20 de agosto de 2008

Don´t laugh on me, Argentina

Leia o trecho a seguir e responda:

"sabemos como eles são quando estão perdendo, sempre aparece a perna forte, a patada. Mas já passou, obviamente ninguém gosta de perder, te dá impotência e isso te leva a bater."

Quem proferiu essas palavras?

a) um jogador brasileiro, sobre jogadores argentinos

b) um jogador argentino, sobre jogadores brasileiros

Desde sempre aprendi, seja por comentários de sofá do meu pai e do meu tio, seja por comentários do pessoal que narra jogos para a TV, que os argentinos eram desleais, só jogavam na defesa, não sabiam perder, e batiam. Muito. Todo mundo também deve ter aprendido o mesmo. Fossem outros tempos, responderíamos com a letra "a", pouco percebendo o quanto havia de xenofobia em nossa resposta.

Mas o que vimos ontem foi a essência do dunguismo e a resposta só pode ser a "b", portanto. O jogador argentino é Javier Mascherano (que também bate bastante, convenhamos) em entrevista para o Terra. Quando perguntado se ficou surpreso com a performance pífia da seleção brasileira, respondeu na lata e com toda a razão: "o Brasil vem sendo isso. O bom é que nós dissemos isso antes da partida. Tínhamos claro que o plantel deles era limitado, bastante defensivo. E ontem foi possível notar que estávamos certos, que vemos bem o futebol." E completou: "o Brasil já faz um tempo que não vem respeitando muito sua história".

Depende, Mascherano. Se você quis dizer que o Brasil não respeita o fio de sua história que une Garrincha, Pelé, Rivellino, Zico, Sócrates, Romário, Ronaldinho Gaúcho, e tantos outros jedis da pelota, acho que é inevitável concordar com você. Mas se o fio for outro, o do lado negro, então você está enganado. Este é o fio que tem na figura de Zagallo seu Darth Vader e que culminou na trágica vingança dos sith na Copa de 1994, quando, segundo o Xico Sá, foi criado o dunguismo que hoje nos causa tanta agonia. Desse jeito, o Brasil está seguindo sim uma boa parte de sua história. Darth Parreira começou com um trabalho esplendoroso na Copa de 2006, quando jogou no lixo a melhor geração brasileira desde 82, e agora Darth Dunga está levando em frente o sabre vermelho da retranca sem imaginação.

Por falar em 82, Zico tinha razão: foi na derrota de 82 que toda essa pataquada defensiva opaca começou no Brasil. Mas isso não é desculpa. A Argentina passou por algo mais ou menos semelhante em 2002. Tinha um time fantástico, montado por Marcelo Bielsa. Foi ali que comecei a notar que a Argentina estava ocupada em jogar futebol, diferente dos nossos amarelinhos. O time de El Loco Bielsa passeou nas eliminatórias e chegou à Copa como clara favorita. Caiu num grupo terrivelmente difícil, bobeou e inesperadamente caiu na primeira fase. Quem foi campeão, todo mundo sabe, foi o Brasil improvisado de Felipão. Agora, perguntem se os argentinos desistiram. Perguntem se chegaram à Alemanha, em 2006, dispostos a ganhar sem jogar futebol de verdade. Perguntem se eles desistiram de jogar mesmo após montarem outro time maravilhoso e perderem a Copa América em 2007 para o Brasil dunguista.

Realmente, eles são melhores do que nós. E não é de hoje. Concordo com o Idelber.

Um comentário:

Désir La Vie disse...

Os argentinos de hoje são os brasileiros de ontem...
Realmente...Não há o que dizer, a não ser que você não queira dizer...Mas que são melhores...ah, isso são!

De onde você vem?