida da categoria só pulsava fora das pistas. Dentro delas, a coisa não passava de uma procissão, insinuei.

Que o marasmo toma conta das pistas de F1, até a FIA concorda - vide a recente formação de um comitê exclusivamente voltado para o estudo da viabilização de ultrapassagens. Querem, muito logicamente, acabar com a perda de pressão aerodinâmica sofrida pelo carro que persegue outro de muito perto.

Mas eis que surge um solitário braço erguido no meio de todos, como se quisesse discordar e protestar contra o rebanho de pilotos conformados e avessos ao risco. É justamente o novato, o líder do campeonato. Ele podou Raikkonen no quintal da Ferrari, na frente dos tifosi.

Ave Lewis!




Deve-se fazer justiça a Raikkonen, um pilotaço que anda meio apagado. O finlandês foi o autor de uma das mais belas e empolgantes ultrapassagens dos últimos tempos. Que fica melhor ainda dentro do contexto: era a última volta do GP do Japão de 2005, em Suzuka. Kimi havia largado em 17º. A briga era pela vitória e a vítima foi Fisichella.

Lembro-me de, em plena madrugada, pular do colchão e soltar um sonoro "YEEEEEESSSS!!!" com o punho em riste. Essa vitória de Raikkonen foi a vitória de todo mundo que gosta de corridas.

Viva Kimi!


9 de setembro de 2007

to my soulmate

we think the same things at the same time

we just cant do anything about it

nós pensamos as mesmas coisas ao mesmo tempo

nós só não podemos fazer nada a respeito

7 de setembro de 2007

Sangue e excremento

Tal qual o mundinho fashion, a Fórmula 1 constitui uma realidade à parte. Motorhomes milionários erguem-se em cada GP para garantir a imagem asséptica de um ambiente que em nada se assemelha ao mundo real, de carne e osso. Garagens mais limpas que o meu quarto vivem povoadas de mecânicos mais bem vestidos do que a imensa maioria das pessoas deste país. Pilotos-robôs concedem entrevistas robotizadas para jornalistas robotizados.

Pois bem.

Recentemente, os acontecimentos extra-pista que vêm ganhando destaque na imprensa especializada trouxeram à tona algo que os aficcionados por este esporte já haviam quase esquecido: a F1 é feita por seres humanos. As implicações dessa bombástica e surpreendente revelação não são menos previsíveis: há muito sangue correndo nas veias dessa gente com cara de outdoor, e também há muito excremento por trás de seus óculos escuros. Como se estivessem acordando de um sono profundo, sites e blogs de automobilismo comemoram o óbvio: há vida pulsante na F1.

Tudo gira em torno do maior escândalo de espionagem da história da categoria. Quem não acompanhou o noticiário automobilístico pode se inteirar do assunto neste breve resumo. Quem já sabe do essencial pode ficar agora com a bomba que promete virar o circo de cabeça pra baixo.

Nas retas infindáveis de Monza, tudo continua inerte. A conturbada McLaren disputa com a Ferrari pra ver quem larga na frente e, por conseguinte, vence a procissão no domingo. A vida só pulsa fora das pistas.

6 de setembro de 2007

Coronado Beach, Califórnia, 1930










May I...?
Would you...?
Can we...?










Imagem retirada da coleção de fotografias do New York Museum of Modern Art - MoMA.
Clique aqui para uma amostra do acervo.

31 de agosto de 2007

Distância

Quando a nave Voyager 1 estava há mais ou menos 6,5 bilhões de kilômetros distante de nós, Carl Sagan propôs que suas câmeras fossem voltadas para o sistema solar.

O propósito não era científico, mas filosófico.


27 de agosto de 2007

Trip-Hop

Um dia desses, há mais de um ano, a Aline sugeriu que eu ouvisse Muse, uma banda que ela amava. Assim, via MSN, despretensiosamente. Subitamente, virei um adicto do rock cósmico de Matthew Bellamy.

Depois de um hiato de quase dez anos, Aline apareceu novamente. Foi a minha vez de ter o prazer de apresentá-la (e viciá-la) a uma banda que amo: Dave Matthews Band.

Quando pensava não dever mais nada à professora londrinense mais mana e pontepretana de Campinas, eis que me encontro em débito novamente. Ouvi Massive Attack.

Teardrop!

23 de agosto de 2007

Vibrações

Mais uma vez, o distanciamento é a ferramenta para entender quê raios estamos fazendo aqui, nesse mundo, nesse cosmos, vivendo e morrendo. Com vocês, Arthur Schopenhauer, em trecho de "Da Morte", um capítulo do clássico "O Mundo como Vontade e Representação". É um texto que pede para ser saboreado lentamente.

Não há maior contraste do que aquele entre a fuga irresistível do tempo, que arrasta consigo todo o seu conteúdo, e a imobilidade rígida da realidade existente, sempre única e a mesma em todos os tempos. E se, desse ponto de vista, vemos bem objetivamente os acontecimentos imediatos da vida, o Nunc Stans* nos aparecerá visível e claro no centro da roda do tempo. - Para um olho que vivesse incomparavelmente mais e fosse capaz de abarcar o gênero humano em toda a sua duração, num só olhar, a sucessão contínua de nascimento e morte se manifestaria apenas como uma vibração incessante: não lhe ocorreria ver aí um devir perpétuo vindo do nada e para o nada; mas, assim como para o nosso olhar a faísca, em uma rotação muito rápida, tem para nós o efeito de círculo imóvel, do mesmo modo a mola, vibrada rapidamente, como um triângulo fixo, e a corda que oscila, um fuso, assim também a espécie lhe apareceria como a realidade existente e permanente, e a morte e o nascimento, como vibrações.

* Essa expressão em latim refere-se a um "presente eterno", ou um momento presente que não se articula temporalmente, no qual não há distinção entre o agora, o antes e o depois.

Agora, a distância pode ser aplicada como um antídoto para as máscaras humanas. Trecho chave de "Metafísica do Amor":

Toda paixão, com efeito, por mais etérea que possa parecer, na verdade enraíza-se tão-somente no instinto natural dos sexos; e nada mais é que um impulso sexual perfeitamente determinado e individualizado. Assim, não perdendo isso de vista, se considerarmos o papel importante que o impulso sexual representa em todas as suas fases e graus, não apenas nas comédias e romances, mas também no mundo real, onde é, junto com o amor pela vida, a mais poderosa e a mais ativa de todas as molas propulsoras, e se pensarmos que absorve continuamente as forças da porção mais jovem da humanidade, que é a finalidade última de quase todo o esforço humano, que exerce influência perturbadora nos negócios mais importantes, que interrompe a todo momento as mais sérias ocupações, que por vezes deixa em confusão os maiores espíritos, que não tem escrúpulo em atrapalhar com suas frivolidades as negociações diplomáticas e os trabalhos do sábios, que chega até a introduzir os seus bilhetinhos meigos e os seus cachinhos de cabelos nas pastas dos ministros e nos manuscritos dos filósofos, urdindo, todos os dias, as piores e mais intrincadas disputas, que rompe as mais preciosas relações, desfaz os mais sólidos laços, torna vítima a vida, às vezes a saúde, riqueza, situação e felicidade, e faz do homem honesto um homem sem honra, do leal um traidor, que parece ser um demônio malfazejo que se empenha em transformar, confundir e destruir tudo - se considerarmos tudo isso, então somos levados a bradar: para que tanto barulho? Para que tanto esforço, violência, angústia e miséria? Pois, em suma, a questão é simplesmente esta: que cada um encontre seu par. Por que semelhante bagatela representa um papel tão importante e leva sem cessar perturbação e discórdia à vida dos homens bem-regrados? Mas, para o investigador sério, o espírito da verdade revela pouco a pouco esta resposta: não se trata de uma insignificância, e, pelo contrário, a importância do assunto é proporcional à seriedade e intensidade dos impulsos. A finalidade última de todo o empreendimento amoroso - derive para o trágico ou para o cômico - é realmente o mais grave e importante entre todos os outros fins da vida humana, merecendo, pois, a profunda seriedade com a qual todos o buscam. Com efeito, essa questão significa nada menos que a composição da próxima geração. As dramatis personae [os atores] que entrarão em cena quando dela sairmos serão assim determinadas, na sua existência e na sua natureza, por essas tão frívolas disputas amorosas. Assim como o ser, a existentia dessas pessoas que virão é condicionada pelo impulso sexual em geral, igualmente a própria natureza do seu caráter, a sua essentia, é condicionada pela escolha individual para a satisfação do amor sexual, ficando assim irrevogavelmente determinada em todos os aspectos. Esta é a chave do problema: conhecê-la-emos melhor quando tivermos percorrido todos os graus do amor, desde a mais fugaz inclinação até a paixão mais veemente, quando então constataremos que a sua diversidade surge do grau da individualização da escolha. [...] Todas as paixões amorosas da geração presente são, portanto, para a humanidade inteira, uma grave meditação sobre a composição da geração futura, da qual, por sua vez, dependem inúmeras outras gerações. Com efeito, não se trata aqui, como nas demais paixões humanas, de uma desgraça ou de uma vantagem individuais, mas da existência e da constituição especial de todo gênero humano futuro; e desse modo, a vontade individual surge como um poder maior, transformando-se em vontade da espécie.

Como disse Diderot, "por trás dos nossos mais sublimes sentimentos e da nossa mais pura ternura há um pouco de testículo". Os românticos de meia-tigela podem esbravejar e protestar de que trata-se de uma visão niilista e fria sobre o amor, essa de Schopenhauer. No entanto, pra mim, é uma das mais belas, quentes e sublimes maneiras de encarar a nós mesmos e a nossos sonhos, desejos, amores e paixões. É de bambear as pernas.

19 de agosto de 2007

O Mal-Estar na Civilização

Chego em casa no meio da madrugada, sento ao computador e navego quando, de repente, sou tomado por um súbito mal-estar ao ler uma minúscula parte da Veja.com. Entendam o por quê:

Brasileiro educado crê na democracia

Não, o problema não é exatamente esse. O problema é o subtítulo, e a forma como o subtítulo re-significa uma frase aparentemente neutra. Ei-lo:

Um livro prova que, ao contrário do que propalam os esquerdistas, a elite nacional é o farol da modernidade. Ela acredita na civilidade.

Não dá!


Senhores redatores de Veja:

Com um discurso violento e selvagemente reacionário, V. Sas. ainda querem vir dizer qualquer coisa sobre civilidade?

Me desculpem, mas não dá, não.

Felicitações

Danilo Albergaria

PS: Podem ir todos tomar no cú.

18 de agosto de 2007

Vocês estão cansados?

Mino Carta e Flávio Gomes estão de muito saco cheio, isso sim.

Se você for um cansadinho, entre aqui e sinta-se em casa. Uma casa com piscina e dois Civic na garagem, é claro.

Quero ver opiniões políticas nos comentários. Vamos lá!

Homer: o homem, o mito


Aqui, uma entrevista com ninguém menos do que Homer J. Simpson para o jornal USA Today. Parte dela está traduzida aqui, no excelente blog Ilustrada no Cinema, da Folha.

A pergunta chave:

Quais são suas posições políticas?

Homer: Tenho um sistema quando voto: Colo da pessoa na cabine ao meu lado. Se estou numa daquelas máquinas eletrônicas de votação, tento marcar a pontuação mais alta. Pode soar estúpido, mas não há como discutir com os resultados: agora temos o mais incrível presidente da história.

Enquanto os republicanos quebram a cabeça para achar alguém que faça frente às candidaturas de Barack Obama ou Hillary Clinton, deixam passar despercebida a opção mais óbvia:

17 de agosto de 2007

Meu mundo é hoje

Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.
Meu mundo é hoje não existe amanhã pra mim
Eu sou assim, assim morrerei um dia.
Não levarei arrependimentos nem o peso da hipocrisia.
Tenho pena daqueles que se agaixam até o chão
Enganando a si mesmo por dinheiro ou posição
Nunca tomei parte desse enorme batalhão,
Pois sei que além de flores, nada mais vai no caixão.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.

Paulinho da Viola

16 de agosto de 2007

15 de agosto de 2007

Blizzard, eu te amo!

Protoss atacam base de Terrans, em Starcraft 2.


Chegou a hora de sair do armário.

Mesmo sabendo que tal ato de coragem não suscitará especial surpresa em rostos conhecidos - está mais para a audição de frases galvão-buenísticas, como o infame "eu já sabia!" -, tenho de vir a público e dizer que assumo.

Eu sou um nerd. E penso em dar início a uma espécie de ação afirmativa nerd. Por quê não uma bandeira nerd? Por quê não um dia do ano para ser comemorado o Dia do Orgulho Nerd? E por quê não uma Nerd Pride Parade? Vamos mostrar que as minorias - mesmo essa formada de pessoas pálidas de óculos - têm sua força! Um dia, lotaremos a Paulista!

Como todo nerd que se preza, adoro videogames. Sempre gostei. Talvez minha personalidade nerd tenha nascido de uma escolha de meus pais: ganhei um ATARI 2600 de presente aos 5 ou 6 anos de idade. Naquele momento, alguns leques de escolha foram fechados. A partir de então, preferiria movimentar os dedos e grudar o olho na tela a andar de bicicleta ou jogar bola.

No entanto, o mundo definitivamente não era dos nerds nas décadas de 80 e 90 - e, assim, fui desenvolvendo uma certa estratégia de disfarce. Sobrevivência é adaptação, já o pensavam Darwin e Wallace. Então eu deixava de estudar, por exemplo, pois estudar era coisa de nerd. Se fosse muito bem na escola e fizesse todas as lições, todo mundo iria saber que eu era um nerd. E falar que eu ouvia Jean Michel Jarre e Simon & Garfunkel seria como assinar um atestado de nerdismo. Nerd, eu?

Mesmo assim, nunca deixei de jogar videogames. Tive todos os consoles possíveis até o Super Nintendo. (Este legado continua vivo na figura do meu irmão. O rapaz vai ter um PS3, provavelmente). E nunca tive vergonha disso, muito pelo contrário. Anos de experiência sempre me garantiram competência em todo tipo de jogo. Era a minha droga, o lugar de minha afirmação durante boa parte da adolescência.

É óbvio que o ingresso numa faculdade, as mulheres, o álcool y otras cositas más me afastaram dos joysticks por um certo tempo. Como dizia um colega de classe da PUC, "eu jogava RPG, até que um dia eu descobri as mulheres". Meu lado nerd havia adormecido. Até que um dia...

Eu havia deixado a faculdade de Direito para fazer História pensando nas estrelas. E foi no meio desse caminho de volta que reapareceu a gloriosa Blizzard Entertainment, com o lançamento do Warcraft 3. Redescobri os tempos de Diablo, Warcraft 2 e Starcraft. Minha casa passou a ser uma lan house mambembe onde se reuniam pessoas da minha idade, nerds enrustidos como eu, para cantar loas ao mundo dos botões e da tela brilhante. As preocupações diárias estavam mais para montar estratégias e combinações de magias do que decifrar um texto de Michel Foucault. Me redescobri nerd, em todo o esplendor da palavra.

A Blizzard foi a culpada. Essa maldita empresa que lança um mísero jogo a cada dois ou três anos me tentou, ultimamente, com o World of Warcraft. Uma mensalidade em dólares e a possibilidade de perder a vida social me afastaram do WoW. Sei de pobres almas que vivem nessa Matrix com ares de medievo e só saem de lá para confraternizar com os amigos num churrasco. Embora ainda jogue uma ou outra partida de Warcraft 3, estou muito distante dessa dependência toda.

Mas eis que, no decorrer da vida, surgem coisas das quais é impossível desviar. Há pouco tempo, numa madrugada dessas, fui surpreendido por algo inimaginável, que acendeu em mim um brilho há tempos perdido e me faz dormir querendo despertar. A Blizzard vai produzir a sequência de Starcraft. Quero me perder, me lambuzar todo nesse Starcraft 2, me viciar, e por muito tempo. E quero o jogo inteiro, não me contento com versões demo.

Blizzard, eu te amo!

PS: Você, que é nerd, entre no Jovem Nerd e seja feliz. Há tempos, Alottoni e Azaghâl, o Anão, fazem a alegria do mundo nerd.

13 de agosto de 2007

Imagem da semana

"HAL, abra essa porta!"



A piadinha é sem graça, mas a notícia está aqui.

9 de agosto de 2007

Vida em desequilíbrio

A humanidade vista de longe, muito longe. Nossos sonhos vistos por olhos estranhos. Koyaanisqatsi, filme de Godfrey Reggio, de 1982.

Artérias


Comida é água


Sonho e realidade


A música é de Phillip Glass.

Aulas em órbita

E deu certo. Segundo o cara que faz a contagem regressiva, foi colocada "uma sala de aula no espaço". As referências à questão abordada no post anterior foram ainda mais óbvias: "Morgan correndo ao espaço sobre as asas de um legado", diz o narrador.

Às vezes eu queria ser um astronauta. Ao infinito e além!




PS: notem que a velocidade do Endeavour chegou fácil, fácil a 5000 milhas por hora (~ 8000 km/h) lá em cima.

7 de agosto de 2007

A redenção

Está previsto para amanhã o lançamento da Endeavour, em mais uma missão destinada a continuar a construção da estação espacial internacional. Mas a missão vem ganhando um interesse midiático cujo foco passa longe da ISS e reúne as paixões humanas pelo drama e pela redenção.

Uma professora de ofício está entre os sete astronautas selecionados para a missão: trata-se de Barbara Morgan, 55 anos, 22 deles esperando para embarcar num ônibus espacial. Não são novas as intenções da NASA em enviar um professor de high school para o espaço em troca de atenção e promoção ao programa espacial. E é aí que se desenrola um final típico de filmes com trilha sonora de James Horner: Morgan era a "reserva" de Christa McAuliffe, a infortunada professora que morreu no desastre da Challenger, em 1986.

Um vídeo é particularmente interessante e, por assim dizer, doloroso. Ele mostra o lançamento e posterior tragédia da Challenger sendo observados justamente por Morgan. Há inúmeros vídeos sobre a Challenger no Youtube, incluindo aquele clássico e chocante flagrante da família de Christa reagindo à desintegração da nave. Mas este é o que resume melhor a situação de amanhã. Atenção para alguns detalhes tristes: primeiro, Morgan dizendo, no início do lançamento, "bye Christa, bye crew"; notem, mais adiante, que logo depois do centro de controle ordenar que a Challenger suba uma marcha ("go with throttle up") há uma empolgação inicial de Morgan, que logo se transforma em desespero. É o momento em que o ônibus espacial explode espetacularmente. Ninguém entendeu, de imediato, o que estava se passando.



Que o final dessa história seja mesmo uma redenção, dessas lacrimosas, dirigida por James Cameron, com trilha de James Horner a acompanhar uma tremulante bandeira norte-americana e o diabo a quatro. Até mesmo isso seria melhor do que outra tragédia espacial.

5 de agosto de 2007

F1. Esporte canalha.

Veja isso:



E depois isso:



Ninguém presta.

Tá melhor assim?

4 de agosto de 2007

Depois da vida, a goleada!

O prognóstico já era ótimo: a Ponte nunca havia perdido para o Santa Cruz e vinha de uma goleada sobre o Ipatinga, 5 a 1 (obviamente testemunhada in loco por este escriba). Além disso, o Majestoso contava com a ilustre presença de minha mãe. Esses fatores, somados ao otimista e quase certeiro vaticínio de uma amiga ("hoje vai ser de 7"), só poderiam conspirar para mais uma goleada histórica.

E foi.

Ponte seis, Santa zero.


3 de agosto de 2007

Depois do caos, a vida!

´cause I want it now

I want it now

Give me your heart and your soul

2 de agosto de 2007

Caos

Construir um discurso racional em horas absurdas não é simples. São bravos os leitores que continuam acessando o "Pálido" mesmo depois do blog ter-se tornado um canal para a expressão caótica de minhas pulsões. Apolo está muito longe daqui e, mesmo assim, pessoas que nem mesmo sei quem são continuam a ler o que aqui é publicado.

Não sei o que pode ser interessante nestas frestas de mim. Talvez alguns de vocês se identifiquem com as poesias, com as angústias. A quem me conhece, quem sabe interesse a compreensão do que se passa aqui dentro. Ainda bem. Isso mantém o blog minimamente divertido, pra mim e, espero, também pra vocês.

...

?

?

?

Caos.

Caos...

Impulsos sem rumo.

...

...

O sangue congela.

O corpo congela.

O coração congela...

...

Que frio!

...

...

A rua está ficando cinza?

Cinza?

A rua está ficando cinza?

A rua está ficando cinza!

...

...

Daqui a pouco, o sol

Daqui a pouco, as cores

Daqui a pouco, o calor

Daqui a pouco, a luz

...

E depois a noite de novo

E o frio de novo

Que congela!

Não!

Não!

...

...

...

Living my pyramid song

I jumped in the river, what did I see?

A blue-eyed angel swam with me

None of my lovers were there with me

None of the things I used to see

There was something to fear, something to doubt

But I might be wrong

I might be wrong

...

...

...

Sonho

Sonho

Sonho

Pesadelo

Sonho

Pesadelo

Sonho

Sonho

Pesadelo

Sonho?

Pesadelo?

Pesadelo!?

...

...

...

...

...

...

...

Go to sleep.

1 de agosto de 2007

Piada pronta

Cléber Machado anuncia: "Allan Kardec faz o gol do Vasco no Beira-Rio".

Trata-se de um gol espírita.

Não entendeu? Foda-se!

Run, Galvão, Run!

Você que é pílula vermelha, anti-nacionalista e anti-Globo, clique aqui e leia um feroz texto de Flávio Gomes, o jacobino raivoso, sobre o Pan. Vai, clique lá, vale muito à pena.

E pra você que engoliu esse engodo nacionalista todo, clique aqui e seja feliz.

Meaningless


Como lidar com uma realidade que não aponta para direção nenhuma?

Da Wikipedia:

O Sol é a estrela central do nosso Sistema Planetário Solar. Atualmente, sabe-se que em torno dele gravitam pelo menos 8 planetas, 3 planetas anões, 1600 asteróides, 138 satélites e um grande número de cometas. Sua massa é 333.000 vezes a da Terra e o seu volume 1.400.000 vezes. A distância do nosso planeta ao Sol é de cerca de 150 milhões de quilômetros (ou 1 Unidade Astronômica (UA) aproximadamente). A luz solar demora 8 minutos e 18 segundos (8'18") para chegar na Terra.

Como toda estrela, o Sol é uma esfera gasosa que se encontra em equilíbrio hidrodinâmico entre as duas forças principais que agem dentro dele: para fora a pressão termodinâmica, produto das altas temperaturas internas, e para dentro a força gravitacional.

31 de julho de 2007

Ondas e palavras

As ondas refluem e levam as palavras embora.

É pra isso, também, que servem poesias. Falam por nós todos.

E Vinicius fala por mim.


Diante de ti homem não sou, não quero ser.
És pai do menino que eu fui.
Entre minha barba viva e a tua morta, todavia crescendo
Há um toque irrealizado. No entanto, meu pai
Quantas vezes ao ver-te dormir na cadeira de balanço de muitas salas
De muitas casas de muitas ruas
Não te beijei em meu pensamento! Já então teu sono
Prenunciava o morto que és, e minha angústia
Buscava ressuscitar-te. Ressuscitavas. Teu olhar
Vinha de longe, das cavernas imensas do teu amor, aflito
Como a querer defender. Vias-me e sossegavas.
Pouco nos dizíamos: "Como vai?" Como vais, meu pobre pai
No teu túmulo? Dormes, ou te deixas
A contemplar acima – eu bem me lembro! – perdido
Na decifração de como ser?
Ah, dor! Como quisera
Ser de novo criança em teus braços e ficar admirando tuas mãos!
Como quisera escutar-te de novo cantar criando em mim
A atonia do passado! Quantas baladas, meu pai
E que lindas! Quem te ensinou as doces cantigas
Com que embalavas meu dormir? Voga sempre o leve batel
A resvalar macio pelas correntezas do rio da paixão?
Prosseguem as donzelas em êxtase na noite à espera da barquinha
Que busca o seu adeus? E continua a rosa a dizer à brisa
Que já não mais precisa os beijos seus?
Calaste-te, meu pai. No teu ergástulo
A voz não é – a voz com que me apresentavas aos teus amigos:
"Esse é meu filho FULANO DE TAL". E na maneira
De dizê-lo – o vôo, o beijo, a bênção, a barba
Dura rocejando a pele, ai!

30 de julho de 2007

Partes íntimas, volume 2

Postagem retirada por motivos... íntimos.

Sunshine

NASA/ESA - O Sol, 5 de novembro de 1997.


Uma pessoa decide ficar acordada até que o sol se mostre.

Os primeiros raios aparecem, Vênus aparece. À medida em que o céu se torna azulado, pessoas protegidas do frio saem de suas casas em busca de algo. Todas parecem apressadas. As felizes buscam um sonho. As tristes, só o sustento.

Todas essas pessoas caminham rumo ao sonho, ou sustento, como máquinas. Seus corpos obedecem a comandos automáticos enquanto suas cabeças estão um pouco longe - estão lá no sonho, e no sustento. O cotidiano lhes preenche toda a imaginação. Formigas marchando.

Não percebem, esses pobres animais, que algo muito maior acontece, algo muito mais fantástico e inacreditável do que aqueles sonhos absurdos em que se permitiram sonhar de fato. O Sol, força impensável da natureza, está começando a aparecer no horizonte e a mostrar seu encanto difícil de encarar, mas impossível de se desviar.

Os oprimidos pelo grande relógio continuam marchando, alheios ao espetáculo diário que faz sentir o tempo, a distância, a infinitude, a transitoriedade. Perdidos nos momentos de divagação cotidiana que lhes parecem eternizar a alma, esquecem-se do Sol e da própria angústia de quem vive: a morte. Vivem num mundo de sonhos, um modestíssimo mundo de sonhos.

O sol, então, já aparece por completo. Ele é um dentre muitos trilhões de pontinhos nessa existência toda. As estrelas não dão a mínima pra nós. Perto desses titãs, nossa vontade de potência é uma piada e o tempo que temos para viver é imensuravelmente exíguo. O tempo que temos para viver o que desejamos, então, é menor ainda.

O sol nos lembra que temos que viver o que desejamos viver. Ele pode se dar ao luxo da solidão por bilhões de anos - nós, não. Somos breves suspiros da natureza. Suspiremos alto, portanto. Imensamente alto.

26 de julho de 2007

Radiohead - parte ?

Eu poderia estar errado
Eu poderia estar errado
Eu poderia jurar que vi uma luz vindo

Eu costumava pensar
Eu costumava pensar
Que não havia restado futuro algum
Eu costumava pensar

Abra, comece de novo
Vamos cair a cachoeira
Pensar nos bons momentos e nunca olhar pra trás
Nunca olhar pra trás

O que eu faria?
O que eu faria?
Se eu não tivesse você

Abra e deixe-me entrar
Vamos cair a cachoeira
Ter pra nós um bom momento, não é nada
Não é nada
Não é nada

Nunca olhar pra trás
Nunca olhar pra trás

Sol de supernova

O Dream Theater, que é tão fraco de letra, me veio com essa agora há pouco:

Ainda acordado
Eu continuo me movimentando por aí
Cultivando a minha própria insensatez

Ainda acordado
Trazendo a mudança
Trazendo o movimento
Trazendo a vida

Chovendo
Chovendo
Chovendo profundamente no paraíso

E eu completo:
Aqui não
Pois aqui faz sol
Sol de supernova
Vou ver o sol nascer
No castelo

24 de julho de 2007

O sol da meia-noite


A foto foi batida por Raphael Moraes e Silva. Ele estava perto de Keplavick, na Islândia, às 11 horas da noite. Rapha tem material para posteriores pinturas, certamente.

Aliás,

a Terra é ou não é um planeta interessante?

22 de julho de 2007

Bala com asas de borboleta

Existem músicas, e mesmo bandas, que vivem adormecidas em nós. E que por vezes acordam, cheias de significados ainda não imaginados.

Smashing Pumpkins - Bullet With Butterfly Wings



O mundo é um vampiro, enviado para sugar
Destruidores de segredos, te mostram as chamas
E o que eu consigo, pela minha dor?
Desejos traídos, e um pouco do jogo

Mesmo que eu saiba - suponho que eu mostrarei
Toda a minha frieza e o meu frio e velho trabalho

Apesar da minha raiva sou apenas um rato engaiolado
Apesar da minha raiva sou apenas um rato engaiolado
E alguém dirá que o que está perdido nunca poderá ser recuperado
Apesar da minha raiva sou apenas um rato engaiolado

Agora estou nu, nada além de um animal
Mas você consegue fingir, apenas mais uma vez?
E o que você quer? Eu quero mudar
E o que você consegue, quando sente o mesmo?

Me diga que eu sou o único
Me diga que não existe nenhum outro
Jesus era um filho único
Me diga que sou o escolhido
Jesus era um filho único... para você

Apesar da minha raiva sou apenas um rato engaiolado
E eu ainda acredito que não posso ser salvo

Lá e de volta outra vez

Como previsto, não foi possível blogar durante a semana. Voltei ontem à noite de Porto Alegre, depois de quase dois dias de viagem - boa parte dela na famosa BR-116. O governo federal está duplicando aquele cemitério em forma de estrada, mas parece que vai demorar um pouco. A única coisa boa é que não tem pedágio. Foi gasto zero com esse assunto entre o Rio Grande e São Paulo. Mas foi só nos locomovermos um pouco em território paulista - com estradas melhores, reconheça-se - que quase vinte reais foram torrados. Nada contra os pedágios, tudo contra o altíssimo valor pago para rodar poucos quilômetros.

Enfim, críticas aos pedágios estão longe da novidade. O novo ficou lá no sul. Voltemos pra lá, então.

Porto Alegre surpreende pela péssima sinalização. Quer dizer, seria péssima se ela existisse. Um exemplo: a placa que sinaliza a entrada à direita para chegar a São Leopoldo fica... já dentro da própria via à direita! Bah, tchê!, ninguém no carro era clarividente, nem mesmo o motorista, cuja auto-representação é a do HAL 9000, o computador que nunca erra. Contamos, portanto, com a boa vontade dos gaúchos, sempre muito solícitos, para nos explicar os caminhos dos pampas: "tu não vai te perder", "tu margeias o Guaíba". Sempre com aquele sotaque cantado que a muito custo tentávamos imitar. Assim como no Rio, em que pedíamos por um "mishto quente", certamente soamos ridículos: "bah, como é que faz pra chegar na Farrapos?", indagava Rodolpho. Foi divertido.

Mais divertido ainda foi ver o Corinthians tomar um ridículo 3 a 0 do Inter em pleno Beira-Rio.
Lindo estádio, torcida fanática. Quase 20 mil pessoas, mais de 14 mil sócio-torcedores às 10 da noite de uma fria quarta-feira. Com banheiros utilizáveis e cerveja (com álcool) vendida dentro do estádio, não há do que os colorados reclamarem mesmo. Para inveja de pontepretanos e bugrinos. Rogério, o Guerreiro da Tribo, remoía-se, como eu, de toda aquela estrutura. O jogo mesmo foi fraco, mas serviu pra animar até mesmo a Vanessa, tadinha, perdida num estádio de futebol. Numa falta no círculo central, perguntou se havia sido impedimento. Os gols ela entendeu, lógico. O gol é a linguagem universal do futebol.

Mas fomos a Porto Alegre para a ANPUH, que aconteceu na Unisinos, em São Leopoldo. A Unisinos pode ser caracterizada como uma universidade que margeia um shopping. Sim, há um shopping no meio da Unisinos. Perto dela, a Unimep, em Piracicaba, é um reles mall. Bizarro.

A ANPUH pode ser caracterizada como uma reunião de gente com cara de intelectual enfiada num casaco com cachecol articulando discursos-padrão na seguinte fórmula: "O trabalho abarca questões que perpassam uma temática multidisciplinar e propõe, a priori, deslocamentos de abordagens múltiplas por territórios teóricos cujos matizes apontam para (re)significações e (re)construções do sujeito enquanto agente transformador". E ainda participei de um mini-curso em história da ciência cujos vôos para os lados de Deleuze e Foucault aprofundaram minha ausência mental. Ausência com certificado, diga-se.

Não que não houvesse muita gente com coisas interessantes pra dizer, é claro. Mas isso fica pra outra hora. Aliás, a genialidade que não encontrei na ANPUH veio no muro do Hotel Roma, no qual nos hospedamos. "Quem tem boca vai no Roma", dizia a fantástica peça publicitária. Procurei pelo logo da W/Brasil no muro mas não achei. O Washington Olivetto deve ser um cara muito modesto.

Quem tem boca vai no Roma, mas vai no Alfredo também. Lanchonete/restaurante encontrado ao acaso no desespero da fome numa cidade desconhecida, o Alfredo é uma casa que se orgulha de ter sido frequentada pelo Brizola e sintetiza a relação custo-benefício da comida na capital gaúcha: porção de batata, 4 pilas; risoto, 6. Come-se bastante, e barato, por lá. Talvez seja para recuperar as energias de um caminho erradamente indicado pela péssima sinalização porto-alegrense.

13 de julho de 2007

Recesso(?) programado

Aviso aos meus 17 milhões de leitores.

Este blog irá para São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, para participar do XXIV Simpósio Nacional da ANPUH - Associação Nacional de História. Gostaria de escrever minhas impressões sobre as apresentações e cursos que presenciar por lá, mas tudo dependerá da disponibilidade de tempo, de computador, e de dinheiro, por conseguinte. Sou professor.

Enfim, pode ser um recesso bloguístico, pode não ser. Ou não.

PS: Luis, quero só ver quando é que você vai receber a grana emprestada. Até a Copa de 2014 eu te pago. Em ticket.

11 de julho de 2007

Sobre tripods e a realidade

A famosa e já clássica "Intersection Scene", do Guerra dos Mundos. Trata-se de uma das mais inventivas e bem executadas cenas de ação que eu já vi. Spielberg transforma os elementos criados por computador em parte integrante daquela realidade que quer representar. A todo momento, a máquina é vista através de outros elementos do filme. A observamos por meio de reflexos numa vitrine e nos vidros dos carros. O máximo do efeito de realismo se dá quando Spielberg filma o início da matança por meio do visor de uma outra câmera, caída no chão. Naquele momento, é como se quisesse dizer: estou filmando algo que está filmando esta realidade exterior. Pronto. A realidade está construída e as pessoas estão prontas para ficar sem fôlego nos próximos dois minutos.

Ruindo...

O que é melhor do que estes sons e estas palavras voando em ondas pelo ambiente e transformando organismos inteiros em mares revoltos?

Falling Away With You

I can't remember when it was good
Moments of happiness elude
Maybe I just misunderstood

All of the love we left behind
Watching our flash backs intertwine
Memories I will never find

So i'll love whatever you become
Forget the reckless thing we 've done
I think our lives have just begun
I think our lives have just begun

And I'll feel my world crumbling
I feel my life crumbling
I feel my soul crumbling away
And falling away
Falling away with you

Staying awake to chase a dream
Tasting the air you're breathing in
I know I won't forget a thing

Promise to hold you close and pray
Watching the fantasies decay
Nothing will ever stay the same

And all of the love we threw away
And all of the hopes we've cherished fade
Making the same mistakes again
Making the same mistakes again

And I'll feel my world crumbling
I feel my life crumbling
I feel my soul crumbling away
And falling away
Falling away with you

All of the love we left behind
Watching our flash backs intertwine
Memories I will never find
Memories I will never find

10 de julho de 2007

A Bruxa de Kepler


No ano de 1577, um grande cometa apareceu nos céus. Dentre as incontáveis e no mínimo intrigadas pessoas que o observaram, uma mulher e seu filho, Johannes Kepler, então com seis anos de idade, contemplavam-no do alto de uma colina próxima à pequena cidade alemã de Weil der Stadt.

Um cometa, nos diz a atual astronomia, é um pequeno corpo composto de gelo e rochas que orbita o Sol em trajetória elíptica e, quando dentro da região em que orbitam os quatro planetas mais próximos da estrela – a Terra é um deles –, exibe aos observadores terrestres uma cauda de poeira e gases. Seu formato e aparição peculiares geraram, como se pode esperar, inúmeras interpretações nas mais variadas culturas. O cometa de 1577 foi associado, na Escócia, a uma grande batalha e três reis mortos. O que quer que Kepler e sua mãe pensaram enquanto observavam o misterioso astro, provavelmente estava bem longe da representação astronômica atual. E, no entanto, a moderna astronomia deve muito a Kepler.

Entre muitas outras realizações caras à ciência atual, Johannes Kepler foi, talvez tanto quanto Galileu Galilei, decisivo para a vitória do copernicanismo, o conjunto de idéias que tirou a Terra do centro do Universo para colocá-la girando em torno do Sol. Kepler criou uma explicação para o movimento dos planetas no sistema solar fixando as bases para que, muitos anos mais tarde, Isaac Newton desenvolvesse a teoria da gravitação universal. Enquanto elaborava essa explicação, enunciada pelas famosas Três Leis que levam seu nome, Kepler sofreu com perseguições religiosas, a morte de vários filhos, e se viu envolvido na elaboração da defesa judicial de sua mãe, Katharina, acusada de bruxaria.

As realizações intelectuais de Kepler sendo influenciadas e mesmo respondendo à cultura de seu tempo e às vicissitudes e tragédias de sua vida é o tema de A Bruxa de Kepler: a descoberta da ordem cósmica por um astrônomo em meio a guerras religiosas, intrigas políticas e julgamento por heresia de sua mãe, de James A. Connor. O autor é um professor universitário em Nova Jersey cuja ampla formação inclui geociência, filosofia, teologia e literatura. O fato de Connor ter sido no passado um padre jesuíta pode ajudar a entender a amplitude de sua formação, que se reflete na própria abordagem da obra. No entanto, em que pese o fato de ser uma obra de difícil definição, dado seu amplo e múltiplo caráter, pode-se dizer que A Bruxa de Kepler é um livro de história da ciência.

Um dos grandes méritos do livro reside no esforço de Connor em penetrar a fundo nas duas principais cosmologias conflitantes dos séculos 16 e 17. O universo aristotélico, principalmente, ganha em A Bruxa de Kepler uma visão mais "de dentro", o que nos permite enxergar os motivos do profundo enraizamento do modelo geocêntrico na cultura européia do início do período moderno. Há passagens surpreendentes que subvertem o senso comum sobre o universo aristotélico. Para quem está acostumado a pensar no heliocentrismo como mais um passo rumo às grandes humilhações que revelaram a insignificância de nossa existência, não deixa de ser espantoso o seguinte trecho:

Aristóteles jamais pensou na Terra como um lugar especial ou a menina dos olhos de alguém. A Terra ocupava a posição mais baixa no cosmo, onde tudo que era caótico e tudo que era corruptível no fim se assentava. O mundo sob a esfera da Lua era a privada do universo, onde os seres vivos nasciam e depois morriam, onde mais cedo ou mais tarde toda a vida retornava para apodrecer. Só os céus eram eternos; só os céus eram divinos. A redefinição da Terra como um planeta, como fez Copérnico, na verdade a colocou nas esferas celestes junto com outros planetas e elevou os valores de propriedade ao redor.

Resta a ressalva de que Connor não é louco de tentar reabilitar o cosmos aristotélico. Faz questão de ressaltar aquilo que todo mundo sabe: Aristóteles pode não ter dado um status muito privilegiado para a Terra mesmo, mas para os cristãos a Terra era o lugar onde o próprio filho de Deus, o Criador, havia vivido como um reles ser humano, um simples mortal, a fim de salvar a humanidade. A humanidade e, por conseqüência, a Terra, tinham um lugar muito privilegiado no cosmo cristão. Colocá-la num sistema ocupando um lugar e a função de outros astros mais ou menos parecidos (os planetas) rompia radicalmente com esse privilégio.

Além da discussão cosmológica de fundo, o leitor poderá encontrar na obra análises minuciosas sobre as idéias de Kepler e aquelas com que ele se deparou ao construir suas explicações astronômicas. Além disso, um dos objetivos de Connor é contextualizar os feitos de Kepler que passaram à posteridade como científicos. Apresentá-los em meio à relação entre o astrônomo e a realidade à sua volta. Realidade que, obviamente, não se resume apenas aos colegas de profissão, estudiosos, livros e cálculos matemáticos. Numa complexa trama, ciência, política, religião, idéias, técnicas, doenças, sexo, dores e perdas, entrelaçam-se para forjar o sujeito histórico que ajudou a impulsionar uma mudança radical na visão humana do universo. As leis de Kepler referem-se aos céus, mas não são celestiais.

De onde você vem?