16 de março de 2010

Tá explicado

Consultor da Red Bull diz que Mercedes não quis fornecer motores por medo da competição.

E tiveram que continuar com os fracos e problemáticos Renault.

Uma noite na ópera (2)

Não quero parecer pedante. Não quero parecer ter uma cultura que não tenho. Não conheço muito mais sobre música clássica do que algumas coisas que vinham naqueles discos da revista Caras (credo!), Jóias da Música, que minha mãe comprou no começo dos anos 90.

Por exemplo, o título desses posts sobre música é trivial: é o nome de um grande álbum do Queen (assim como o “Um dia nas corridas”). A formação do meu ouvido musical é guiada quase inteiramente pelo rock (ou melhor, por uma parte do que é considerado rock – não conheço quase nada de Beatles, por exemplo). Não sei nada de ópera. Não conheço nenhuma e estou à espera do meu amigo Robson Buck me ensinar a ouvir Carmen de Bizet, que ele diz ser uma maravilha. Se eu ouvir agora, sem qualquer preparo, vou me perder nos primeiros 30 segundos e a experiência não terá muito sentido.

Mas um dia assisti a um vídeo das palestras do maestro e compositor norte-americano Leonard Bernstein, o cara que concebeu os tais “concertos para a juventude”. A apresentação didática de Bernstein sobre o primeiro movimento da Sinfonia 40 de Mozart, explicando a mozarteana ambiguidade entre imaginação cromática e contenção diatônica, estourou meus miolos (essa expressão não funciona muito bem traduzida, né?). Comecei a perceber (ou pensar perceber) sutilezas nessa conhecidíssima e popular peça musical. Graças a Bernstein (e a Norbert Elias e Peter Gay, dois intelectuais peso-pesado que se dedicaram a entender algumas das dimensões sociais e históricas da vida de Mozart), estou começando a realmente desfrutar do prazer de ouvir a beleza nesse tipo de música.

Naquele mesmo vídeo, Leonard explica uma inspiradíssima idéia mozarteana presente no quarto movimento da 40 (a partir dos 8 minutos). No vídeo abaixo, com o quarto movimento sendo conduzido por Karl Böhm, a ideia está na passagem entre 1:51 e 2:01. Nesses 10 segundos, Mozart colocou todas as notas da escala cromática, menos a nota tônica, G ou sol. Bem no meio de um movimento em que tudo parece estar perfeitamente no lugar, Mozart joga um trecho que fica entre o esquisito e o desconfortável. E porque parece assim tão diferente? Pois está faltando algo, justamente a tônica, que daria ordem ao aparente caos. Nossos cérebros sequer precisam de qualquer teoria musical para perceber que está ali um trecho muito diferente do resto. E que torna a experiência ainda mais enriquecedora.

Bom, vou deixar de falar sobre algo que não sei explicar. Fiquem com o delicioso movimento final da 40, pois Mozart explica a si mesmo.

15 de março de 2010

É a aerodinâmica, cazzo!

Instantâneo da dobradinha ferrarista no Bahrein


Um dia depois do Grande Prêmio do Bahrein, uma enxurrada de reclamações de telespectadores lotou a caixa de comentários do site sobre F1 da BBC. Há uma unanimidade: a corrida de ontem foi chata, muito chata. A FIA conseguiu o que parecia ser uma proeza: tornar a F1 mais previsível do que já era. Este é, segundo as notícias que pipocaram aqui e ali, um consenso até mesmo entre equipes e pilotos. Quase todo mundo acha que o problema está no novo regulamento.

Havia uma grande expectativa com a nova regra de banimento do reabastecimento. A ideia, teoricamente, é boa. Com o reabastecimento, a F1 viu 15 anos de trocas de posições nos boxes, graças mais aos estrategistas do que ao arrojo dos pilotos. Banindo esta variável, quem quer superar um rival deve, forçosamente, ultrapassá-lo na pista. Esperavam-se disputas por posição no fim da corrida, em que pilotos e carros que tivessem um consumo mais elevado dos pneus se vissem em dificuldade de segurar um carro mais rápido. Nada disso veio. Pelo contrário: o que se viu foi uma grande preocupação em poupar o equipamento. Os pilotos eram instruídos a não andarem muito próximos do carro da frente, pois a turbulência diminui a aderência e superaquece o motor. Com menos aderência, maior o uso da borracha. Correr o risco de danificar o motor também tem uma grande conta a cobrar: punições com perda de 10 posições no grid para quem usa mais do que seis deles durante a temporada. Já falam em tornar obrigatórias duas trocas de pneus, e não mais apenas uma.

Não quero dar uma de quem sabe mais do que o Schumacher ou os chefes de McLaren e Red Bull, para quem as novas regras aumentam o caráter processional da F1. Mas meus dois cents sobre essa questão estão aqui: o problema, como sempre, não é a ausência do reabastecimento ou qualquer outra coisa. É a dependência aerodinâmica dos carros de F1.

Quem acha que a volta dos reabastecimentos pode tornar as corridas mais interessantes parece não se lembrar de como eram as corridas até o ano passado. Ok, havia trocas de posição, mas não na pista. A única imprevisibilidade estava em saber quanto de gasolina o sujeito iria colocar na primeira parada. Todo mundo sabia com quantos kilos de combustível cada um dos pilotos estava largando e, salvo um ou outro caso especial, depois do primeiro pit já se previa de maneira acurada as primeiras colocações no fim da corrida. Se dois carros em estratégias diferentes se deparavam na pista, o mais rápido não tinha condições de ultrapassar, mesmo 1 ou 2 segundos mais rápido que o da frente. Este só seria ultrapassado nos boxes, pela estratégia.

Por que era (e continua sendo) tão difícil ultrapassar? Há vários fatores, entre eles os hiper-eficientes sistemas de freio - que permitem frear praticamente dentro da curva, dando pouco espaço para o ataque na frenagem, fundamental em 9 entre 10 movimentos de ultrapassagem entre carros parelhos (frear mais dentro do que todos os outros é o que tornava Senna um dos ossos mais duros de roer numa pista de corrida). Mas o fundamental é a enorme dependência aerodinâmica na aderência dos carros. Andar muito perto do carro à frente - pré-requisito para a ultrapassagem - é quase impossível porque pega-se toda a turbulência deixada para trás. Desse jeito, a aerodinâmica de quem tenta pressionar o da frente não funciona direito, o carro gruda menos na pista e sua velocidade nas curvas - especialmente nas de alta - cai.

Até 2008, os pneus tinham sulcos que diminuíam sua importância na aderência. Uma das primeiras medidas do Comitê da Ultrapassagem (ou algo do gênero) criado pela FIA foi trazer de volta, em 2009, os pneus slicks e sua área de contato maior com a pista. Isso aumenta a aderência mecânica e diminui a dependência aerodinâmica. Outra mudança para 2009 foi a drástica reforma do design aerodinâmico dos carros, que passaram a ter um aerofólio dianteiro maior e o traseiro, menor, além de banir aquele monte de aletas e penduricalhos que deixavam os carros com um visual esquisito.

Tudo isso era ótimo e prometia disputas na pista. Mas uma "leitura diferente" do regulamento deu à Honda uma solução criativa para driblar a ineficiência aerodinâmica do novo design: os difusores duplos. A Brawn passeou em 2009, em grande parte, graças aos seus difusores. Aprovado pelo FIA, o difusor da ex-Honda foi copiado por todo mundo e, hoje, é uma peça fundamental na manutenção da aerodinâmica excepcional dos F1. O equilíbrio continua sendo responsabilidade da aerodinâmica, e o desequilíbrio, de sua ineficiência quando o carro enfrenta a turbulência de quem vem à frente. Não há habilidade, arrojo ou pneus em melhor estado que compensem essa desvantagem. Não vai ser um pit-stop a mais, a volta do reabastecimento ou motores ilimitados que vão corrigir essa falha. Não sou engenheiro, mas me parece bem claro que a melhor solução é diminuir o arrasto aerodinâmico e incentivar a aderência mecânica, alargando os pneus e aumentando sua área de contato. Diminuir o poder dos freios também seria ótimo.

De toda forma, não podemos esquecer que essa foi apenas a primeira corrida da temporada. E foi num circuito horrendo, que só permite ultrapassagem em corrida de F3 pra baixo. Eis um outro fator, menor se comparado à aerodinâmica, da falta de disputa na pista. Sou otimista e acho que as procissões tendem a acabar quando chegar a hora de pistas mais interessantes, como Spa e Interlagos. Que, infelizmente, estão em extinção - cortesia de Bernie Ecclestone e Herman Tilke.

De resto, é rezar pra chover.

14 de março de 2010

1 - Bahrein (corrida)


Era previsível que o Alonso conseguisse passar o Massa na primeira curva. Largou na parte boa, tracionou melhor, a segunda perna do S era pra esquerda e ele ficou por fora, inteligentemente. Na largada, dos 8 primeiros, todos os que largaram na parte limpa ganharam a posição de quem largou uma posição à frente, no sujo.

Não gosto desse espanhol. É cheater e é apoiado por uma imprensa mais baba-ovo do que a Globo na época do Senna. É excelente piloto também, mas o Massa tem muita chance de brigar de igual pra igual durante o campeonato. Sem pachequismo, torço muito pro Massa entubar o Alonso.

Vettel foi brilhante, de novo. Não deu pra entender (contrato?) o motivo da Red Bull ter continuado com o motor Renault (havia fortes indícios de que a equipe tivesse os motores Mercedes pra esse ano). Foi o ponto fraco na disputa pelo título no ano passado. Tende a ser o deste ano também.

A corrida do Vettel, hoje, me lembrou um pouco o que o Senna passou com a Lotus em 85/86. O chassis era bom, mas o motor afundava. No caso do Senna, o maior problema era consumo. No do Vettel, confiabilidade. Para ambos, o problema se chamava Renault.

O "menino Vettel" é o melhor, mais talentoso, piloto do grid atual. O que ele fez pra segurar o Rosberg no final, com o motor miando, não tá no gibi. Minha torcida é pra ele ser campeão esse ano.

Como no treino, Button só vai enxergar o Hamilton de luneta esse ano. Vai passar pra história como outro Damon Hill.

E o Schumacher? Deve estar se perguntando: onde é que eu fui me meter? Todo mundo que gosta de automobilismo, lá entre os anos 2000-2004, devia sonhar com uma F1 mais parelha em que o Schumacher tivesse que derrubar uma ou outra gotinha de suor pra conseguir alguma coisa. Tomara que acerte a mão, o queixudo. Aí teremos o prazer de vê-lo repetir coisas geniais, como Imola/2005.

A corrida, em si, foi desapontadora. De quê adianta, FIA, constituir um "comitê da ultrapassagem" e todo o esforço pra diminuir o arrasto (além de abolir o reabastecimento) se permitem difusores gigantes que impedem o povo de andar mais colado no carro da frente? Por mais um ano, vamos assistir às mais caras e velozes procissões do mundo.

Um dia nas corridas (2)

Isso aqui é mais selvagem do que Villeneuve vs Arnoux em Dijon/79.

13 de março de 2010

1 - Bahrein (treino)


Massa 1 x 0 Alonso. Mais de 0s3, sem diferença de combustível. Pena que vai largar na parte suja e, por isso, tende a perder a posição na primeira curva.

Se o Felipe tiver um pouco da sorte que lhe costuma faltar, entuba Alonsito nesse mundial.

E aguente a imprensa espanhola.

Outro que venceu a primeira batalha psicológica contra um monstro foi Nico Rosberg. 0s2 em cima do queixudo. Enferrujado, Schumacher ainda não é o mesmo. Vettel continua sendo Vettel e cravou a pole, sai do lado mais limpo da pista, e tem tudo pra vencer amanhã.

Hamilton, por sua vez, vai dar uma luneta pro Button todo treino.

E temos oito candidatos plausíveis à corrida de amanhã.

Tabela de tempos, aqui.

12 de março de 2010

ComCiência, update de março


Está na rede o dossiê do mês de março da Revista ComCiência. O tema é "Música e Ciência".

Minha colaboração, neste mês, foi com uma resenha de um livro de divulgação científica muito interessante: This is Your Brain on Music: the science of a human obsession, do neurocientista (e músico) Daniel Levitin.

Descontem o título meio corny da resenha. Não consegui bolar outro melhor.


O maestro e compositor estadunidense Leonard Bernstein, que tinha um profundo interesse nas relações entre música e linguagem, gostava de reafirmar o poder metafórico da música, um instrumento para a tentativa humana de nomear o que não pode ter nome e conhecer o insondável. Numa de suas famosas palestras nos anos 1970, em Harvard, disse que “a música tem o poder da expressividade e o ser humano tem a capacidade inata de responder a ela”. Quase quatro décadas depois, a ânsia por entender nossa relação com a música se mantém intacta, mas incorpora agora os avanços das neurociências, que criaram ainda mais questões: como funciona o nosso cérebro quando estimulado pela música? Como se dá nossa compreensão dos estímulos musicais? Como nosso cérebro desenvolve a música? Por que nós, humanos, a criamos? Essas e outras perguntas são o assunto do livro This is your brain on music: the science of a human obsession, do músico e neurocientista Daniel Levitin.

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Edit:

1. Para quem se interessou pelo This Is Your Brain on Music e está sem grana pra comprá-lo na Amazon, vai aqui um link onde você pode encontrá-lo em PDF. Se você gostar do que ler e tiver grana suficiente para comprar o livro, compre-o.

2. Quer ver o próprio Levitin apresentando o livro? Clique aqui (talvez só funcione no Internet Explorer).

Um golaço (2)

Não sei o que é melhor nesse gol: se os dribles no meio campo, a finalização magistral ou a reação hilária do Cantona.




Em homenagem ao Manchester United, que humilhou o Milan na quarta.

11 de março de 2010

Chance, o jardineiro

Chance Gardner flutua


Acabo de assistir a um filme bonito, muito bonito. Being There, de 1979, um dos últimos trabalhos do Peter Sellers. O grande Peter Sellers! A cena de outtake, nos créditos finais, é engraçadíssima. (Eu ia dizer: comovente. Mas seria injusto. Comovente é a morte, nunca uma interpretação de Peter Sellers).

O filme retrata um idiota, um sujeito alienado, que involuntariamente transforma mal-entendidos em sucesso social. Esse plot, que Forrest Gump vai explorar uns 15 anos depois, me parece ser o de menos. Nas entrelinhas, acho que está a noção de que discurso algum, por mais certo que seja, por mais sentido que faça, jamais terá realmente qualquer sentido real. Talvez o filme seja uma alegoria sobre isso.

Me identifiquei com o personagem. Acho que sempre fui discriminado pelo meu jeito aéreo. Sou um viajandão, segundo um jornalista, colega de classe. Nunca consegui uma sociabilidade de que me considerasse merecedor. Quando fiz parte de uma turma legal (da qual escolhi me desfazer), me sentia amado e admirado, mas ao mesmo tempo uma pulga me beliscava atrás da orelha: será que estou interpretando errado a forma como me vêem? Será que não sou um idiota? Será que tenho alguma noção de como sou percebido pelos outros? E se eu soubesse que sou o oposto daquilo que penso ser? Steve Carell, falando sobre seu personagem Michael Scott, do The Office, disse que Michael é "uma típica pessoa que, se tivesse uma mínima noção do quê realmente é, sua cabeça explodiria". Será que um dia minha cabeça vai explodir? Essa pulga sempre esteve comigo, e temo que nunca vai me abandonar.

É aí que termina minha identificação com Chance, o jardineiro. Ele sequer desconfia que seja um idiota, alienado, bobo. Sua vida são as plantas, as flores, as árvores, é leve, flutua. Sua absoluta ingenuidade o impede de ver, inclusive, sua crescente importância social. Por isso, ele não tem contas sociais a pagar. Não conhece, nem teme, a autoridade. Sua ânsia por ser aceito e reconhecido não existe. Tudo o que precisa é de um jardim.

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PS: Não quero ser um outrista que, segundo o Luis Fernando Veríssimo, sempre tem alguma outra coisa melhor em alternativa a algo estabelecido: "tá certo, o Rooney é bom, mas excelente mesmo é o Finazzi". O discreto Being There é muito, muito melhor do que seu popular parente, Forrest Gump. Link para o torrent, aqui.

9 de março de 2010

Uma noite na ópera (1)

Para estufar esse filó como eu sonhei
Só se eu fosse o rei



Quisera eu ter qualquer sentimento diagonal, pra rasgar o chão e costurar a linha.

7 de março de 2010

Um dia nas corridas (1)

Comecemos pela mais absurda decisão de título da história.

Pobre Massa.

6 de março de 2010

Clichês

Lendo uma crítica do filme novo do Scorsese, encontrei uma frase do Umberto Eco:
“Two clichés make us laugh but a hundred clichés move us, because we sense dimly that the clichés are talking among themselves, celebrating a reunion."

4 de março de 2010

Um golaço (1)

Faz muito tempo que eu estava tentando reencontrar esse gol. Não lembrava o nome do jogador. Era o genial Matt Le Tissier.



Le Tissier não é um "one hit wonder", não. Ficou a vida toda no Southampton, mas marcou alguns dos gols mais bonitos da história.

Seções

Enquanto engreno o blog aos poucos, vou copiar descaradamente o Pedro Dória (o melhor blogueiro do Brasil, já que o Hermenauta aposentou). Haverá três seções semanais com algum vídeo ou música, com ou sem texto meu, para o caso de eu não ter inspiração ou tempo pra escrever alguma coisa. São elas: "um golaço" às quintas, "um dia nas corridas" aos domingos e "uma noite na ópera" às terças.

O Dória coloca estantes bizarras e mulheres nuas semanalmente. Mas ele tem grana pra sonhar com estantes e não deve ter uma mulher brava em casa.

ComCiência, update de fevereiro

Tinha me esquecido de colocar os links para a edição de fevereiro da Revista ComCiência, do Labjor/Unicamp. Dessa vez, o dossiê aborda a Aprendizagem Baseada em Problemas, ou Problem-Based Learning (você encontrará muita informação sobre isso com a sigla PBL).

Como sou um cara desconfiado, no momento em que ouvi falar do assunto já me veio à cabeça algumas coisas relacionadas à palavra moda. Cá entre nós, em algumas áreas, o PBL me pareceu um ritual de como domesticar futuras oferendas de sacrifício ao Deus Mercado. Sabe como é, precisamos formar sujeitos pró-ativos, menos teóricos e mais práticos, blá, blá, blá.

Não por acaso, meu texto acabou saindo bem mais crítico do que a média da edição.
Semana que vem sai o dossiê Ciência e Música. Bem mais interessante, não é?

3 de março de 2010

Olá!

A quem interessar, este blog está de volta. O intuito é, como sempre, falar sobre tudo e nada ao mesmo tempo. E apenas quando der na telha - só pra desopilar o fígado, como se diz.


20 de dezembro de 2009

ComCiência, outro update

Esqueci de deixar por aqui os links para a revista ComCiência deste mês de dezembro.

Trata-se de uma reedição do dossiê de maio, dedicado a Claude Lévi-Strauss, com alguns plus a mais, como diria o outro. Os tais bônus são uma ótima matéria da Fernanda Vasconcelos sobre a repercussão da morte do Lévi-Strauss na mídia, e mais duas colaborações minhas (além da matéria para a edição original): a resenha do excelente livro-entrevista “De Perto e de Longe” e uma entrevista com o José Carlos Reis, que se dedica à história da história, e já havia parado pra discutir o impacto do estruturalismo de Lévi-Strauss na historiografia.

Se alguém quiser comentar algo sobre essa edição da revista, a caixa de comentários deste post está disponível.

Calorosos abraços a todos os (ex-)amigos e ex-leitores do blog!

7 de dezembro de 2009

Lévi-Strauss e a descrença, o mistério, e a ciência

Com licença, outra interrupção na hibernação.

Às vezes, alguém diz uma coisa que nos parece uma maravilha porque é uma novidade ou uma maneira original de encarar um antigo problema, com a qual jamais havíamos nos deparado.

Noutras, palavras ditas por outros caem maravilhosamente nos nossos ouvidos porque expressam exatamente uma convicção que consideramos muito pessoal, muito nossa. Não é novidade, não consideramos aquilo original. É a satisfação da identificação plena.

Tive que transcrever aqui um exemplo do segundo caso, que li na página 16 de “De Perto e de Longe”, livro que é uma entrevista de Claude Lévi-Strauss com Didier Eribon.

O senhor nunca foi perturbado pelo sentimento religioso?

Se por religião você entende uma relação com um Deus pessoal, nunca.

Esta descrença desempenhou um papel na sua evolução intelectual?

Não sei. Na adolescência, eu era muito intolerante quanto a esse assunto; hoje, depois de ter estudado e ensinado história das religiões – todos os tipos de religião – tornei-me mais reverente do que quando tinha dezoito ou vinte anos. E depois, mesmo continuando surdo às respostas religiosas, cada vez mais sou invadido pelo sentimento de que o cosmos e o lugar do homem no universo ultrapassam e ultrapassarão sempre nossa compreensão. Acontece que me entendo melhor com os crentes do que com os racionalistas empedernidos. Pelo menos os primeiros têm o sentido do mistério. Um mistério que, a meu ver, o pensamento parece constitucionalmente incapaz de resolver. É preciso contentar-se com as mordidelas infatigáveis que o conhecimento científico dá em suas bordas. Mas eu não conheço nada mais estimulante, mais enriquecedor para o espírito, do que tentar seguir esse processo – como profano; permanecendo consciente de que cada avanço faz surgir novos problemas, e de que a tarefa não tem fim.

12 de novembro de 2009

ComCiência, update

A Revista ComCiência está com nova edição. Link direto pro meu texto, a quem interessar, aqui.

O mundo inteiro sabe e até já deve ter esquecido que o Lévi-Strauss foi dessa pruma melhor. Está prevista uma edição especial sobre ele para o mês que vem. Será uma reedição do especial de maio, com alguns bônus. Vai pintar por lá, ao que tudo indica, uma entrevista que fiz com o historiador José Carlos Reis. Provavelmente, faço também uma resenha de alguma obra do Lévi-Strauss. Passo o link aqui, quando sair.

Vou voltar pra caverna. See ya.

De onde você vem?