Hoje tem Muse em Sampa. Amanhã tem resenha no blog, a quem interessar.
É mais ou menos isso aí embaixo que vamos ver hoje à noite:
Hoje tem Muse em Sampa. Amanhã tem resenha no blog, a quem interessar.
É mais ou menos isso aí embaixo que vamos ver hoje à noite:

Nenhum homem é uma ilha, mas que têm umas montanhas gigantescas no caminho que leva a cada península, ah, isso têm.
...
Os mal-entendidos são uma coisa odiosa, sempre pensei. Claro, nunca me preocupei muito se havia interpretado errado alguma pessoa, ou alguma coisa que me foi dita. Nunca me preocupei demais, por exemplo, se apenas estava projetando meus preconceitos numa determinada pessoa, ou num discurso qualquer. O que sempre me preocupou era como eu e meus atos poderiam ser mal-interpretados. Ou o preconceito que poderia ser projetado sobre mim. Por isso, sempre me esforcei para ser o mais possivelmente claro nas minhas intenções, naquilo que dizia, nos gestos e olhares, para que não houvesse traço de dúvida sobre o que eu sou. É um egocentrismo do caralho, eu sei, eu sei. Mas não me entendam mal.A sua carta para ela, e esta, a resposta, falharam em seus objetivos. Sua
carta era uma tentativa de explicar sua maneira de encarar a vida, já que você é
necessariamente afetado por ela. Destinava-se a não ser compreendida, ou
interpretada literalmente demais, porque suas idéias se opõem ao
convencionalismo. Que poderia ser mais convencional que uma dona de casa com
três crianças, "dedicada à sua família"? Nada mais natural que ela se
ressentisse de uma pessoa não convencional. Há uma considerável hipocrisia nas
convenções. Qualquer pessoa que pensa conhece o paradoxo. Mas ao lidar com
pessoas convencionais é sempre vantajoso tratá-las como se não fossem
hipócritas. Não se trata de infidelidade aos próprios conceitos. Trata-se de uma
concessão para que se possa continuar a ser um indivíduo livre da ameaça
constante das pressões convencionais. A carta dela fracassou porque ela é
incapaz de conceber a profundidade do seu problema - não pode medir as pressões
sofridas por você devido ao meio ambiente, à frustração intelectual e uma
tendência crescente ao isolacionismo.
"... e o pior é que outro dia eu fui ver, agora o bicho não cresce nem mais do que isso, ó."
É sempre assim: desde o instante em que a revê até o instante em que a
reconhece tal como a ama, ele tem um caminho a percorrer. Desde seu primeiro
encontro, na montanha, ele teve a oportunidade de se isolar com ela quase
imediatamente. Se, antes desse único encontro a sós, ela a tivesse encontrado
muitas vezes tal como ela era com os outros, teria reconhecido nela o ser amado?
Se ele a tivesse conhecido apenas com o rosto que ela mostra a seus colegas, a
seus chefes, a seus subordinados, teria ficado comovido e maravilhado com esse
rosto? Para essas perguntas, ele não tem resposta.
[...]
A frase de Chantal ecoava-lhe na cabeça e ele imaginava a história do seu
corpo: ele estava perdido entre milhões de outros corpos até o dia em que um
olhar de desejo pousou sobre ele e o tirou da multidão nebulosa; em seguida, os
olhares se multiplicaram e incendiaram esse corpo que desde então atravessa o
mundo como uma tocha; é o tempo de uma glória luminosa, mas, logo, depois, os
olhares vão começar a escassear, a luz se apagará pouco a pouco até o dia em que
esse corpo, translúcido, depois transparente, depois invisível, irá passear
pelas ruas como um pequeno nada ambulante. Nesse trajeto, que leva da primeira
invisibilidade à segunda, a frase "os homens não se viram mais para olhar para
mim" é a luzinha vermelha assinalando que a extinção progressiva do corpo
começou.
Por mais que dissesse que a amava e a achava bela, seu olhar amoroso não
podia consolá-la. Porque o olhar do amor é o olhar do isolamento. Jean-Marc
pensava na solidão amorosa de dois seres velhos que se tornaram invisíveis para
os outros: triste solidão que prefigura a morte. Não, o que ela precisa não é de
um olhar de amor, mas de uma inundação de olhares desconhecidos, grosseiros,
concupiscentes e que pousam nela sem simpatia, sem escolhar, sem ternura nem
polidez, fatalmente, inevitavelmente. Esses olhares a mantêm na sociedade dos
humanos. O olhar do amor a exclui.
Preparado o cenário de uma mulher em decadência física e seu companheiro que não resiste à compaixão, Milan Kundera leva essas suas duas crias, Chantal e Jean-Marc, a seu lugar preferido: o terreno dos mal-entendidos amorosos.
O real também pode ficar mais palpável, compreensível, inteligível, graças à ficção.
A Identidade, de Kundera, está esgotado.
peça da frente, não é interessante que estejamos vivos neste mesmo momento, neste mesmo lugar? mais cedo ou mais tarde, eu, você, o mundo todo, tudo tudo tudo vai acabar e não vai sobrar nada, nadinha de nada, nenhum rastro, nada mesmo, e não é interessante que estejamos vendo, olhando, cheirando, comendo e sentindo, claro, sentindo tudo agora, neste exato momento, no mesmo lugar? quantas coincidências foram necessárias, diga lá Kundera, quantas? umas cem (milhões)? tudo é acaso, nós somos milhões de sinapses interligadas por acasos, inúmeros deles, o maior deles sendo a nossa própria conexão, e é mais bonito ainda ver tudo desse jeito, como acasos e sinapses de organismos efêmeros, porque é assim que até o mais pesado Es Muss Sein! é dito com uma leveza insustentável.
Seymour Hoffman é o mais novo perturbado pelo desprezo feminino, em Synecdoche, de KaufmanO filme tem como personagem central Caden Cotard, diretor teatral insatisfeito com sua criação artística e que tem seu relacionamento com uma artista plástica em crise.
Hipocondríaco e obsessivo com o medo da morte, abandonado pela mulher, que leva a filha, Caden decide, após receber uma grande quantia de estímulo à arte, realizar uma enorme obra teatral, uma obra total que seja a representação da sua vida.
Mais que uma história contada e linear, o filme de Kaufman é uma construção labiríntica através da qual o diretor aborda temas de sua preferência, já usados em roteiros anteriores: limites entre realidade e imaginação, criação, a percepção do outro, mas também o envelhecimento e o medo da morte.
In a general way, it's about the experience of going through life, and heading toward the end of it. The movie follows this character for 40 years, and it's about people's losses and death and fear of death and intimacy and relationships. Romance and regret and struggle and ego and jealousy and confusion and loneliness and sex and loss -- all those things are in the movie. I wanted it to be an all-inclusive experience of a person's life. It's this guy's world.
"Não enxergaria nenhuma diferença entre uma declaração feita por mim ou por você e uma declaração mediúnica, que foi psicografada por alguém", diz Alexandre Azevedo, juiz-auxiliar da presidência do CNJ, designado pelo conselho para falar a respeito das associações.
A Folha levantou quatro decisões em que cartas psicografadas, supostamente atribuídas às vítimas do crime, foram usadas como provas para inocentar réus acusados de homicídio.
Segundo Zalmino Zimmermann, juiz federal aposentado e presidente da Abrame, o propósito da associação "é questionar os poderes constituídos para que o direito e a Justiça sofram mais de perto a influência de espiritualizar". "O objetivo geral é a espiritualização e a humanização do direito e da Justiça", diz.
Para o juiz de direito Jaime Martins Filho, a escolha de sua profissão não foi uma casualidade e, por isso, a exerce como uma missão de vida. "Não acredito em acaso, mas numa ordem que rege o universo, acredito em leis universais." E ele explica "a finalidade religiosa da associação".
"Dentro da liberdade de religião, são os juízes aplicando princípios religiosos no seu dia-a-dia. Temos um foco que é a magistratura, procurar trabalhar esses valores espirituais que estão relacionados com a própria religião dentro da magistratura", diz Martins Filho.
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1. A passos largos, o judiciário caminha para arrebatar o título de mais abjeto e ridículo entre os três poderes (verdadeira façanha, diga-se). Acompanhe parte da saga com o Idelber Avelar aqui, aqui, aqui e aqui também.
2. E vocês acharam que infame foi o post do Gasparetto, né?
O apresentador e suposto médium recebeu o espírito de Calunga e respondeu
perguntas da platéia. Dentre os temas discutidos pelo espírito, estavam a
educação e a violência contra crianças.
Calunga é o mentor espiritual de Gasparetto, segundo a assessoria de imprensa do programa. Trata-se de um "preto-velho", foi um escravo que usa o corpo do apresentador para se expressar.
Entre os fantásticos feitos sobrenaturais de Calunga (ex-orixá do Corinthians), o mais notável é ele ter conseguido tirar a RedeTV! do traço e levá-la a quatro pontos de audiência.
Espantoso.
Não sei o porquê, mas me vem à cabeça uma cantiga do Dr. Fritz, segundo o Livro Místico, Esotérico e Sobrenatural de Casseta e Planeta:
Enfia a deda, enfia a deda e rrroda
Enfia a deda, enfia a deda e rrrroda
Não é nada disso que você estarrrr pensando
É de tumor maligno que eu estarrrrrr falando

Na imagem acima, o momento em que Gasparetto sente no âmago da alma o preto-velho adentrando seu corpo, sem assepsia nem anestesia, como o velho Fritz