28 de outubro de 2011

A volta do McRib e a paródia da paródia

Jon Stewart, pela enésima vez, expõe o anti-jornalismo da “mídia a cabo” (Fox News, CNN) americana.

Resumo para poupar o tempo de quem não quer ver o vídeo: o Wall Street Journal repercutiu em editorial uma pesquisa feita por cientista conhecido por combater as alegações de que o aquecimento global existe e é antropogênico. A pesquisa, financiada pelos irmãos Koch, adoradores de Ayn Rand e notórios conservadores  “anti-Obama” e “anti-aquecimento global”, concluiu que o aquecimento global é real. Stewart resgata como foi a cobertura do Climategate pelos veículos noticiosos televisivos: explosiva. Compara, agora, com a cobertura da pesquisa e de sua repercussão pelo WSJ (de Murdoch, não esqueçamos). O resultado é que 24 segundos foram dedicados à repercussão da pesquisa, no total, enquanto mais atenção foi dada até mesmo ao relançamento do sanduíche McRib pelo McDonald´s.

Depois, foi a vez de um dos “correspondentes” de Stewart fazer a paródia de um jornalismo que já é uma paródia. Uma estrategista do Partido Republicano, mistura trágica de Palin com Bachmann, é entrevistada e não percebe que a piada está nela própria. O “jornalista” termina por concluir que a ciência está destruindo a nação.

Brilhante, como sempre, o Daily Show.

23 de outubro de 2011

Finalmente

Os caras respiram All Blacks:



Homenagem aos campeões de 2011, após 24 anos de seca.

18 de outubro de 2011

#OccupyWallStreet

Manifestante do Occupy Wall Street dando uma surra na Fox News.



Lindo.

A coisa está se espalhando.

16 de setembro de 2011

TotalBiscuit descasca Idra

John Bain, o TotalBiscuit, foi entrevistado pelo Technorati. TB é, disparado, o melhor caster de games e esports que conheço. É uma figura que merece respeito, não apenas por apostar numa carreira independente em terreno ainda incerto, mas porque é inteligente, bem-humorado e ácido.

A entrevista vale a leitura para quem quer conhecer um pouco mais sobre a cena de “gamecasting” independente que a internet está proporcionando. Mas o que mais me chamou a atenção foi a carcada-monstro que TB deu no Idra, o mais nojento dos progamers. Veja abaixo.

Idra, um americano que migrou há alguns anos para a Coréia do Sul apostando na carreira de jogador profissional de Starcraft, é tido pela maioria dos espectadores de esports como grosseiro e arrogante. Sua marca registrada é o ragequit (ou seja, sair do jogo sem dizer GG, forma polida de reconhecer a derrota) e o abuso explícito sobre um oponente que está derrotando, especialmente se este tentou alguma tática não-usual (cheese).

Durante o beta do Starcraft 2, joguei contra o mimadão e quase ganhei num cheese de void ray (era minha única chance, pegá-lo de surpresa com uma unidade que, na época, era apelativa). Ele me venceu, obviamente, e tripudiou dizendo bobagens como “learn to play”. Bostinha.

__

EB: There seems to be tension between you and Team Evil Geniuses. Would you like to comment on that?

TotalBiscuit: (…) The issue is with IdrA specifically. I perceive IdrA as a person who snatches headlines from others who deserve them more, through negative actions. For instance, in a recent open tournament, he faced off against one of the strongest Zerg players in Europe, Nerchio, in a best of 3. He lost the first game within 8 minutes and forfeitted the remainder of the series, rather than face Nerchio in one more game. Bear in mind this was the semi-final, of a tournament which had 10 rounds and over 600 players, he fought his way through the bracket to get all the way to the semi-final and then waved the white-flag rather than be potentially crushed again in front of a live audience. This caused a lot of drama within the community and it's not the first time that his actions have lead to this, meanwhile Nerchio went on to defeat Korean player Yong in a stunning comeback and exceptional display of tenacity and skill, having lost the first 2 games in what was shaping up to be a white-wash in favour of the Korean. That to me, was the headline of the tournament and yet IdrA's antics once again became the centre of attention. It's embarrassing and for someone who plays StarCraft 2 for a living, he gives up easier than any other professional I can think of and I cannot respect him as a result. I wouldn't want someone like that in one of my tournaments and to be honest, the only issue I have with EG is that they are not visibly going out of their way to stop this behaviour from one of their star players. (…)

14 de setembro de 2011

O Tea Party é uma festa (de Halloween)

Infalíveis, Jon Stewart e Stephen Colbert deitaram e rolaram sobre o “Tea Party Republican Debate” do início dessa semana.

Stewart, primeiro, humilhou a cosmética do debate na CNN, à la reality show. Um horror, de fato. Se a pirotecnia da Globo me dava alergia, é porque ainda não tinha visto essa coisa bizarra da CNN.

Depois, o “correspondente” do Daily Show Al Madrigal resumiu bem o pensamento da galera presente no debate em Tampa, Flórida: “Ronald Reagan era um comuna hollywoodiano que aumentou impostos, fez crescer o governo e deu anistia a imigrantes ilegais. Aquele pobre filho da puta seria devorado vivo por essa platéia.”

Pois é. Dois momentos escrotíssimos protagonizados pela galerinha Tea Party servem de exemplo. O primeiro foi quando alguns responderam com um “yeah!” à pergunta do Wolf Blitzer ao Ron Paul, sobre se o candidato deixaria um rapaz de 30 anos em coma morrer sem tratamentos médicos porque não tem plano de saúde. O segundo, quando o recorde de execuções do governador do Texas Rick Perry foi ovacionado, num outro debate. Colbert:

Perry, o executioner, o anticiência, o criacionista, é o favorito da turminha. McCain é um progressista, um humanista, perto dele. Se a economia não desandar mais ainda, Obamão dá de landslide em 2012.

Fora isso, Krugman e Al Gore foram os entrevistados de ontem. A entrevista com o Gore está sensacional. Ele teve um lapso, fez referência ao personagem do host, depois ficou tentando se explicar e gerou uma piada expontânea. O talento do Colbert pra crescer no inesperado é admirável.

11 de setembro de 2011

The Man Falling

As imagens e vídeos dos jumpers do WTC são [adjetivo ainda não inventado].

As estimativas variam, mas o consenso é que por volta de 200 pessoas pularam/caíram do alto das Torres Gêmeas há 10 anos atrás. A imensa maioria deles, da Torre Norte, a primeira atingida. Quem estava nos andares acima do impacto do avião não teve chance. Todas as rotas de fuga (escadas) foram cortadas. Todos morreram de forma terrível. Sufocados pela fumaça, queimados, cozidos. Ou numa queda impensável, de eternos dez segundos. “Uma solitária jornada de dez segundos” é a expressão usada no documentário mencionado no post abaixo, The Falling Man.

Já vi muitos vídeos dos jumpers. Inúmeros. Mais do que qualquer detalhe desse evento inacreditável, me fascinam e me aterrorizam. Mesmo assim, não consigo virar os olhos. É o sublime. O próximo post, uma tradução, tratará disso.

O repositório da internet é imenso. Há fotos de jumpers pulando juntos, dando as mãos, em grupos de quatro ou cinco, sozinhos. A quem procura: saiba que há riscos. Principalmente, o de ficar hipnotizado e não conseguir definir o horror. É péssimo não saber definir as coisas. Tentei uma vez. Serviu para amenizar um pouco minha curiosidade mórbida e aquiescer com a escolha de quem pulou.

Mas o que ocorre a partir dos 5:30 minutos do vídeo abaixo está ainda mais além de mim. Só fui capaz de assistir a isso pois já estava dessensibilizado pelos vários outros vídeos de jumpers. É o único vídeo, que conheço, de alguém caindo da Torre Sul.

Este não é um jumper, no sentido da palavra, embora nenhum o seja de fato. Ele escolheu fazer o impossível para viver. Pensou poder fazer uma façanha para evitar a morte. Em poucos segundos, seu plano desesperado transforma-se em [substantivo não inventado].

No plaza, em um prédio contíguo à Torre Sul, o câmera registrava os últimos segundos da vida desse homem enquanto tocava, nas caixas de som do plaza, um arranjo de elevador para uma música de elevador, How Deep is Your Love.

A esse tipo de tragédia e a esse nível de ironia não há qualquer imaginação humana - arte, ciência ou religião, mesmo um artigo jornalístico ou um documentário - que dê respostas. Esse homem, em que pese sua enorme coragem, não é um Falling Man. É um Man Falling. Que alguém mais talentoso do que eu, um dia, lhe dê algum sentido. Pois tudo o que consigo é tentar sentir no íntimo o que ele sentiu e, como ele, sem poder expressar mais nada.

The Falling Man

The Falling Man é o nome de um artigo de Tom Junod publicado na revista Esquire, em setembro de 2003. Depois, virou filme. Um documentário. Sobre a foto de um homem e da busca por saber quem era esse homem.

Este homem:

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Apesar de muita investigação, Junod não conseguiu saber quem era o Falling Man, embora tenha havido alguns candidatos plausíveis. Não importa. O que ele escreveu sobre os jumpers de exatamente 10 anos atrás tem um sentido em si mesmo. Segue o fim do texto, em tradução minha:

É Jonathan Briley o Falling Man? Poderia ser. Mas talvez ele não tenha pulado da janela por uma traição amorosa ou porque perdeu as esperanças. Talvez ele tenha pulado para cumprir os termos de um milagre. Talvez ele tenha pulado para voltar para casa, para sua família. Talvez ele sequer tenha pulado, porque ninguém pode pular para os braços de Deus.

Ó, não. Você tem que cair.

Sim, Jonathan Briley pode ser o Falling Man. Mas a única certeza que temos é a mesma do começo: quinze segundos depois das 9:41 da manhã, em 11 de setembro de 2001, um fotógrafo chamado Richard Drew tirou uma foto de um homem caindo pelo céu – caindo pelo tempo e, também, pelo espaço. A imagem rodou o mundo, e depois desapareceu, como se a tivéssemos desfeito. Uma das mais famosas fotografias na história humana virou uma lápide anônima, e o homem enterrado em suas margens – o Falling Man – tornou-se o Soldado Desconhecido de uma guerra cujo fim ainda não vimos. A fotografia de Richard Drew é tudo o que sabemos dele, mas tudo o que sabemos dele é uma medida do que sabemos sobre nós mesmos. A imagem é seu cenotáfio e, como os monumentos dedicados à memória de soldados desconhecidos em todo lugar, pede que olhemos para ela e façamos um simples reconhecimento.

Que sabíamos quem era o Falling Man a todo momento.

10 de setembro de 2011

Hitchens escrevendo perto da morte

In the preface to my first collection of essays, Prepared for the Worst, in 1988, I annexed a thought of Nadine Gordimer's, to the effect that a serious person should try and write posthumously. By that I took her to mean that one should compose as if the usual constraints – of fashion, commerce, self-censorship, public and perhaps especially intellectual opinion – did not operate. Impossible perhaps to live up to, this admonition and aspiration did possess some muscle, as well as some warning of how it can decay. Then, about a year ago, I was informed by a doctor that I might have as little as another year to live. In consequence, some of my recent articles were written with the full consciousness that they may be my very last. Sobering in one way and exhilarating in another, this practice can obviously never become perfected. But it has given me a more vivid idea of what makes life worth living, and defending.

Em seu artigo sobre o 9/11 e a primavera árabe.

7 de setembro de 2011

Moldando o vazio

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“Moldando o Vazio” é o nome de um artigo de Paul Goldberger para a New Yorker, estranhamente datado de 12 de setembro de 2011. O texto conta algumas das peripécias enfrentadas pelo processo de reconstrução do Ground Zero (como é chamado aquele trapezóide enorme de que um dia fizeram parte as Torres Gêmeas). O final é bonito:

No início do processo de design, [o arquiteto Michael] Arad uniu-se ao paisagista Peter Walker, com quem divide uma sensibilidade minimalista, e eles fizeram do espaço ao redor das duas ‘pegadas’ [das torres originais] uma bonita e contida praça pública, com árvores de carvalho, bancos e postes de luz, dando ao lugar um tipo de ordem calma e firme. Você não o confundiria com um parque tradicional ou uma praça urbana, mas também não é um cemitério. Você sente dignidade e repouso, e vê as formas da cidade renovada nos novos arranha-céus, como deveria. O Ground Zero não pode ser um lugar onde seus pensamentos escapam completamente para a história, como no extraordinário Memorial dos Veteranos do Vietnã de Maya Lin ou no campo de batalha de Gettysburg. Você está no meio da cidade, parte de uma vida urbana que era tanto um alvo para os terroristas de 2001 quanto as vidas de três mil pessoas. As pessoas não mais voltarão, mas a vida da cidade precisa fazê-lo. Quando estiver no parque de Arad e Walker e olhar para as ‘pegadas’ cercadas de nomes com as novas torres por trás delas, você sentirá a profunda conexão entre essas duas verdades.

O memorial abre no próximo dia 11 de setembro.

31 de agosto de 2011

Kovacevich toca Beethoven


Baixe nos links abaixo TODAS as 32 sonatas para piano, do Beethoven, tocadas por Stephen Kovacevich. O único inconveniente desses arquivos é que as sonatas estão condensadas por CD (ou seja, cada MP3 é um CD com umas quatro ou cinco sonatas) e eu não tenho paciência, hoje, de separar uma por uma manualmente. Sei que, para quem não conhece as sonatas, fica difícil saber qual é qual.

Que eu saiba, praticamente tudo o que Beethoven escreveu pra piano solo está aí (incluindo as bagatelles). Faltam só as Variações Diabelli (você pode encontrá-las pelas mãos do Paul Lewis aqui e com o próprio Kovacevich nesse post, que também conta com os cinco concertos para piano que o Ludwig Van escreveu).

O intuito desse post não é prejudicar ninguém, seja o artista, seja a gravadora. Está mais na linha do que disse o grande P. Q. P. Bach: o negócio é "polinizar beleza pela blogosfera e suas margens". Se os detentores dos direitos autorais dessa obra acharem que compartilhar uma obra-prima dessas com nossos semelhantes consiste em algum crime ou prejudica a arte, favor contactar o autor do blog.

Sonatas 1-3

Sonatas 4-7

Sonatas 8-11

Sonatas 12-15

Sonatas 16-20

Sonatas 21-25

Sonatas 26-28, 30

Sonatas 29, 31

Sonata 32, bagatelles

28 de agosto de 2011

Beethoven, Sonata 26, Les Adieux

Aproveitando a deixa da NPR, segue Gilels tocando a Les Adieux, Sonata 26. Só o primeiro movimento, que eu acho o mais massa.

Beethoven, Piano Sonata 32, op. 111

Schiff tocando a minha quase-favorita do momento:

29 de outubro de 2010

Mau exemplo de jornalismo de ciência

A Folha Online publicou hoje, dia 29, uma matéria com a seguinte manchete: "Há até 25 planetas semelhantes à Terra, dizem cientistas".

Lamentável.

Leia a notícia original, que certamente serviu de base para esse pastiche publicado pela Folha, e tire suas próprias conclusões.

o GOP, versão Tea Party, e o futuro dos US&A

Krugman, ontem, sobre as consequências da quase certa vitória republicana nas eleições de meio-termo nos US&A, começo de novembro agora:

Barring a huge upset, Republicans will take control of at least one house of Congress next week. How worried should we be by that prospect?

Not very, say some pundits. After all, the last time Republicans controlled Congress while a Democrat lived in the White House was the period from the beginning of 1995 to the end of 2000. And people remember that era as a good time, a time of rapid job creation and responsible budgets. Can we hope for a similar experience now?

No, we can’t. This is going to be terrible. In fact, future historians will probably look back at the 2010 election as a catastrophe for America, one that condemned the nation to years of political chaos and economic weakness.
Leia o porquê.

26 de outubro de 2010

só acredito num deus que dance (pelado)

Johnossi, que caiu no meu ouvido porque é trilha de NHL 09, tem uma dessas músicas com que, vez por outra, a gente se identifica completamente.

Que ateu-materialista-darwinista-freudiano-com-pitadas-de-ceticismo-cínico não gostaria de uma música dessas?

Man must dance. Vai o vídeo e a letra inteira:




We're the people, the lucky
with the fragile bones
the ones who sit and worry
about getting to old
We're the people, the happy
with the broken hearts
the ones who draw a picture
and proclaim that it´s art

But you, and you, and you and you
you're just an animal developed into
You and you and you and you
a monkey needs to dance so do you

We're the people, the lucky
with the fragile bones
the ones who sit and worry
about catching a cold
We're the people, the happy
with the broken hearts
the ones who draw a picture
and proclaim that it´s art

But you, and you, and you and you
you're just an animal developed into
You and you and you and you
a monkey needs to dance so do you

You like to do it as a child on your own
you're in the jungle and the monkeys
take your mind from your home
How many times do they have to tell you
that it's perfectly fine for you to dance around
naked when you're all by yourself

Cause' you, and you, and you and you
you're just an animal developed into
You and you and you and you
a monkey needs to dance so do you

We're the people, the lucky
with the fragile bones
the ones who sit and worry
about getting to old
You're the monkey in the jungle
trying to find your place
the one who let the sunset
bring a silly kind of smile on your face

But you, and you, and you
you're just an animal developed into
You and you and you and you
a monkey needs to dance so do you

You like to do it as a child on your own
you're in the jungle and the monkeys
take your mind from your home
How many times do they have to tell you
that it's perfectly fine for you to dance around
naked when you're all by yourself

Cause you, and you, and you and you
you're just an animal developed into
You and you and you and you
a monkey needs to dance so do you

*a monkey needs to dance so do you*

24 de outubro de 2010

os mais novos vazamentos da Wikileaks: a Guerra do Iraque

No BoingBoing (a.k.a. o melhor blog do mundo), links sobre os quase 400 mil documentos vazados pela Wikileaks há uns dois dias - desta vez, o alvo de Assange & Co. é mostrar um lado ainda mais sujo da guerra no Iraque. Há infográficos interativos (os jornalistas adoram isso) que ajudam a entender facilmente a balbúrdia que virou a antiga Mesopotâmia na aurora do século XXI - incluindo um mapa de mortes de civis.

Fora isso, há um bom texto de Robert Fisk e duas reportagens estranhas (no NYT e, depois, no Independent) sobre a aparentemente sediciosa situação interna da Wikileaks após os vazamentos sobre as duas guerras do GOP. Acompanhemos.

Ah, e Crazyhorse 18: fuck you, whomever you are.

24 de setembro de 2010

WTB Comedy Central...

Ok, três links para mais uma histórica intervenção de Stephen Colbert na cena política americana.

Talking Points Memo, Guardian e NYT contaram a história.

21 de agosto de 2010

começou o jogo sujo, pesado, desleal e tristemente previsível contra Assange e Wikileaks

Assange foi acusado de estupro na Suécia. Mais detalhes, aqui.

O comentário do Trotsky (lol), que reproduzo na íntegra, acertou na mosca:

Here we go.

Watch this entire saga unfold very, very closely and you will see how the great and enlightened democracies of the 21st century deal with citizens who dare to assert freedom of information and true participation in the governing process.

As progressive as Sweden may or may not be, it is still a government and therefore its purpose is to protect the people Assange is challenging. First rule of Fight Club is that no government on earth today owes any allegiance whatsoever to the common citizen or any principles of egalitarian justice, their public relations and propaganda to the contrary.

Strike that naive thought from your skull.

I saw a video of Assange and he seemed to be flirting with a women who appeared to be a WikiLeaks colleague. I wondered if Assange was canny enough to realize that opponents will inevitably attempt to get agents close to him to ensnare him in some sort of sexual scandal. It's extremely common to infiltrate dissident groups with attractive females either to encourage, record, or entangle in some sort of sexual scandal. That's subversion 101.

It's entirely possible, likely I'd suggest, that any victims of "rape" are deliberately placed as assets to undo WikiLeaks.

The charges were issued then withdrawn for two primary reasons: 1) they are spurious, and would not endure scrutiny in a court of law, 2) the parties involved know full well that merely the *ACCUSATION* of this crime will immediately damn him irreparably in the eyes of some 70% of the public.

The mainstream press will inevitably report this in a shoddy and dishonest fashion and the allegation will become fact in the routine process of distortion and manipulation. The parties who issued this know that full well.

In other words, by saying: "Molester... just kidding," you've already done your work. That's what smearing is. It's damaging assertions which have little or no basis in fact. All you have to say is: "I heard you fuck little boys, but it's probably not true."

Also, the way smearing works is you build a perimeter of accusation and innuendo that becomes blurred as the years pass. So today, most of us here at BB see this as a transparent ploy, but five years from now, many will recall "oh, wasn't this the guy who was accused of rape or something?" And by that time, other innuendo will be added to the process to begin whittling support away. You just keep adding spurious charges to begin to marginalize Assange and WikiLeaks.

It should also be noted that most governments pass through a variety of stages and tactics before they commit assassination. Bribery, sexual scandal, attempts to induce despair, suicide, and resignation in the subject. Finally, if all of these efforts fail, the target is merely killed. Rarely by bullet. Unless it is the intention of the assassins to communicate terror to the public. To say: "We know this person is valuable to you, but we fucking shot him in the head anyway. None of you are safe."

Recall this systemic process of neutralization brought to bear most famously against Martin Luther King Jr. We like to conveniently confine those type of tactics to a loose cannon like J. Edgar Hoover, as the black sheep misadventures of a bygone era, but the fact is those tactics have never diminished and are taught as counterinsurgency in all of the best schools of warfare and dissident suppression, the cream of which reside in the United States.

Students come to America to learn how to perform just this type of suppression, which they call counterinsurgency or counterterrorism.

Assange is not being hunted exclusively by the Americans. He is likely being hunted by teams of multiple nations. If you look at the eventual assassination of Patrice Lumumba, there were multiple teams looking for him, but it was a Belgian team that caught up with him first. You can bet, however, that before he was murdered, multiple calls were placed to the intelligence agencies of other nations (most notably Frank Carlucci, then of the CIA, long before becoming Secretary of Defense under Reagan) to confer before finally dispatching him.

Sweden has a very virulent and vicious right wing that may not be dominant politically, but still wields tremendous influence within the system. No country is monolithically good or evil. Assange may enjoy MORE protection in an Iceland or Sweden, but he is still beset by enemies even there. Plus, agents of global intel freely and routinely violate sovereign nations by committing crimes abroad at their whim. The US or allies would have no qualms in sending agents to dispatch Assange and colleagues in Sweden or any other place on earth. None whatsoever.

Finally, I think Assange knows how this process must unfold. It seems to me that he entered this with open eyes and not ideological delusion. That means he knows full well, his life and freedom are greatly at risk. He knows how this goes, and he knows what these groups will do. More reason to respect and admire him.

18 de agosto de 2010

human fuckin´ beings!

O seguinte caso foi indicado por Marcelo Leite, da Folha, num artigo sobre fraudes na ciência.

Marc Hauser é um dos mais proeminentes pesquisadores do campo da psicologia evolutiva. Mas uma investigação de três anos de duração, feita pela própria Harvard, chegou à conclusão que houve fraude em pelo menos um dos estudos publicados por Hauser et al. O estudo foi cancelado, o psicólogo evolucionista está agora em licença, e ninguém sabe direito onde essa história vai parar

Quem sabe a sociobiologia psicologia evolutiva nos traga respostas evolutivas para a prática de fraudar resultados num meio científico cada vez mais selvagemente competitivo.

O que achei interessante, ainda, sobre o caso Hauser, é que "this isn’t the first time Hauser’s work has been challenged". Prossegue a matéria do Boston Globe:

In 1995, he was the lead author of a paper in the Proceedings of the National Academy of Sciences that looked at whether cotton-top tamarins are able to recognize themselves in a mirror. Self-recognition was something that set humans and other primates, such as chimpanzees and orangutans, apart from other animals, and no one had shown that monkeys had this ability.

Gordon G. Gallup Jr., a professor of psychology at State University of New York at Albany, questioned the results and requested videotapes that Hauser had made of the experiment.

“When I played the videotapes, there was not a thread of compelling evidence — scientific or otherwise — that any of the tamarins had learned to correctly decipher mirrored information about themselves,’’ Gallup said in an interview.

In 1997, he co-authored a critique of the original paper, and Hauser and a co-author responded with a defense of the work.

De onde você vem?