27 de maio de 2008

Fusão

Num papel imaginário, dobrado e amassado, achado sujo com marcas de tênis e areia da rua internética, podia-se ler:

peça da frente, não é interessante que estejamos vivos neste mesmo momento, neste mesmo lugar? mais cedo ou mais tarde, eu, você, o mundo todo, tudo tudo tudo vai acabar e não vai sobrar nada, nadinha de nada, nenhum rastro, nada mesmo, e não é interessante que estejamos vendo, olhando, cheirando, comendo e sentindo, claro, sentindo tudo agora, neste exato momento, no mesmo lugar? quantas coincidências foram necessárias, diga lá Kundera, quantas? umas cem (milhões)? tudo é acaso, nós somos milhões de sinapses interligadas por acasos, inúmeros deles, o maior deles sendo a nossa própria conexão, e é mais bonito ainda ver tudo desse jeito, como acasos e sinapses de organismos efêmeros, porque é assim que até o mais pesado Es Muss Sein! é dito com uma leveza insustentável.

Um comentário:

Vanessa Prates disse...

Ler vc +e melhor do q ler Kundera!

De onde você vem?